Não chega levantares-te da tua queda, diz [o Esposo], avança e progride no Bem até ao fim do teu caminho na virtude. É isto que nos ensina a história do paralítico: o Verbo não Se contenta em o fazer levantar da sua enxerga, mas ordena-lhe que ande (cf Mt 9,5). O movimento da marcha significa, penso eu, a progressão e o crescimento no Bem. «Levanta-te! Anda, vem daí…»: quanto poder existe nesta ordem! A voz de Deus é verdadeiramente uma voz poderosa, como diz o salmista: «Faz ouvir a sua voz, que é poderosa» (Sl 67,34) e: «Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenouLeia mais →

Considerando que o espírito se liberta da carne, que a carne se transforma em podridão, que a podridão se reduz a pó e que o pó se reduz aos seus elementos, a ponto de se tornar invisível aos olhos do homem, alguns espíritos desesperam de vir a ressuscitar. Tendo diante dos olhos ossos secos, não têm fé de que esses ossos venham a revestir-se da sua carne e possam readquirir a verde frescura da vida. Mas, se não têm fé na ressurreição por obediência, deveriam tê-la ao menos pela razão. Com efeito, não é verdade que o mundo imita todos os dias, nos seus própriosLeia mais →

A fundação da Igreja é uma criação do mundo; nela, na expressão do profeta (cf Is 65,17), foi criado um novo Céu — que é «a solidez da fé em Cristo», como diz São Paulo (Cl 2,5) –, foi fundada uma nova Terra, «que bebe a chuva que cai sobre ela» (Hb 6,7), foi modelado outro homem, renovado pelo nascimento do alto, à imagem do seu Criador; torna-se outra a natureza dos astros, dos quais se diz: «Vós sois a luz do mundo» e «Brilhais como luzes para o mundo» (Fil 2,15) e como astros numerosos que se erguem no firmamento da fé. Não éLeia mais →

«Jesus disse-lhe: “Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai”». Estas palavras contêm uma verdade que devemos examinar com muita atenção. Jesus ensina a fé a esta mulher, que O tinha reconhecido como mestre e Lhe dera esse título. O divino jardineiro semeou uma semente de mostarda no coração de Maria Madalena, como num jardim. […] Que significa pois: «Não Me detenhas, porque ainda não subi para o Pai»? […] Com estas palavras, Jesus quis que a fé que temos nele, fé pela qual Lhe tocamos espiritualmente, chegue a ponto de acreditarmos que Ele e o Pai são um (cf Jo 10,30). PorqueLeia mais →

Job não diz «Criador», mas «Redentor», designando claramente Aquele que, depois de ter criado todas as coisas, querendo redimir-nos do nosso cativeiro, apareceu entre nós na encarnação e, pela sua Paixão, nos libertou da morte eterna. É de notar a fé com que Job se entrega ao poder divino daquele sobre quem Paulo afirmou: «Ele foi crucificado em fraqueza, mas vive pelo poder de Deus» (2Cor 13,4). Disse Job: «Sim, eu sei que o meu Redentor vive»; que o mesmo é dizer sem ambiguidades: Ele foi flagelado, escarnecido, espancado, coroado de espinhos, cuspido, crucificado, morreu – isto sabe o incrédulo; por mim, creio com féLeia mais →

Uma cananeia aproximou-se de Jesus e pôs-se a suplicar-Lhe em grandes brados pela filha, que estava possuída pelo demónio. […] O que era esta mulher — uma estrangeira, uma bárbara sem qualquer relação com a comunidade judaica — senão uma cadela indigna de obter que pedia? «Não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». No entanto, a sua perseverança fez com que merecesse ser atendida. À que era apenas uma cadela, Jesus elevou-a à nobreza dos filhos pequenos; mais ainda, cobriu-a de elogios, dizendo-lhe à despedida: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas» (Mt 15,28). Quando ouvimosLeia mais →

Uma advertência por zelo de amor «E quisera Deus que a vossa alma estivesse no lugar da minha! Também eu vos consolaria com as minhas palavras e levantaria a cabeça sobre vós. A minha boca fortalecer-vos-ia e eu moveria os lábios para vos poupar» (Job 16,5-6). Por vezes, perante espíritos injustos que não se deixam reorientar pela pregação dos homens, é necessário desejar-lhes, com toda a bondade, as pragas de Deus. Porque, quando chegamos a isso pelo zelo de um grande amor, não é certamente um castigo que pedimos para os transviados, mas uma advertência; o que assim exprimimos não é uma maldição, mas umaLeia mais →

O Verbo de Deus não abandonou os homens, suas criaturas, que corriam para a sua ruína, mas apagou a morte que os unia com a oferta do seu corpo, corrigiu as suas negligências com a sua doutrina, e restaurou o gênero humano com o seu poder. […] Quando a figura de alguém foi pintada em madeira e depois apagada pelos elementos, é necessária a presença do retratado para que a sua imagem seja restaurada no mesmo material; e, se esse material não é rejeitado, é por causa da imagem que foi pintada nele e que queremos restaurar. Da mesma forma, o Filho Santíssimo do Pai,Leia mais →

«Até os loucos me desprezam» (Job 19,18 Vulg). Os sábios não tinham fé na verdade, mas podemos dizer que o mesmo acontecia aos loucos, uma vez que, constatando que fariseus e doutores da Lei desprezavam o Senhor, a multidão os seguia nessa incredulidade: vendo nele o homem, desprezava as lições do Redentor do mundo. Com efeito, o termo «loucos» designa por vezes os pobres do povo. […] Ora, o nosso Redentor ignorou os sábios e os ricos deste mundo, pois vinha ao encontro dos pobres e dos loucos. Apesar disso, observa nesta altura, como que para fazer crescer a sua dor: «Até os loucos meLeia mais →

Diz o profeta num salmo: «Minha alma definha na tua salvação; espero na tua palavra» (118,81). […] Este anseio exprime a «raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus» (1Pe 2,9), cada um na sua época, em todos aqueles que viveram, que vivem e que viverão, desde o início da humanidade até ao fim do mundo. […] Por isso, o próprio Senhor disse aos seus discípulos: «Muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes»; são eles que falam neste salmo. […] Esse desejo nunca cessou nos santos e não cessa, mesmo agora, no «corpo de Cristo, que é a Igreja» (ColLeia mais →