«Ninguém acende uma lâmpada para a cobrir com uma vasilha»: com estas palavras, Jesus incentiva os seus discípulos a levarem uma vida irrepreensível, aconselhando-os a que velem constantemente sobre si mesmos, dado que estão postos sob o olhar de todos os homens, quais atletas num estádio, vistos por todo o universo (cf 1Cor 4,9). E diz-lhes: «Não penseis: “Podemos ficar calmamente sentados, aqui escondidos neste cantinho do mundo”, porque sois visíveis para todos os homens, qual cidade situada no alto de um monte (cf Mt 5,14), qual luz que, no interior de uma casa, foi colocado no candelabro. […] Eu acendi a luz da vossaLeia mais →

«O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram do Verbo da Vida – porque a Vida manifestou-Se» (1Jo 1,1). Houve quem tocasse com suas mãos o Verbo da Vida porque «o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). E este verbo que Se fez homem para ser tocado pelas nossas mãos começou por ser carne no seio da Virgem Maria. Mas não foi nesse momento que começou a ser o Verbo, porque já o era «no princípio», como diz São João. Vede como a sua carta confirmaLeia mais →

Quando leio o Evangelho e nele encontro testemunhos provenientes da Lei ou dos profetas, só considero a Cristo. Não leio Moisés nem os profetas senão com a intenção de saber o que dizem de Cristo. Pois, tendo chegado ao esplendor de Cristo e percebendo a luz esplendorosa e brilhante do Sol, já não consigo dar atenção a uma lamparina. Se acendermos uma lamparina em pleno dia, o que alumia ela? Quando o Sol se ergue, a luz duma lamparina torna-se invisível. Do mesmo modo, na presença de Cristo, a Lei e os profetas desaparecem por completo. Não critico a sua existência, muito pelo contrário, atéLeia mais →

As portas estão abertas a quantos se voltarem para Deus com sinceridade e de todo o coração e é com alegria que o Pai recebe um filho verdadeiramente arrependido. Qual é o sinal do arrependimento verdadeiro? Não voltar a cair em velhos erros e arrancar do coração, pela raiz, os pecados que nos fazem correr perigo de morte; quando estes estiverem apagados, Deus virá habitar em nós. Porque, como diz a Escritura, um pecador que se converte e se arrepende dará ao Pai e aos anjos do Céu uma imensa e incomparável alegria (cf Lc 15,10). Foi por isso que o Senhor disse: «Eu queroLeia mais →

Irmãos bem-amados, hoje o Verbo de Deus, Deus, Filho de Deus, que no início estava com Deus, por quem tudo foi feito e sem quem nada se fez (cf Jo 1:3), para libertar o homem da morte eterna, tornou-Se homem. Para revestir a nossa humildade sem que a sua majestade ficasse diminuída, abaixou-Se de tal forma que, permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira natureza do servo àquela em que era igual a Deus Pai. Caríssimos irmãos, demos graças a Deus Pai, por meio de seu Filho, no Espírito Santo, porque, na sua infinita misericórdia nos amou e teveLeia mais →

«Ele retira às profundezas o seu véu de trevas e traz à luz a sombra da morte» (Job 12,22). O que faz o crente quando compreende o sentido misterioso das palavras obscuras dos profetas? Não está a retirar às profundezas o seu véu de trevas? É por isso que, dirigindo-Se aos seus discípulos, a Verdade ordena: «O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia». Com efeito, quando os nossos comentários desfazem os misteriosos nós das alegorias, dizemos à luz aquilo que ouvimos nas trevas. Ora, a sombra da morte era a dureza da Lei, que prescrevia a todo o pecador a puniçãoLeia mais →

«É com razão que te amam» (Ct 1,4): recebemos aqui um ensinamento particularmente elevado, a saber, a caridade que devemos ter com Deus e a conduta que devemos ter com os homens. Se é preciso que «tudo aconteça com decoro e com ordem» (1Cor 14,40), quão mais rigorosa deve ser a ordem a este nível. […] Conheçamos, pois, a ordem da caridade que a Lei nos ensina, isto é, que devemos amar a Deus e amar os nossos inimigos, para nunca invertermos a ordem do cumprimento da caridade. Temos de amar a Deus com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todasLeia mais →

Contemplai os mistérios do amor e vereis «o seio do Pai», que «nos deu a conhecer o seu Filho unigênito», que é Deus (Jo 1:18). Deus é amor (1Jo 4:8) e, devido a esse amor, deixou-Se ver por nós. No seu ser inexprimível, Ele é Pai; na sua compaixão para conosco, tornou-Se Mãe. Ao amar, o Pai revela também uma dimensão feminina. A prova incontestável deste amor é Aquele que Ele gera de Si mesmo. E este Filho, fruto do amor, é amor. Por causa deste amor, Ele desceu até nós. Por causa deste amor, revestiu-Se da nossa humanidade. Por causa deste amor, sofreu livrementeLeia mais →

O maior dos homens foi enviado para dar testemunho daquele que era mais que um homem. Com efeito, quando aquele que «é o maior de entre os nascidos de mulher» (cf Mt 11,11) diz: «Eu não sou o Messias» (Jo 1,20) e se humilha face a Cristo, temos de entender que Cristo não é apenas um homem. […] «Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graça sobre graça» (Jo 1,16). Que quer dizer «todos nós»? Quer dizer os patriarcas, os profetas e os santos apóstolos, aqueles que precederam a encarnação ou que foram enviados depois pelo próprio Verbo encarnado, «todos nós participamos da suaLeia mais →

Aquele que é o fruto de uma Virgem santa é a glória e a honra de todas as outras santas virgens; porque elas próprias serão, como Maria, mães de Cristo, se fizerem a vontade de seu Pai. A glória e a felicidade de Maria como Mãe de Jesus Cristo exprimem-se sobretudo naquelas palavras do Senhor: «Todo aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (Mt 12,50). Ele indica assim o parentesco espiritual que O liga ao povo que resgatou: os seus irmãos e as suas irmãs são os homens santos e asLeia mais →