De acordo com um ancião que quis interpretar a parábola do Bom Samaritano, o homem que descia de Jerusalém em direcção a Jericó representa Adão, Jerusalém o paraíso, Jericó o mundo, os salteadores as forças malignas, o sacerdote a Lei, o levita os profetas, o samaritano Cristo. As feridas simbolizam a desobediência, a montada o Corpo do Senhor. […] E a promessa de voltar, feita pelo samaritano, prefigura, de acordo com este intérprete, o segundo advento do Senhor. […] Este Samaritano carrega os nossos pecados (cf. Mt 8, 17) e sofre por nós. Pega no moribundo e condu-lo à estalagem, ou seja, à Igreja. ALeia mais →

«Aquele que, como eu, é escarnecido pelo seu amigo invocará a Deus e Ele o ouvirá» (Job 12, 4 Vulg). […] Sucede a alma perseverar no bem, e contudo sofrer a troça dos homens. Agir de modo admirável e receber injúrias. Então, aquele que os elogios poderiam ter atraído exteriormente, repelido pelas afrontas, entra em si próprio. Fortalece-se em Deus tanto mais solidamente, quanto não encontra no exterior nada onde possa descansar. Põe toda a sua esperança no seu Criador e, no meio das troças ultrajantes, só implora o testemunho interior. A alma do homem afligido aproxima-se de Deus tanto mais quanto é abandonada peloLeia mais →

Meus caros, Paulo, o apóstolo dos pagãos, não contradiz a nossa fé quando diz: «Ainda que tenhamos conhecido a Cristo à maneira humana, agora já não o conhecemos assim» (2 Co 5,16). A ressurreição do Senhor não pôs um termo à sua carne; transformou-a. O aumento da sua força não destruiu a sua substância; a qualidade mudou; a natureza não foi aniquilada. Crucificaram aquele corpo, ferrando-o a pregos: tornou-se inacessível ao sofrimento. Deram-lhe a morte: tornou-se imortal. Assassinaram-no: tornou-se incorruptível. E bem podemos dizer que a carne humana de Cristo não é, com efeito, a que tínhamos conhecido; porque nela deixou de haver vestígio deLeia mais →

(Jo 10, 11) Aquilo que principalmente atrai a benevolência do alto é a solicitude para com o próximo. É por isto que Cristo exige esta disposição a Pedro: «Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?» Pedro respondeu: «Sim, Senhor, Tu sabes que eu sou deveras teu amigo». Jesus disse-lhe: «Apascenta os Meus cordeiros». Por que foi que, deixando de lado os outros apóstolos, Jesus se dirigiu a Pedro falando-lhe sobre eles? É que Pedro era o primeiro entre os apóstolos, o seu porta-voz, o chefe do seu colégio, de tal maneira que foi a ele, e não aos outros, que Paulo veioLeia mais →

O Senhor foi entregue aos que O odeiam. Para insultar a sua dignidade real, obrigam-No a transportar Ele próprio o instrumento do Seu suplício. Assim se cumpria o oráculo do profeta Isaías: «Ele recebeu sobre os Seus ombros a insígnia do poder» (Is 9,5). Transportar assim a cruz, aquela cruz que Ele iria transformar em ceptro da Sua força, era certamente, aos olhos dos ímpios, um grande motivo de zombaria, mas para os fiéis foi um mistério espantoso: o glorioso vencedor do demónio, o todo-poderoso adversário das forças do mal, exibia aos Seus ombros, para adoração de todos os povos e com uma paciência invencível,Leia mais →

Se a semente seca, não é devido ao calor. Jesus não disse que a semente secou por causa do calor, mas sim pela «falta de raiz». Se a Palavra é asfixiada, não será por causa dos espinhos, mas de quem os deixou crescer em liberdade. Se quiseres, podes impedir que cresçam, podes fazer bom uso da riqueza. É por isso que o Salvador não fala «do mundo» mas dos «cuidados do mundo», não fala «da riqueza» mas da «sedução da riqueza». Por conseguinte, não acusemos as coisas em si mesmas, mas a corrupção da nossa consciência. […] Não é o agricultor, como vês, não éLeia mais →

(1 Pd 1,11) Aproximando-se da morte, o Salvador exclamava: «Pai, chegou a hora, glorifica o teu Filho» (Jo 17,1). Ora a sua glória é a Cruz. Como poderia ele evitar aquilo que noutro momento solicita? Que a sua glória é a Cruz, ensina-o o Evangelho quando diz: “O Espírito Santo ainda não tinha sido derramado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (Jo 7,39). Eis o sentido desta palavra: a Graça não tinha ainda sido concedida, porque Cristo ainda não tinha subido à Cruz para pôr fim às hostilidades entre Deus e os homens. Na verdade, foi a Cruz que reconciliou os homens com Deus,Leia mais →

«Não penseis que vim revogar a Lei ou os profetas. Não vim revogá-los, mas levá-los à perfeição» […] Naquele tempo, com efeito, o Senhor exerceu o poder para cumprir na sua pessoa todos os mistérios que a Lei anunciava acerca de Si. Porque, na Paixão, Ele concretizou todas as profecias. Quando, segundo a profecia do bem-aventurado David (Sl 68,22), lhe ofereceram uma esponja embebida em vinagre para acalmar a sede, Ele aceitou-a dizendo: «Tudo está consumado». Depois, inclinando a cabeça, entregou o espírito (Jo 19,30). Não só Ele realizou pessoalmente tudo o que disse, como também nos confiou os seus mandamentos, para que os puséssemosLeia mais →

Moisés escreveu na Lei: «Deus fez o homem à Sua imagem e à Sua semelhança» (Gn 1, 26)… Cabe-nos pois a nós refletir, para o Nosso Deus, para o nosso Pai, a imagem da Sua santidade… Não sejamos pintores de uma imagem diferente… e, para que não inscrevamos em nós a imagem do orgulho, deixemos que o próprio Cristo pinte em nós a Sua imagem. Ele pintou-a quando disse: «Dou-vos a paz. Deixo-vos a minha paz». Mas de que nos serve saber que essa paz é boa, se não cuidamos dela? Aquilo que é bom habitualmente é frágil; e os bens preciosos reclamam cuidados maioresLeia mais →

O Senhor instala-se numa alma fervorosa, faz dela o Seu trono de glória, senta-se nele e aí permanece… Essa casa que o seu dono habita é toda graça, ordem e beleza, como a alma com a qual e na qual o Senhor habita é só ordem e beleza. Ela possui o Senhor e todos os tesouros espirituais. Nela, Ele é o habitante, Ele é o chefe. Mas como é horrorosa a casa cujo dono está ausente, da qual o Senhor está longe. Ela degrada-se, entra em ruína, enche-se de porcaria e de desordem. Torna-se, de acordo com a palavra de um profeta, num covil deLeia mais →