São Paulo dizia: «A fraqueza de Deus é mais forte do que todos os homens» (1Cor 1,25). É evidente que a pregação é obra de Deus, pois como poderiam doze homens ignorantes, que viviam à beira de lagos e de rios e no deserto, ter tido a ideia de proceder a tal diligência? Como poderiam, eles que nunca tinham visitado as cidades e respetivas assembleias, pensar em mobilizar-se contra o mundo inteiro? Estavam cheios de medo, e o evangelista mostra-o bem, pois não quis desculpar nem esconder os seus defeitos. Isto é uma prova muito forte de veracidade. O que diz deles? Que, quando CristoLeia mais →

Seguidamente, o Senhor propõe a parábola do fermento. «Assim como o fermento comunica a sua força invisível a toda a massa do pão, do mesmo modo a força do evangelho transformará o mundo inteiro graças ao ministério dos meus apóstolos. […] Não me respondais: “Que poderemos nós fazer, sendo doze miseráveis pecadores, perante o mundo inteiro?” Será precisamente a enorme diferença entre a causa e o efeito, a vitória de um punhado de homens sobre a multidão, que demonstrará o vigor da vossa força. Não é por se misturar o fermento na massa “ocultando-o” nela, segundo o evangelho, que toda a massa se transforma? Assim,Leia mais →

Se queres ser grande, não cultives o orgulho como o fariseu da parábola (Lc 18,9s), e serás verdadeiramente grande. Convence-te de que não tens méritos, e tê-los-ás. O publicano reconheceu que era pecador e, desse modo, tornou-se justo; quanto mais o justo que se reconhece pecador verá aumentar a sua justiça e os seus méritos! A humildade faz do pecador um justo, porque ele reconhece a verdade da sua vida; e a humildade verdadeira age na alma dos justos de forma ainda mais poderosa. Não percas, pois, por vã glória, o fruto que conquistaste com o teu esforço, o salário das tuas dores, a recompensaLeia mais →

A Igreja não existe para estarmos divididos, mas para que as nossas divisões acabem; é esse o sentido da assembleia. Assim, pois, se viemos à eucaristia, não pratiquemos nenhuma ação que contradiga a eucaristia, não façamos sofrer o nosso irmão. Se vindes dar graças pelos bens recebidos, não vos separeis do vosso próximo. Cristo oferece o seu corpo a todos sem distinção quando diz «Tomai e comei dele todos», e vós fazeis seleção dos que admitis à vossa mesa? […] Estais a fazer memória de Cristo e desdenhais o pobre? […] Se tomais parte neste banquete divino, deveis ser compassivos. Bebestes o sangue de CristoLeia mais →

Porque foi que Jesus não chamou Mateus ao mesmo tempo que Pedro, João e os outros? Tal como veio à Terra apenas quando sentiu que os homens estavam dispostos a obedecer-Lhe, também só chamou Mateus quando soube que ele O seguiria; pela mesma razão, só agarrou Paulo após a ressurreição (At 9). Porque, sondando os corações, penetrando no mais íntimo da alma de cada um, Ele sabia bem em que momento cada um estava disposto a segui-l’O. Se Mateus não foi chamado logo no princípio, foi porque ainda tinha o coração demasiado duro; mas, depois de Jesus ter feito numerosos milagres, e a sua famaLeia mais →

Por intermédio de sua mãe, os filhos de Zebedeu fazem ao Mestre este pedido, na presença dos companheiros : «Ordena que nos sentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda». […] Cristo apressa-Se a tirar-lhes as ilusões, dizendo-lhes que devem estar prontos a sofrer injúrias, perseguições e mesmo a morte: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Que ninguém se espante por ver os apóstolos presa de tão imperfeitas inclinações. Espera que o mistério da cruz seja cumprido, que a força do Espírito Santo lhes seja comunicada. Se queres ver a sua forçaLeia mais →

«Na hora em que não pensais virá o Filho do homem». Jesus diz-lhes isto para que os discípulos fiquem vigilantes, para que estejam sempre preparados. Se lhes diz que virá quando menos O esperam, é porque quer levá-los a praticar a virtude com zelo e sem descanso. É como se lhes dissesse: «Se as pessoas soubessem quando vão morrer, estariam perfeitamente preparadas para esse dia». Mas o momento final da nossa vida é um segredo que escapa a cada homem. É por isso que o Senhor exige duas qualidades ao seu servo: que seja fiel, para que não atribua a si mesmo nada do queLeia mais →

Os judeus diziam: «Os nossos pais comeram no maná no deserto». E o Salvador podia ter-lhes respondido: «Eu fiz um milagre maior que o de Moisés: Eu não preciso de vara nem de orações (cf Ex 9,23; 17,9s); fiz tudo isto por Mim próprio, pela minha própria autoridade. Vós recordais o prodígio do maná, mas Eu dei-vos pão em abundância». Porém, ainda não chegara o momento de falar desse modo. Jesus só tinha uma coisa em mente: atraí-los a Si, para que eles Lhe pedissem um alimento espiritual […]: «Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dáLeia mais →

«Ide vós também para a minha vinha». Irmãos, talvez me pergunteis porque não foram todos esses operários convidados ao mesmo tempo para a vinha do Senhor. Ao que eu responderei que a intenção de Deus foi chamá-los a todos ao mesmo tempo; se não vieram à primeira hora foi porque recusaram. Por isso, o próprio Deus acaba por chamá-los em particular, à hora em que pensou que aceitariam e responderiam ao seu convite. É isto que o apóstolo Paulo significa quando diz: «Quando aprouve a Deus, que me escolheu desde o seio de minha mãe» (Gal 1,15). E quando Lhe aprouve, senão quando viu queLeia mais →

«Que digais todos o mesmo, e que entre vós não haja divisões» (1Cor 1,10). As diversas partes da Igreja deixam de estar completas quando uma delas sofre e morre. Se cada Igreja fosse, por si mesma, um corpo completo, haveria numerosas assembleias e reuniões; mas elas formam um só corpo e a divisão destrói a sua unidade. […] Depois de ter denunciado este mal utilizando essa amarga palavra – divisões –, o apóstolo Paulo suaviza a sua linguagem ao acrescentar: «Sede perfeitos no mesmo espírito e no mesmo parecer.» Não se trata apenas de um acordo de palavras, mas de uma união de pensamento eLeia mais →