Partamos para a guerra como Josué; tomemos de assalto a cidade mais importante deste mundo, a malícia, e destruamos as muralhas orgulhosas do pecado. Olhando ao teu redor, vês o caminho que é preciso seguir, que campo de batalha precisas de escolher? As minhas palavras vão surpreender-te; no entanto, são verdadeiras: limita a tua procura a ti mesmo. Em ti está o combate a que deves entregar-te; dentro de ti está o edifício da malícia que é preciso destruir; o teu inimigo vem do fundo do teu coração. Não sou eu que o digo, mas Cristo; escuta-O: «Do coração procedem as más intenções, os assassínios,Leia mais →

«O Senhor é o Espírito e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade» (2Co 3, 17). […] Como poderemos encontrar esta liberdade, nós que somos escravos do mundo, escravos do dinheiro, escravos dos desejos da carne? Claro que me esforço por me corrigir, julgo-me a mimpróprio, condeno as minhas faltas. Que os meus ouvintes examinem por seu lado o que pensam do seu próprio coração. Mas, digo-o de passagem, enquanto estiver preso a alguma destas coisas, não estou convertido ao Senhor, não atingi a verdadeira liberdade, porque ainda me deixo prender por tais preocupações. […] Está escrito, sabemo-lo: «É-se escravo daquele porLeia mais →

«Jesus diz aos judeus: ‘Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei […]’ Ele falava do templo que é o seu corpo» (Jo 2,21) […] Alguns pensam que é impossível aplicar ao corpo de Cristo tudo o que é dito acerca do Templo; pensam que se chamou templo ao seu corpo porque, tal como o primeiro Templo tinha sido habitado pela glória de Deus, também o Primogénito de todas as criaturas é a imagem e a glória de Deus (Cl 1,15), e que é justo, portanto, que o seu Corpo, a Igreja, seja chamado templo de Deus, porque contém a imagem da divindadeLeia mais →

Quando o nosso Senhor e Salvador se aproximou de Jerusalém, ao vê-la, chorou sobre ela: «Se neste dia tivesses conhecido, tu também, O que te pode trazer a paz! Mas isso ficou oculto aos teus olhos. Virão dias para ti em que os teus inimigos te hão-de cercar de trincheiras»… Talvez alguém diga: «O sentido destas palavras é claro; de facto, elas realizaram-se em relação a Jerusalém; a armada romana sitiou-a e devastou-a até ao extermínio, e tempos virão em que não ficará pedra sobre pedra». Não o nego, Jerusalém foi destruída por causa da sua cegueira, mas coloco a questão: não se referem essasLeia mais →

De entre todas as maravilhas e grandes coisas que se possam dizer de Cristo, há uma que ultrapassa, absolutamente, a admiração de que o espírito humano é capaz e a fragilidade da nossa inteligência mortal, não sabe como compreendê-la nem imaginá-la. É que a omnipotência da majestade divina, a própria Palavra do Pai, a própria Sabedoria de Deus, na qual foram criadas todas as coisas “visíveis e invisíveis” (Col 1,16), deixou-se reduzir aos limites do Homem que se manifestou na Judéia. Isto é, objeto da nossa fé. E ainda há mais: nós acreditamos que a Sabedoria de Deus entrou no seio de uma mulher eLeia mais →

No decorrer da refeição, Jesus levantou-se da mesa e despojou-se das suas vestes tomando uma aparência de escravo, como o mostram estas  palavras: “Ele tomou uma toalha e cingiu-a à cintura”, para não estar completamente nu e para enxugar os pés dos seus discípulos com a sua  própria toalha (Jo 13, 2-5). Vede a que ponto se abaixou a grandeza e a glória do Verbo feito carne; para lavar os pés dos seus discípulos: “Ele  deita água numa bacia”.  “Abraão elevou os olhos e viu uns homens de pé em frente dele. Da porta da sua tenda, correu ao seu encontro e prostrou-se por terraLeia mais →

O sol e a lua iluminam os nossos corpos; também Cristo e a Igreja iluminam os nossos espíritos. Isto é, iluminam-nos se nós não formos cegos  espirituais. Porque, do mesmo modo que o sol e a lua não deixam de derramar a sua claridade sobre os cegos que, contudo, não podem  acolher a luz, também Cristo envia a sua luz aos nossos espíritos. Mas esta iluminação só tem lugar se a nossa cegueira não lhe puser  obstáculos. Por isso, que os cegos comecem por seguir a Cristo gritando: “Tem piedade de nós, Filho de David!” (Mt 9,27) e, quando tiverem recuperado a vista graças aLeia mais →

«Diz-me, ó amado do meu coração, diz a Esposa do Cântico dos Cânticos, onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar ao meio-dia» (1, 7). Penso que, no salmo vinte e dois, o profeta, colocado sob a guarda do mesmo pastor, fala igualmente do local de que falava a Esposa, quando diz: «O Senhor é meu pastor; nada me faltará» (v.1). Ele sabia que os outros pastores, sob o efeito da preguiça ou da inexperiência, apascentavam os seus rebanhos em locais mais áridos. É por isso que diz do Senhor, o pastor perfeito: «Em prados verdejantes Ele me faz repousar. Conduz-me às águas refrescantes»Leia mais →

O sábado foi instituído como um dia sagrado; todos os santos e todos os justos deviam celebrar o sábado. […] Vejamos então em que consiste para o cristão a observância do sábado: no dia de sábado, não se deve realizar nenhuma obra deste mundo; é necessário abster-se de todas as obras terrenas, não fazer nada que se relacione com este mundo, dedicar-se às obras espirituais, ir à igreja, estar atento à leitura da Escritura e às explicações que dela são dadas, pensar em coisas do céu, ocupar-se da esperança na vida futura, ter presente o julgamento que há-de vir, meditar, não nas realidades visíveis eLeia mais →

Desejo recordar aos discípulos de Cristo a bondade de Deus; que nenhum de vós se deixe abalar pelos hereges que, em controvérsia, afirmam que o Deus da Lei não é bom, mas justo, e que a Lei de Moisés não ensina a bondade, mas a justiça. Eles que observem, esses detractores de Deus e da Lei, como o próprio Moisés e Aarão cumpriram antecipadamente aquilo que o Evangelho depois ensinou. Vede como Moisés ama os seus inimigos e ora por aqueles que o perseguem (Mt 5, 44) […]; vede como, «prostrando-se com o rosto em terra», oram ambos por aqueles que se tinham rebelado eLeia mais →