«Aquele que, como eu, é escarnecido pelo seu amigo invocará a Deus e Ele o ouvirá» (Job 12, 4 Vulg). […] Sucede a alma perseverar no bem, e contudo sofrer a troça dos homens. Agir de modo admirável e receber injúrias. Então, aquele que os elogios poderiam ter atraído exteriormente, repelido pelas afrontas, entra em si próprio. Fortalece-se em Deus tanto mais solidamente, quanto não encontra no exterior nada onde possa descansar. Põe toda a sua esperança no seu Criador e, no meio das troças ultrajantes, só implora o testemunho interior. A alma do homem afligido aproxima-se de Deus tanto mais quanto é abandonada peloLeia mais →

João Batista recomenda-nos que realizemos grandes coisas: «Produzi frutos dignos do arrependimento» e ainda: «Quem tem duas capas, que partilhe com aquele que não tem; quem tem de comer, que proceda do mesmo modo» (Lc 3, 8.11). Não será isto dar a compreender claramente o que afirma Aquele que é a Verdade: «Desde o tempo de João Batista até agora, o Reino dos Céus tem sido objeto de violência e os violentos apoderam se dele à força»? Estas palavras vêm-nos do alto; nós devemos meditá-las com grande atenção. É preciso procurar como pode o Reino dos Céus ser tomado pela força. Quem pode fazer violênciaLeia mais →

Como é que o corpo do Senhor, uma vez ressuscitado, continuou a ser um corpo verdadeiro, podendo, ao mesmo tempo, entrar no local onde os discípulos se encontravam, apesar de as portas estarem fechadas? Devemos estar cientes de que a acção divina não teria nada de admirável se a razão humana a pudesse compreender e que a fé não teria mérito se o intelecto lhe fornecesse provas experimentais. Sendo, por si mesmas, incompreensíveis, tais obras do nosso Redentor devem ser meditadas à luz das outras acções do Senhor, de tal forma que sejamos levados a acreditar nestes Seus feitos maravilhosos por força daqueles que aindaLeia mais →

Acabais de o ouvir, irmãos caríssimos: dois discípulos de Jesus caminhavam na estrada e, não acreditando que era Ele, d’Ele falavam, porém. O Senhor apareceu-lhes, sem contudo Se lhes mostrar sob uma forma por que O pudessem reconhecer. O Senhor realizou portanto no exterior, aos olhos do corpo, o que neles se cumpria no interior, aos olhos do coração. No seu próprio interior, os discípulos amavam e duvidavam em simultâneo; no exterior, o Senhor estava presente sem no entanto manifestar Quem era. Áqueles que d’ Ele falavam, oferecia a Sua presença; mas aos que duvidavam d’Ele, escondia o aspecto habitual, que lhes teria permitido reconhecê-Lo.Leia mais →

O Nosso Redemptor, prevendo que os discípulos ficassem perturbados com a sua Paixão, anuncia-lhes com muita antecedência os sofrimentos da sua Paixão e a glória da sua Ressurreição (Luc 18, 31-33). Assim, vendo-o morrer como lhes anunciara, não duvidariam da sua Ressurreição. Mas, presos ainda à nossa condição carnal, os discípulos não podiam compreender estas palavras anunciando o mistério (v. 34). É então que intervém um milagre: debaixo dos seus olhos, um cego recupera a visão, para que aqueles que eram incapazes de assimilar as palavras do mistério sobrenatural fossem sustentados na sua fé à vista de um acto sobrenatural. É que devemos ter umLeia mais →

Muitas páginas da Sagrada Escritura atestam que os anjos existem… Mas é preciso saber que a palavra «anjo» designa a sua função: ser mensageiro. E chamam-se «arcanjos» os que anunciam os acontecimentos mais importantes. É assim que o arcanjo Gabriel é enviado à Virgem Maria; para esta função, para anunciar o maior de todos os acontecimentos, impunha-se enviar um anjo da mais elevada categoria… Semelhantemente, quando se trata de estender um poder extraordinário, é Miguel que é o enviado. Com efeito, a sua acção como o seu nome, querem dizer: «Quem é como Deus?», fazem compreender aos homens que ninguém pode fazer o que pertenceLeia mais →

Imediatamente após o teu batismo, ficarás de pé diante do grande santuário para significar a glória do mundo que está para vir. O canto dos salmos que te acolherá é o prelúdio dos louvores celestes. As candeias que acenderás prefiguram esse cortejo de luzes que conduzirá ao noivo as nossas almas resplandecentes e virgens, munidas das candeias brilhantes da fé. Tenhamos o cuidado de não nos abandonarmos ao sono, por descuido, não vá Aquele que esperamos surgir de improviso sem que O tenhamos visto chegar. Não nos deixemos ficar sem provisões de azeite e de boas obras, não aconteça que sejamos excluídos da sala deLeia mais →

O nosso Senhor e Salvador, caros irmãos, ensina-nos tanto pelas Suas palavras como pelas Suas acções. Em si mesmas, as Suas acções são ordens porque, quando Ele faz qualquer coisa sem dizer nada, mostra-nos como devemos agir. Eis que Ele envia os Seus discípulos a pregar dois a dois, porque os mandamentos da caridade são dois: o amor de Deus e do próximo. O Senhor envia os Seus discípulos a pregar dois a dois para nos sugerir, sem o dizer, que aquele que não tem caridade para com outrem não deve de modo nenhum dedicar-se ao ministério da pregação. Diz-se, e muito bem, que «EleLeia mais →