Com razão refere o Verbo os leões e os leopardos, a fim de tornar mais doce, por comparação com coisas desagradáveis, o usufruto daquilo que é agradável. […] Tendo perdido a semelhança com Deus, o homem transformou-se num animal selvagem, à imitação da natureza animal, tornando-se leopardo e leão pela sua vida de pecado. […] A vida em paz torna-se mais doce após uma guerra, e deliciosa em comparação com os relatos sombrios. A saúde é um bem mais doce para os sentidos do nosso corpo quando, saindo dos horrores da doença, a nossa natureza se restabelece. E o divino Esposo, para fazer crescer naLeia mais →

Tem piedade, Senhor, dos teus pequenos.Freio dos potros indisciplinados,asa dos pássaros que não se perdem,verdadeiro leme dos navios,pastor dos cordeiros reais,junta os teus simples filhospara o santo louvor,para cantarem com sinceridade,a Cristo, condutor das crianças.Sê o guia, ó Pastordas ovelhas sensatas.Conduz, ó santo,os filhos sem mácula.Deus dos que cantam, Jesus Cristo. São Clemente de Alexandria (150-c. 215)O pedagogoFonte: Evangelho Cotidiano

«Levanta-te e vem, minha bem-amada, minha bela, minha pomba» (Cant 2,10). A natureza divina convida a alma humana a participar dela, transcendendo-a sempre pela sua eminência no bem. A alma cresce na sua participação no transcendente e nunca deixa de crescer; mas o bem no qual participa permanece o mesmo, manifestando-se sempre igualmente transcendente à alma que dele participa sempre mais. Deste modo, vemos o Verbo guiar a esposa para os cumes pelo crescimento na virtude, como quem sobe uma escada. Primeiro, envia-lhe um raio de luz pelas janelas dos profetas e as treliças dos mandamentos da Lei, ordenando-lhe que se aproxime da luz eLeia mais →

«Mas eu quero falar com o Todo-Poderoso, e desejo conversar com Deus» (Job 13,3). Falamos com o Todo-Poderoso quando nos associamos à justiça do Mestre, submetendo os nossos atos a um exame escrupuloso. Talvez também fale com Deus aquele que, depois de ter obedecido aos seus preceitos neste mundo, vem como juiz julgar com Ele os povos, como se diz dos pregadores que renunciam a todos os seus bens: «No mundo renovado, quando o Filho do homem vier sentar-Se no seu trono de glória, também vós que Me seguistes vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel». Diz ainda o Senhor,Leia mais →

Imitemos o comportamento dos apóstolos e não lhes seremos inferiores em nada. Com efeito, não foram os milagres que fizeram deles apóstolos, foi a sua santidade de vida: é nisso que se reconhece um discípulo de Cristo. Essa marca foi-nos dada claramente pelo Senhor: quando quis traçar o retrato dos seus discípulos e revelar o sinal que distinguiria os seus apóstolos, disse: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos». Que sinal é esse? Fazer milagres? Ressuscitar os mortos? De forma alguma. Então qual é? Todos os homens «conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35). O amorLeia mais →

«E que eu não encontre um só homem sábio entre vós» (Jb 17,10). Apela-se à sabedoria não querendo encontrar sábios [os amigos de Job] porque os homens enganados pela suficiência da sua falsa sabedoria não podem chegar à verdadeira sabedoria. É deles que está escrito: «Ai de vós, que sois sábios aos vossos próprios olhos e prudentes diante de vós mesmos!» (Is 5,21). É a eles que se diz: «Não vos comprazais na vossa própria sabedoria» (Prov 3,7; cf Rom 12,16). Era também por isso que, quando encontrava pessoas sábias segundo a carne, o grande pregador [Paulo] lhes pedia que adquirissem a verdadeira sabedoria, começandoLeia mais →

A Santa Igreja sabe manter o vigor da sua disciplina, temperando-a com suavidade: ora não poupando os maus, parecendo poupá-los, ora, pelo contrário, poupando-os, parecendo não os poupar. Mas demonstramo-lo melhor expondo o que acontece de ordinário. Proponhamos então aos olhares da nossa alma dois espíritos desviados vivendo no seio da Igreja: de um lado, um poderoso, um rebelde, e do outro um homem manso, um subalterno. Quando neste homem manso, neste subalterno, caminha surdamente um pecado, o pregador está lá para admoestar, atacar, acusar este pecado e, acusando o pecador, libertá-lo do pecado e restabelecê-lo no caminho da retidão. […] Por outro lado, apercebemo-nosLeia mais →

«Tenho a carne consumida, os ossos agarrados à pele» (Jó 19: 20). Os ossos designam a força do corpo; a carne, a sua fraqueza. Uma vez que Cristo e a Igreja são uma só pessoa, o que representarão os ossos? O Senhor. E a carne? Os discípulos, que, na hora da sua Paixão, só conheceram a sabedoria dos fracos. E a pele, que é exterior à carne e permanece no corpo, representa as santas mulheres, que, dispostas a prestar-Lhe assistência corporal, serviam o Senhor nas suas necessidades exteriores. Quando os discípulos de Jesus, ainda muito fracos, pregavam ao povo a fé na verdade, eram aLeia mais →

«Ao ouvir tal notícia [do nascimento de Jesus], Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele» (Mt 2,3). […] É o mistério da Paixão, que aparecia já na mirra dos Magos; os recém-nascidos foram massacrados sem dó nem piedade. […] O que significa esta matança de crianças? Como ousou Herodes cometer crime tão horrendo? Um estranho sinal apareceu no céu, anunciando aos Magos a chegada doutro rei. Entendes, Herodes, o significado destes sinais? […] Se Jesus é o Senhor dos astros, não estará protegido dos teus ataques? Julgas ter poder de vida e de morte, mas não tens nada a temer de criança tão terna.Leia mais →

«Vou esclarecer-te, escuta-me; vou narrar-te o que vi» (Job 15,17). O que é próprio do arrogante é nunca ter um sentimento de retidão, por pequeno que seja, que não o ponha ao serviço do orgulho; é não se elevar com a sua inteligência acima de si próprio senão para cair, inchado de vaidade, na armadilha do orgulho; é julgar-se mais sábio que os sábios; é reivindicar o respeito de quem vale mais do que ele; é pretender ensinar, com ar de autoridade, os que são mais santos que ele. Daí aquela frase: «Vou esclarecer-te, escuta-me». […] Depois da afirmação: «O ímpio é orgulhoso em todosLeia mais →