Cumprindo o misterioso desígnio da sua bondade, o Senhor assume a condição de servo e consente em abaixar-Se por nós até à morte de cruz (Fil 2,8). Por este abaixamento visível, realiza a nossa elevação até ao Céu, que é interior e invisível. Vê onde estávamos caídos; e compreende que foi pelo desígnio da sabedoria e da bondade de Deus que fomos devolvidos à vida. Com Adão, caímos pelo orgulho; é por isso que nos abaixamos em Cristo, a fim de apagarmos a antiga falta pela prática da virtude contrária. Ofendemos o Senhor pelo orgulho, agradamos-Lhe agora pela nossa humildade. Alegremo-nos, glorifiquemo-nos no Senhor, queLeia mais →

Há dois caminhos para o ensino e para a ação: o da luz e o das trevas. É grande a distância entre esses dois caminhos. Ao longo de um deles, estão os anjos de Deus, transportando a luz; no outro, estão os anjos de Satanás. […] Eis o caminho da luz. Quem quiser caminhar por ele até ao fim terá de se aplicar à sua tarefa. Este é o conhecimento que nos foi dado para avançarmos nesse caminho: amarás aquele que te criou, temerás o que te modelou, glorificarás o que te resgatou da morte, serás simples de coração e rico de espírito. Não teLeia mais →

O céu brilha quando é iluminado pelo coro das estrelas, e o universo brilha ainda mais quando se ergue a estrela da manhã. Esta noite, porém, não resplandece tanto com o brilho dos astros, mas de alegria perante a vitória do nosso Deus e Salvador: «Tende confiança! Eu venci o mundo», diz Ele (Jo 16,3). Depois desta vitória de Deus sobre o inimigo invisível, também nós obteremos certamente a vitória sobre os demônios. Permaneçamos, pois, junto da cruz da nossa salvação, a fim de colhermos os primeiros frutos dos dons de Jesus. Celebremos esta noite santa com chamas sagradas; façamos erguer a música divina, cantemosLeia mais →

Do alto do céu, Deus oferece a todos os homens as riquezas da sua graça. Ele próprio é a fonte da salvação e a luz de onde emana eternamente a misericórdia e a bondade. Mas nem todos os homens tiram proveito da sua força e da sua graça pelo exercício perfeito da virtude e a realização das suas maravilhas; só o fazem aqueles que puseram as suas realizações em prática e que provaram por atos o seu apego a Deus, aqueles que se afastaram completamente do mal, que aderem firmemente aos mandamentos de Deus e que fixam o seu olhar espiritual em Cristo, Sol deLeia mais →

Assim, irmãos caríssimos, nunca mais morreremos. Ainda que este nosso corpo se dissolva, viveremos em Cristo, como Ele próprio diz: «Aquele que acredita em Mim, ainda que morra, viverá» (Jo 11,25). Temos a certeza, fundada no testemunho do Senhor, de que Abraão, Isaac e Jacob e todos os santos de Deus estão vivos. É o próprio Senhor que diz a respeito deles: «para Ele todos estão vivos, porque [Deus ] não é um Deus de mortos, mas de vivos»; e, falando de si próprio, o próprio Apóstolo afirma: «para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. […] Tenho o desejo de partir e estarLeia mais →

O Sol da justiça (Mal 3,20), desaparecido há três dias, ergue-Se hoje e ilumina toda a criação: Cristo, que esteve no túmulo três dias, existia antes de todos os séculos! Ele rebenta a terra como uma vinha e enche de alegria toda a terra habitada. Fixemos os nossos olhos no nascer de um sol que nunca conhecerá o poente; façamos avançar o dia e enchamo-nos da alegria desta luz! As portas dos infernos foram quebradas por Cristo, os mortos erguem-se como que de um sono. Cristo levanta-Se, Ele que é a ressurreição dos mortos, e vem despertar Adão. Cristo, ressurreição de todos os mortos, levanta-SeLeia mais →

O caso do jovem rico e dos seus semelhantes faz-me pensar no de um viajante que, pretendendo visitar uma cidade, ao aproximar-se das suas muralhas, depara com uma estalagem, hospeda-se nela e, desencorajado pelos últimos passos que ainda lhe falta dar, perde o benefício das fadigas da viagem e acaba por não ir visitar as belezas da dita cidade. Assim são os que cumprem os mandamentos mas se revoltam com a ideia de perderem os seus bens. Conheço muitos que jejuam, rezam, fazem penitência e praticam todo o tipo de obras de caridade, mas não dão uma esmola aos pobres. De que lhes servem asLeia mais →

Herodes, o rei traidor, enganado pelos magos, envia os seus esbirros a Belém e arredores, com ordem de matarem todas as crianças com menos de dois anos. […] Nada porém conseguiste obter, bárbaro cruel e arrogante: podes fazer mártires, mas não conseguirás encontrar a Cristo. O infeliz tirano estava convencido de que o advento do Senhor, nosso Salvador, o faria cair de seu trono real. Mas não foi assim, pois Cristo não tinha vindo usurpar a glória de outro, mas ofertar-nos a sua. Ele não tinha vindo apoderar-Se de um reino terreno, mas dar-nos o Reino dos Céus. Ele não tinha vindo roubar dignidades, masLeia mais →

Havia uma árvore no meio do paraíso. A serpente serviu-se dela para enganar os nossos primeiros pais. Reparem nesta coisa espantosa: para iludir o homem, a serpente vai recorrer a um sentimento inerente à sua natureza. Com efeito, ao modelar o homem, o Senhor tinha colocado nele, para além de um conhecimento geral do universo, o desejo de Deus. Logo que o demónio descobriu esse desejo ardente, disse ao homem: «Sereis como deuses (Gn 3, 5). Agora sois apenas homens e não podeis estar sempre com Deus; mas, se vos tornardes como deuses, estareis sempre com ele». […] Dessa forma, foi o desejo de serLeia mais →

Passou por ali um samaritano. […] É propositadamente que Cristo dá a Si próprio o nome de Samaritano, Ele a quem tinham dito, para O insultarem: «Tu és um samaritano e estás possesso do demônio» (Jo 8,4). […] O viajante samaritano que era Cristo – porque Ele era de fato um viajante – viu a humanidade caída por terra. E não passou ao largo, porque a razão pela qual empreendera essa viagem era «visitar-nos» (Lc 1,68, 78), a nós, por causa de quem Ele desceu à terra e entre quem habitou. Porque Ele «fez a sua aparição na terra, onde permaneceu entre os homens» (BarLeia mais →