Como são numerosas e intensas as riquezas da oração do Senhor! São coligidas em poucas palavras, mas de uma densidade espiritual inesgotável, a ponto de nada faltar neste resumo perfeito do que deve constituir a nossa oração. Está escrito: «Orai assim: Pai Nosso, que estais nos céus». O homem novo, que nasceu de novo e foi conduzido a Deus pela graça, diz primeiro: «Pai», porque se tornou Seu filho. O Verbo, a Palavra de Deus, «veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. Mas a quantos O receberam, aos que n’Ele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus»Leia mais →

O Senhor instala-Se numa alma fervorosa, faz dela o Seu trono de glória, toma assento nela e nela permanece. […] Esta casa onde habita o seu mestre é toda graça, ordem e beleza, assim como a alma com quem o Senhor permanece é toda ordem e beleza. Ela possui o Senhor e todos os Seus tesouros espirituais. Ele habita nela, e nela domina. Que terrível, porém, é a casa de onde o Senhor está ausente, longe da qual o Senhor Se encontra! Esta casa deteriora-se, arruína-se, enche-se de manchas e de desordem, tornando-se, na palavra do profeta, lugar de reunião de serpentes e de sátiros,Leia mais →

Todos nós, cristãos, somos o corpo de Cristo e Seus membros, afirma o apóstolo Paulo (1Co 12,27). Na ressurreição de Cristo, todos os Seus membros ressuscitaram com Ele; passando dos infernos para a Terra, Ele fez-nos passar da morte para a vida. O termo «páscoa» em hebraico significa passagem ou partida. Ora, este mistério é o da passagem do mal ao bem. E que passagem! Do pecado para a justiça, do vício para a virtude, da velhice para a infância. Refiro-me à infância que está ligada à simplicidade e não à idade. Pois também as virtudes têm a sua idade própria. Ontem a decrepitude doLeia mais →

Por ter seguido a Palavra de Deus, o Seu chamamento, espontânea e livremente, na generosidade da sua fé, Abraão tornou-se «o amigo de Deus» (Tg 2,23). Não foi por indigência Sua que o Verbo de Deus quis esta amizade de Abraão, Ele que é perfeito desde o princípio; «antes de Abraão existir, Eu sou!» (Jo 8,58). Mas para poder dar a vida eterna a Abraão, porque Ele é bom. […] Também no princípio, não foi por ter precisado do homem que Deus modelou Adão, mas para ter alguém em quem depositar os Seus benefícios. Também não é por ter necessidade dos nossos serviços que nosLeia mais →

O Senhor disse-nos: «Quanto àquele dia e àquela hora, ninguém o sabe, nem os anjos do Céu, nem o Filho», para impedir qualquer pergunta sobre o momento da Sua segunda vinda: «Não vos compete saber os tempos nem os momentos» (Mt 24,36; Act 1,7). No-lo escondeu para que estivéssemos vigilantes e para que cada um de nós pudesse pensar que esta vinda ocorrerá durante o seu tempo de vida. […] Vigiai, porque quando o corpo adormece é a natureza que nos domina, e nessa altura a nossa ação não é dirigida pela nossa vontade mas pela força da natureza. E quando reina sobre a almaLeia mais →

Acolhamos o nosso Deus e Senhor, o verdadeiro médico, o único capaz de curar a nossa alma ao vir a nós, Ele que tanto penou por nós. Ele bate sem cessar à porta do nosso coração, para que Lha abramos e O deixemos entrar para Ele repousar na nossa alma, para que Lhe lavemos os pés e O cubramos com perfume, para que faça em nós a Sua morada. Com efeito, Jesus acusa aquele que não Lhe lavou os pés, dizendo: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a Minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa» (Ap 3,20). Efetivamente,Leia mais →

O Senhor, sendo Deus, fez-Se homem e, tendo sofrido em vez do enfermo, tendo sido encarcerado em vez do prisioneiro, tendo sido condenado em vez do criminoso e sepultado em vez do que jazia no sepulcro, ressuscitou dos mortos e exclamou com voz poderosa: «”Quem ousará condenar-Me? Aproxime-se de Mim!” (Is 50,8) Eu libertei o condenado, dei a vida ao morto, ressuscitei o que estava sepultado. “Quem ousará atacar-Me?” (Is 50,9) Eu sou Cristo, Aquele que destruiu a morte, que venceu o inimigo, que calcou aos pés o inferno, que pôs em cadeias o violento (Lc 11,22) e que arrebatou o homem para as alturasLeia mais →

Deus é espírito (Jo 5,24), e portanto Aquele que é espírito gerou espiritualmente […], por uma criação simples e incompreensível. O próprio Filho diz do Pai: «O Senhor disse-Me: ‘Tu és Meu Filho, hoje mesmo Te gerei’» (Sl 2,7). Este hoje não é recente, mas eterno; este hoje não é deste tempo, mas de todos os séculos. «Desde o dia do Teu nascimento receberás o principado no esplendor sagrado, desde o seio materno, desde a aurora da Tua infância» (Sl 109,3). Crê, pois em Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, mas Filho único como afirma o Evangelho: «Porque Deus amou de tal modo o mundoLeia mais →