Presta atenção ao mistério de Cristo! Ele nasceu do seio da Virgem, quer como Servo quer como Senhor; Servo para executar, Senhor para mandar, para enraizar no coração dos homens um Reino para Deus. Ele tem uma dupla origem, mas é um só ser. Não é um quando vem do Pai e outro quando vem da Virgem. Ele é o mesmo, nascido do Pai antes de todos os séculos, que encarnou pela Virgem no tempo. Eis a razão pela qual é chamado Servo e Senhor: Servo por nossa causa; mas, devido à unidade da substância divina, Deus de Deus, Príncipe dos Príncipes, Filho igual emLeia mais →

O paralítico da piscina de Betzatá esperava um homem [para o ajudar a descer à piscina]. Quem era esse homem, a não ser o Senhor Jesus, nascido da Virgem? Com a Sua vinda, Ele não prefigurou apenas a cura de algumas pessoas; Ele era a própria verdade que cura todos os homens. Por conseguinte, era Ele que se esperava que descesse, Ele de Quem Deus Pai disse a João Baptista: «Aquele sobre Quem vires o Espírito descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo» (Jo 1, 33). […] Então, por que desceu o Espírito como uma pomba, se não para que tu a vissesLeia mais →

Aproximaste-te, viste a pia baptismal e viste também o bispo perto da pia. E sem dúvida surgiu na tua alma o mesmo pensamento que se insinuou na de Naaman, o sírio. Pois, embora tenha sido purificado, inicialmente ele duvidara. […] Temo que alguém tenha dito: «É apenas isto?» Sim, realmente é apenas isto: ali encontra-se toda a inocência, toda a piedade, toda a graça, toda a santidade. Viste o que conseguiste ver com os olhos do corpo […]; aquilo que não se vê é muito maior […], porque aquilo que não se vê é eterno […]. Que haverá de mais surpreendente do que a travessiaLeia mais →

A vinha é o nosso símbolo, porque o povo de Deus eleva-se acima da terra enraizado na cepa da vinha eterna (Jo 15, 5). Fruto de um solo ingrato, a vinha pode desenvolver-se e florescer, ou revestir-se de verdura, ou assemelhar-se ao jugo amável da cruz, quando cresce e os seus braços estendidos são os sarmentos de uma videira fecunda. […] É, pois, com razão que chamamos vinha ao povo de Cristo, quer porque ele traça na testa o sinal da cruz (Ez 9, 4), quer porque os frutos da vinha são recolhidos na última estação do ano, quer porque, tal como acontece aos ramosLeia mais →

«Cristo chamou os Seus discípulos e escolheu doze», para os enviar por todo o mundo, como semeadores da fé, a propagar a salvação dos homens. Reparai bem neste plano divino: não foram sábios, nem homens ricos, nem nobres, mas pecadores e publicanos os que Ele escolheu enviar, não fossem dar a impressão de que tinham sido movidos pelas suas capacidades, escolhidos pelas suas riquezas, chamados devido ao seu prestígio, ao seu poder ou à sua notoriedade. Procedeu assim para que a vitória tivesse origem no fundamento da verdade, e não no prestígio do discurso. Também Judas foi escolhido, não por insensatez, mas com conhecimento deLeia mais →

O apóstolo Paulo disse: «Despi-vos do velho homem com os seus comportamentos e revesti-vos do novo» (Col 3,9-10). […] Foi esta a obra que Cristo realizou ao chamar Levi; remodelou-o e fez dele um homem novo. Foi também a título de nova criatura que o antigo publicano ofereceu um banquete a Cristo, porque agradou a Cristo e mereceu ter a sua quota parte de felicidade com Cristo. […] Agora seguia-O, feliz, alegre, transbordando de felicidade. «Já não faço figura de publicano, dizia ele; já não sou o velho Levi; despi-me de Levi ao revestir-me de Cristo. Fujo da minha primeira vida; quero apenas seguir-Te, SenhorLeia mais →

«O Senhor apareceu a Abraão junto dos carvalhos de Mambré, quando ele estava sentado à porta da sua tenda, durante as horas quentes do dia» (Gn 18,1), conta-nos a Escritura. Enquanto os outros descansavam, ele vigiava, esperando a eventual chegada de viajantes. Bem merecia que Deus viesse ter consigo junto aos carvalhos de Mambré, ele que tanto desejava exercer a hospitalidade […]. Sim, a hospitalidade é boa, ela traz uma recompensa singular: em primeiro lugar, atrai a gratidão dos homens; e recebe também – o que é mais importante – um salário da parte de Deus. Todos somos, nesta terra de exílio, hóspedes de passagem.Leia mais →

«Vi uma multidão imensa…, de todas as nações, raças, povos e línguas…, de pé, diante do trono e diante do Cordeiro» (Ap. 7,9) Fortalecidos com os ensinamentos [da Escritura], caminhemos sem tremer para o nosso redemptor, Jesus, para a assembleia dos patriarcas, partamos para o nosso pai, Abraão, assim que o dia chegar. Caminhemos para essa congregação dos santos, essa assembleia de justos. Iremos para os nossos pais, aqueles que nos ensinaram a fé; mesmo se as obras nos faltam, que a fé nos ajude, defendamos a nossa herança! Iremos aos lugares onde Abraão abre o seu seio aos pobres como Lázaro (Lc 16,19s); aíLeia mais →

«Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato.» Como vedes, os nossos corpos são aqui designados por nomes de objectos frágeis e feitos de barro, que se partem com uma simples queda. E os sentimentos íntimos da alma são designados por expressões e gestos do corpo, como aquilo que está no interior do copo pode ser visto do exterior. […] Como vedes, não é o exterior deste copo e deste prato que nos suja, é o seu interior. Como bom mestre que é, Jesus ensina-nos a limpar as manchas do corpo, dizendo: «Dai antes de esmola o que estará dentro e tudoLeia mais →

Um samaritano descia por aquele caminho. «Quem desceu do céu, senão aquele que subiu ao céu, o Filho do Homem, que está no céu?» (cf Jo 3,13). Vendo moribundo aquele homem que ninguém antes dele conseguira curar…, aproximou-se dele. Quer dizer, aceitando sofrer connosco, assumiu-se como nosso próximo e, apiedando-se de nós, fez-se nosso vizinho. «Ele tratou as suas feridas com óleo e vinho». Este médico tem muitos remédios com os quais costuma curar. As suas palavras são um remédio: tal palavra, liga as feridas; outra, verte o bálsamo; outra, o vinho adstringente… «Depois, transportou-o na sua própria montada». Ouve de que modo ele teLeia mais →