Os milagres realizados por Nosso Senhor Jesus Cristo são obras verdadeiramente divinas, que dispõem a inteligência humana para conhecer a Deus a partir do que é visível, pois os nossos olhos são incapazes de O ver, em consequência da sua natureza. Com efeito, os milagres que Deus opera para governar o Universo e organizar toda a sua criação, à força de se repetirem, perderam o seu valor e quase ninguém se dá ao trabalho de reparar que obra maravilhosa e surpreendente Ele opera numa qualquer sementinha. É por isso que, na sua benevolência, Ele Se reserva a possibilidade de realizar, no momento escolhido, algumas açõesLeia mais →

Querer pôr a esperança e a confiança em bens passageiros é querer fazer fundações em água corrente. Tudo passa; só Deus permanece. Agarrarmo-nos ao que é transitório é desligarmo-nos do que é permanente. Quem é o homem que, arrastado no turbilhão de um rápido, consegue manter-se firme no seu lugar no meio dessa torrente fragorosa? Se não quisermos ser levados pela corrente, temos de nos afastar de tudo o que passa; senão, o objeto do nosso amor constranger-nos-á a chegar ao que precisamente queremos evitar. Aquele que se agarra aos bens transitórios será inevitavelmente arrastado para onde vão ter essas realidades a que se apega.Leia mais →

Os bem-aventurados apóstolos […] foram os primeiros a ver Cristo suspenso na cruz; choraram a sua morte e ficaram atemorizados pelo prodígio da sua ressurreição, mas, logo a seguir, transportados de amor por esta manifestação do seu poder, não hesitaram em derramar o seu sangue para atestar a verdade do que tinham visto. Pensai, irmãos, no que foi pedido a esses homens: ir por todo o mundo pregar que um morto tinha ressuscitado e subido ao céu; e sofrer, devido à pregação dessa verdade, tudo o que aprouvesse a um mundo insensato: privações, exílio, cadeias, tormentos, carrascos, feras ferozes, a cruz e morte. Teriam sofridoLeia mais →

«Como são lindos os teus olhos de pomba», diz o Esposo [do Cântico dos Cânticos] (Ct 1,15). O louvor que fazemos aos olhos [da Esposa] é dizer que são como de pomba. Eis o que, a meu ver, isso significa. Quando as pupilas são claras, quem as fixa pode ver nelas a própria face. Com efeito, os especialistas do estudo dos fenómenos da natureza dizem que o olho é impressionado pelas imagens emanadas pelos objetos visíveis e que é assim que se produz a visão. É por isso que louvamos a beleza dos olhos, dizendo que a imagem da pomba aparece na sua pupila: porqueLeia mais →

«Mas agora estou esmagado pela minha dor e todos os meus membros estão destruídos» (Jb 16,8). A Santa Igreja é esmagada pela sua dor quando vê aumentar a malignidade dos homens perversos. E, como a ascensão dos homens perversos também excita os fracos do seu meio a seguirem as paixões da depravação, Job tem razão em dizer: «e todos os meus membros foram destruídos». Pois os ossos referem-se aos fortes, e os membros aos fracos. Os membros da Igreja são, pois, destruídos quando, imitando os perversos que crescem neste mundo, a fraqueza dos fracos se agrava cada dia: à vista da felicidade dos ímpios, muitasLeia mais →

A oração é filha da mansidão e da ausência de cólera.A oração é fruto da alegria e da ação de graças.A oração exclui a tristeza e o desânimo. […] Se queres rezar bem, a ninguém aborreças; de outra maneira, correrás em vão. Pois está dito: deixa a tua oferenda diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão (cf Mt 5,23-24); quando voltares, rezarás sem dificuldades. Porque o ressentimento cega a razão daquele que reza, e obscurece-lhe a oração.Quem acumula mágoas e rancores dentro de si é como quem tira água de um poço para a despejar num barril com buracos. […] SeLeia mais →

«Chamar-me-ás e eu te responderei». […] E Job acrescenta: «Estenderás a tua mão direita para a obra das tuas mãos» (Jb 14,15). […] Com efeito, pelo próprio fato de ser criatura, a criatura humana tem a possibilidade de se afundar em si mesma; mas o homem recebeu daquele que o formou o favor de ser elevado acima de si mesmo pela contemplação, e de ser mantido em si mesmo pela sua incorrupção. Assim, pois, para não se afundar abaixo de si mesma e para subsistir na incorrupção, a criatura é elevada a um estado de imutabilidade pela mão direita daquele que dá a vida. ALeia mais →

Se, depois o batismo, fores atacado pelo perseguidor, o tentador da luz, tens material para a vitória. Ele irá certamente atacar-te, já que também atacou o Verbo, o meu Deus, enganado pela aparência humana que lhe escondia a luz incriada. Não tenhas medo do combate. Opõe-lhe a água do batismo, opõe-lhe o Espírito Santo, no qual se extinguem os dardos inflamados lançados pelo maligno. […]Se ele te mostrar as necessidades que te oprimem – e não deixou de o fazer com Jesus –, se te lembrar que tens fome, não dês a entender que ignoras as suas propostas. Mas ensina-lhe o que ele não sabe;Leia mais →

O que é o jejum, senão a essência e a imagem do Céu? O jejum é o conforto da alma e o alimento do espírito. O jejum é a vida dos anjos; o jejum é a morte do pecado, a destruição dos erros, o remédio da salvação, a raiz da graça, o fundamento da castidade. Por esta escada, chegamos mais depressa a Deus. Elias subiu por esta escada antes de subir no carro; e, ao partir para o Céu, deixou ao seu discípulo essa herança de sobriedade e abstinência (cf 2Rs 2,11-15). Foi com a força e o espírito de Elias que João veio (cfLeia mais →

Meus irmãos, todos os tempos são bons para traduzirmos em atos o bem que é a caridade; mas os dias que vivemos exortam-nos particularmente a fazê-lo. Quem quiser acolher a Páscoa do Senhor com santidade de espírito e de corpo, deve esforçar-se sobretudo por adquirir esta graça, que é a soma de todas as virtudes e «cobre a multidão dos pecados» (1Ped 4,8). Assim, pois, estando prestes a celebrar o maior de todos os mistérios, aquele em que o sangue de Jesus Cristo apagou as nossas iniquidades, preparemos antes de mais o sacrifício de misericórdia, devolvendo a quem nos tiver ofendido aquilo que a bondadeLeia mais →