Aquele que abençoa com a boca mas despreza no coração esconde a hipocrisia sob a capa do amor (cf Sl 61,5,LXX). Quem adquiriu o amor suporta sem se perturbar as coisas aflitivas e penosas que os inimigos suscitam. Só o amor une a criação a Deus e os seres entre si, na concórdia. Possui amor verdadeiro aquele que não suporta suspeitas nem palavras contra o próximo. Quem nada empreende que possa destruir o amor é honrado por Deus e pelos homens. Própria do amor sincero é a palavra verdadeira que tem origem numa boa consciência. Quem relata a um irmão as censuras provenientes de outroLeia mais →

«Quem Me ama, guardará os meus mandamentos», diz o Senhor. «Ora, o meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros» (cf Jo 14,15.23; 15,12). […] Deste modo, quem não ama o seu próximo não guarda este mandamento. E quem não guarda este mandamento não ama o Senhor. […] Se o amor é o cumprimento da lei (cf Rom 13,10), aquele que quer mal ao seu irmão, que faz intrigas contra ele, que lhe deseja mal e se alegra com as suas quedas está a transgredir a lei e merece o castigo eterno. Se aquele que calunia e julga o seu irmão calunia eLeia mais →

Estai atentos às minhas palavras e prestai atenção aos meus humildes discursos; a todos vós brado, a todos vós exorto: «Elevai-vos a Deus, desfazei-vos do apego às vossas paixões!». Eis o que vos diz o profeta: «Vinde, subamos à montanha do Senhor e à casa do Deus de Jacó» (Is 2,3), a casa da impassibilidade, e contemplemos com os olhos do intelecto a alegria que nos está reservada pelas promessas celestes. Meus filhos bem-amados, congregai o vosso ardor, tomai asas de fogo como as pombas, conforme está escrito, levantai voo (cf Sl 54,7) e passai para as fileiras da direita (cf Mt 25,33), que sãoLeia mais →

Com o pensamento, vejamos Nosso Senhor Jesus Cristo sentado num trono de glória; a seu lado, encontram-se os serafins, os querubins e todas as ordens angélicas, que O servem com temor e tremor. Então, aqueles que tiverem concluído o combate sem se deixarem atrair pelas vantagens do século ou seduzir pelos encantos deste mundo ouvirão a voz bendita do Mestre: «Os justos brilharão como o sol» quando chegarem do nascer ao pôr do sol, do norte e do mar, e tomarem lugar no banquete, com Abraão, Isaac e Jacob (cf Mt 8,11), em alegria inefável (cf 1Pd 1,8), e o nosso Rei e Senhor distribuirLeia mais →

Encomendo a minha alma ao Criador, que é fiel (cf 1Pd 4,19), de quem «sou embaixador» (Ef 6,20), apesar da minha baixeza; porque Ele não faz acepção de pessoas e me escolheu para este serviço, para ser seu servo, eu que sou um dos seus «irmãos mais pequeninos» (Mt 25,40). «Como retribuirei ao Senhor todos os seus benefícios para comigo?» (Sl 115,12). Que posso eu dizer ou prometer ao meu Senhor, visto não ter mais capacidades para além das que Ele próprio me deu? Que, por vontade de Deus, nunca me aconteça perder o povo que Ele formou para Si nos confins da Terra (cfLeia mais →

Está dito: «Em quem repousarei, senão naquele que é manso e humilde, e teme as minhas palavras?» (Is 66,2,LXX). Está claro, pois, que o Reino de Deus Pai pertence aos humildes e aos mansos. Com efeito, também está dito: «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a Terra» (Mt 5,4). […] A Terra é o estado e o poder, firme e imutável, suscitado pela beleza e a retidão dos mansos, porque eles estão sempre com o Senhor, comunicam uma alegria incessante, conquistaram o Reino preparado desde o começo e são dignos do lugar e da ordem do Céu, qual terra cuja localização no centro do Universo éLeia mais →

Meus bem-amados, eis o caminho pelo qual encontramos a salvação: Jesus Cristo, o Sumo Sacerdote que apresenta as oferendas, o protetor e auxílio da nossa fraqueza (Hb 10,20; 7,27; 4,15). Por Ele fixamos o olhar no alto dos Céus; por Ele contemplamos, como que num espelho, a face pura e sublime do Pai; por Ele se abriram os olhos do nosso coração; por Ele, a nossa inteligência limitada e obscura desabrocha para a luz; por Ele, quis o Mestre dar-nos a saborear a sabedoria imortal, Ele que é «resplendor da glória do Pai […], tão superior aos anjos quanto superior ao deles é o nomeLeia mais →

O fato de o nascimento de João ser comemorado quando os dias começam a diminuir e o do Senhor quando os dias começam a aumentar tem um significado simbólico. Com efeito, o próprio João revelou o segredo desta diferença. As multidões tomavam-no pelo Messias em razão das suas virtudes eminentes, e alguns consideravam que o Senhor não era o Messias, mas um profeta, devido à fragilidade da sua condição corporal. E João declarou: «Convém que Ele cresça e que eu diminua» (Jo 3:30). E o Senhor cresceu verdadeiramente, porque, quando foi olhado como profeta, deu a conhecer aos crentes do mundo inteiro que era oLeia mais →

A quem te tirar a túnica, diz Cristo, dá-lhe também o manto; a quem ficar com o que te pertence, não lho reclames; e aquilo que quiserdes que os outros vos façam, fazei-o vós a eles (Mt 5,40; Lc 6,30-31). Deste modo, não nos entristeceremos, como pessoas a quem arrebatam os bens contra a sua vontade, mas, pelo contrário, alegrar-nos-emos, como pessoas que dão de bom grado, uma vez que faremos ao próximo um dom gratuito em vez de cedermos a uma pressão. E diz ainda: se alguém te obrigar a caminhar uma milha, caminha duas com ele; desse modo, não o seguimos como umLeia mais →

Foi o próprio Deus quem suscitou e engendrou a agapê e o erôs. Foi Ele próprio quem conduziu para o exterior, ou seja, para as suas criaturas, este amor que está nele. É por isso que está dito: «Deus é amor (agapê)» (1Jo 4,16), e também: «Ele é suavidade e desejo» (Cant 5,16,LXX), ou seja, erôs. Ele próprio é o Amado e Aquele que é verdadeiramente amável. Por isso, está dito que o erôs amoroso se expande dele e que Ele próprio, que engendrou o erôs, é verdadeiramente amável e amado, desejável e digno de ser escolhido: Ele põe em movimento os seres que velamLeia mais →