«A Deus nunca ninguém O viu. O Filho Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, foi Ele quem O deu a conhecer» (Jo 1,18). O divino é inexprimível e incompreensível. «Ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar» (Mt 11,27), e também o Espírito Santo conhece aquilo que é de Deus. […] Mas, após este primeiro e bem-aventurado conhecimento divino, nunca mais ninguém conheceu a Deus, a não ser aquele a quem o próprio Deus Se revelou. […] Contudo, Deus não nos deixou na total ignorância,Leia mais →

A candeia que está no lampadário é Nosso Senhor Jesus Cristo, a verdadeira luz do Pai «que ilumina todo o homem que vem a este mundo» (Jo 1,9). Dito de outra forma, Cristo é a Sabedoria e a Palavra do Pai, que, tendo aceitado a nossa carne, Se tornou realmente e foi chamado a «luz» do mundo. Ele é celebrado e exaltado na Igreja pela nossa fé e pela nossa piedade, tornando-Se desse modo visível para todas as nações e brilhando para «todos os da casa», isto é, para o mundo inteiro, de acordo com as suas palavras: «Não se acende uma candeia para aLeia mais →

«Jesus ia a passar, quando viu um homem chamado Mateus, sentado no posto de cobrança dos impostos, e disse-lhe: “Segue-Me”». Não o viu tanto com os olhos do corpo, quanto com o seu olhar interior, cheio de misericórdia. Jesus viu um publicano, compadeceu-Se dele, escolheu-o e disse-lhe: «Segue-Me», isto é, imita-Me. Convidou-o a segui-l’O, mais que com os passos, no modo de viver. Porque «quem diz que permanece em Cristo deve também proceder como Ele procedeu» (1Jo 2,6). Mateus levantou-se e seguiu-O. Não devemos admirar-nos de que o publicano, ao primeiro chamamento do Senhor, abandonasse os negócios terrenos em que estava ocupado e, renunciando aosLeia mais →

No mundo visível, se um povo muito pequeno se revolta contra o rei, este não se incomoda a dirigir pessoalmente as operações, antes envia os seus soldados, com os respetivos chefes, e são eles que travam o combate. Pelo contrário, se o povo que se ergue contra ele é muito poderoso e é capaz de lhe devastar o reino, então o rei vê-se obrigado a empreender pessoalmente a campanha, com a sua corte e o seu exército, e a travar ele o combate. Considera que dignidade é a tua! Pois foi o próprio Deus quem empreendeu a campanha, com os seus próprios exércitos – osLeia mais →

O Senhor disse: «Se dois de vós se unirem na Terra para pedirem qualquer coisa, ser-lhes-á concedida por meu Pai que está nos Céus. Na verdade, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles». Mostra assim que não é o grande número dos que rezam, mas a sua unanimidade, que obtém graças. «Se dois de vós se unirem na Terra»: Cristo põe em primeiro lugar a unidade das almas, põe antes de tudo a concórdia e a paz. Que haja plena concórdia entre nós, foi o que Ele constante e firmemente pregou. Ora, como pode ter concórdia com outroLeia mais →

Rezar é colocar-se na presença de Deus; mas há uma grande variedade e diversidade de orações. Há quem se dirija a Deus como a um amigo e senhor, oferecendo-Lhe louvores e súplicas, não por si mesmo, mas por outros. Há quem peça um aumento de riquezas espirituais, de glória e de confiança filial. Há quem suplique a total libertação dos seus adversários. Outros pedem que lhes seja concedido um favor e outros ainda a libertação de todas as preocupações com as suas próprias faltas, ou a libertação da prisão; outros ainda, a remissão dos seus crimes. No pergaminho da nossa oração, escrevamos antes de maisLeia mais →

Escuta o profeta anunciar Nosso Senhor: ele compara-O ao cordeiro e à ovelha, que são os animais mais inocentes: «Como cordeiro levado ao matadouro, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). […] Nosso Senhor não foi comparado a um leão ao ser conduzido à morte […]. Como cordeiro, como ovelha, guardou silêncio quando foi conduzido à sua Paixão e morte: «Como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador, não abriu a boca» na sua humilhação. Confirmando a palavra da profecia com a sua conduta, guardou silêncio quando O levaram, calou-Se quando O julgaram, não Se queixou quando O flagelaram, não discutiu quando O condenaram,Leia mais →

Só Deus é bom por natureza. Mas o homem também se torna bom pela atenção que presta ao seu comportamento no caminho do verdadeiro bem, transformando-se naquilo que não é, quando a alma, atraída pelo bem, se une a Deus na medida em que lho permitem as suas faculdades. […] Pois assim como o mar agitado se acalma naturalmente quando lhe deitamos óleo, e as ondas se deixam vencer pela unção do óleo, assim também a nossa alma se pacifica quando recebe a unção da suavidade do Espírito Santo. Pois a alma deixa-se vencer com alegria, como diz o santo: «Submete-te a Deus, alma minha»Leia mais →

O Senhor diz-te, como a Mateus: «Segue-Me». Quando procurares o teu Mestre bem-amado de todo o coração, se, no caminho da vida, o teu pé tropeçar na pedra das paixões (cf Sl 91,12, LXX), ou se, como acontece mais vezes, escorregares na lama sem querer e caíres, sempre que tombares e ferires o corpo, volta a levantar-te de todo o coração e busca o Senhor, até O encontrares. Assim, «no teu santuário, eu Te contemplo para ver o poder e a glória» que me salvam, e «em teu louvor, Senhor, elevarei as minhas mãos. Serei saciado com deliciosos manjares, e os meus lábios cantarão» osLeia mais →