Quando o Senhor, sentado no barco de pesca, disse a Pedro «faz-te ao largo; e vós, lançai as redes para a pesca», quis aconselhá-lo não tanto a lançar às profundezas da água as redes de pesca, mas a derramar no fundo dos corações as palavras da pregação. Foi neste abismo do coração que São Paulo penetrou quando clamou «oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus!» (Rm 11,33). […] Tal como as redes trazem nas suas malhas, para dentro do barco, os peixes que apanharam, assim a fé conduz ao seu seio, para o descanso, todos os homens recolhidosLeia mais →

De entre os títulos de glória do santo e bem-aventurado João Batista, cuja festa hoje celebramos, não sei qual prefiro: se o seu nascimento milagroso ou a sua morte, ainda mais milagrosa. O seu nascimento trouxe uma profecia (Lc 1,67ss.), a sua morte a verdade; o seu nascimento anunciou a chegada do Salvador, a sua morte condenou o incesto de Herodes. Este santo homem […] mereceu, aos olhos de Deus, não desaparecer da mesma forma que os outros homens deste mundo: deixou este corpo recebido do Senhor confessando-O. João cumpriu em tudo a vontade de Deus, uma vez que a sua vida e a suaLeia mais →

Nos Seus desígnios misteriosos, o Pai tinha preparado uma esposa para o Seu Filho único e tinha-lha apresentado sob as imagens da profecia. […] Moisés escreveu no seu livro que «o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher; e os dois serão uma só carne» (Gn 2,24). O profeta Moisés falou-nos nesses termos do homem e da mulher para anunciar Cristo e a Sua Igreja. Com olhar agudo de profeta, viu Cristo tornar-Se um com a Igreja, graças ao mistério da água: viu Cristo atrair a Si a Igreja desde o seio virginal, e a Igreja atrair a siLeia mais →

Depois da Ascensão do Senhor, os apóstolos voltaram, como está escrito no Evangelho, com uma grande alegria (Lc 24,52). O Senhor conhecia a alegria que lhes dava e a alma deles experimentou intensamente essa alegria. A sua primeira alegria foi conhecer o verdadeiro Senhor, Jesus Cristo; a segunda amá-Lo; a terceira conhecer a vida eterna e celeste; e a quarta alegria desejar a salvação para o mundo, tal como para si próprios. E, por fim, sentiram uma grande alegria por conhecerem o Espírito Santo e verem como operava neles. Os apóstolos percorriam a terra e falavam ao povo do Senhor e do Reino dos Céus,Leia mais →

Esta Cananeia pagã deixou de ter, pessoalmente, necessidade de ser curada, uma vez que reconheceu Cristo como Senhor e Filho de David, mas pede auxílio para a sua filha, isto é, para a multidão pagã prisioneira de espíritos impuros. O Senhor cala-Se, reservando com o Seu silêncio o privilégio de salvar Israel. […] Trazendo em Si o mistério da vontade do Pai, responde que não foi enviado senão às ovelhas perdidas de Israel, para que ficasse claro que a filha da Cananeia é um símbolo da Igreja. […] Não é que a salvação não pudesse ser dada também aos pagãos, mas o Senhor tinha vindoLeia mais →

A palavra «fé» tem um duplo significado. Há, na verdade, um aspecto da fé que diz respeito aos dogmas e que consiste em concordar com uma dada verdade. Este aspecto da fé é proveitoso para a alma, segundo a palavra do Senhor: «Quem ouve a Minha palavra e crê n’Aquele que Me enviou tem a vida eterna» (Jo 5,24). […] Mas há um segundo aspecto da fé: é a fé que nos foi dada por Cristo como carisma, gratuitamente, como dom espiritual. «A um é dada, pela ação do Espírito, uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, segundo o mesmo Espírito; aLeia mais →

Foi Cristo que Se tornou presente a todos aqueles a quem Deus, desde o início, comunicou a Sua Palavra, o Seu Verbo. E, se alguém ler a Escritura nessa perspectiva, encontrará uma expressão que diz respeito a Cristo e uma prefiguração do novo chamamento. Pois é Ele o tesouro escondido no «campo», isto é, no mundo (Mt 13,38). Tesouro escondido nas Escrituras, pois foi assinalado por símbolos e parábolas que, humanamente falando, não podiam ser compreendidas antes do cumprimento das profecias, isto é, antes da vinda do Senhor. Foi por isso que foi dito ao profeta Daniel: «Guarda isto em segredo e conserva selado esteLeia mais →

No deserto, Nosso Senhor multiplicou o pão e em Caná transformou a água em vinho. Deste modo, habituou a boca dos Seus discípulos ao Seu pão e ao Seu vinho, até à altura em que lhes daria o Seu corpo e o Seu sangue. Fez-lhes provar um pão e um vinho transitórios para fazer nascer neles o desejo do Seu corpo e do Seu sangue vivificantes. Deu-lhes estas pequenas coisas generosamente para que eles soubessem que a Sua dádiva suprema seria gratuita. Deu-lhas gratuitamente embora eles tivessem podido comprar-Lhas, para que ficassem a saber que não lhes pediria que pagassem uma coisa inestimável: porque, emboraLeia mais →

  Dou-Te graças, Senhor, Porque Te amo. Não me abandones, Altíssimo, Porque em Ti espero. De graça recebi a Tua Graça E é ela que me dá vida. Quando os meus perseguidores chegarem, Nem sequer poderão descortinar-me, Porque uma nuvem de obscuridade descerá ante os seus olhos E embaçá-los-á um ar de trevas. Não poderão distinguir-me sem luz, Nem de me agarrar serão capazes. […] Os planos que eles engendraram Ficarão reduzidos a nada. Conceberam projetos maldosos, Mas é só vê-los defraudados. No Senhor coloco a minha esperança E não temo nem por um segundo. No Senhor está a minha salvação, Não temo nem umLeia mais →

Nosso Senhor não foi comparado a um leão quando O conduziram à morte. […] Como um cordeiro, como uma ovelha, guardou silêncio quando foi conduzido à Sua Paixão e Morte: na Sua humilhação «não abriu a boca, como ovelha emudecida nas mãos do tosquiador» (Is 53,7). […] Interrogado e de pé diante do juiz, o Mestre e doutor de toda a sabedoria não responde […], a fim de se cumprir esta palavra: «como cordeiro que é levado ao matadouro» (Is 53,7). É conduzido de um lado para outro, levado de um sítio para outro, arrastado de juiz para juiz como se fosse mudo. Na presençaLeia mais →