«Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas» (Jo 8,12). De facto, o Senhor ilumina aqueles que estão cegos. Nós, irmãos, somos iluminados nesta vida pelo colírio da fé. O Senhor misturou saliva com terra para com ela ungir os olhos do cego de nascença (cf Jo 9,6). Também nós, filhos de Adão, somos cegos de nascença e precisamos que o Senhor nos ilumine. Ele mistura a sua saliva com terra: «E o Verbo fez-se homem, e veio habitar connosco» (Jo 1,14) […]. Havemos de O ver face a face; diz o apóstolo Paulo: «Agora vemos como num espelho, deLeia mais →

O amor de Deus por nós é bem maior que o de um pai, como mostram as palavras do Salvador no Evangelho: «Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito» (Jo 3,16). E o apóstolo Paulo também refere: «Ele, que não poupou o seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós, como não havia de nos oferecer tudo juntamente com Ele?» (Rm 8,32). É por isso que Deus nos ama mais do que um pai ama o seu filho. É evidente que Deus nos estima para além da afeição paternal: por nós, não poupou o seu Filho – e que Filho!Leia mais →

O Senhor disse: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mt 9,13). A nenhum cristão é permitido, pois, odiar seja quem for, dado que ninguém pode ser salvo senão pelo perdão dos pecados, e não sabemos até que ponto a graça do Espírito pode valorizar aqueles que a sabedoria do mundo despreza. Que o povo de Deus seja santo e bom: santo para se afastar do que é proibido, bom para agir de acordo com os mandamentos. Embora seja ótimo ter fé reta e sã doutrina, e embora a sobriedade, a mansidão e a pureza sejam louváveis, todas estas virtudes são vãs semLeia mais →

Com razão refere o Verbo os leões e os leopardos, a fim de tornar mais doce, por comparação com coisas desagradáveis, o usufruto daquilo que é agradável. […] Tendo perdido a semelhança com Deus, o homem transformou-se num animal selvagem, à imitação da natureza animal, tornando-se leopardo e leão pela sua vida de pecado. […] A vida em paz torna-se mais doce após uma guerra, e deliciosa em comparação com os relatos sombrios. A saúde é um bem mais doce para os sentidos do nosso corpo quando, saindo dos horrores da doença, a nossa natureza se restabelece. E o divino Esposo, para fazer crescer naLeia mais →

Tem piedade, Senhor, dos teus pequenos.Freio dos potros indisciplinados,asa dos pássaros que não se perdem,verdadeiro leme dos navios,pastor dos cordeiros reais,junta os teus simples filhospara o santo louvor,para cantarem com sinceridade,a Cristo, condutor das crianças.Sê o guia, ó Pastordas ovelhas sensatas.Conduz, ó santo,os filhos sem mácula.Deus dos que cantam, Jesus Cristo. São Clemente de Alexandria (150-c. 215)O pedagogoFonte: Evangelho Cotidiano

«Levanta-te e vem, minha bem-amada, minha bela, minha pomba» (Cant 2,10). A natureza divina convida a alma humana a participar dela, transcendendo-a sempre pela sua eminência no bem. A alma cresce na sua participação no transcendente e nunca deixa de crescer; mas o bem no qual participa permanece o mesmo, manifestando-se sempre igualmente transcendente à alma que dele participa sempre mais. Deste modo, vemos o Verbo guiar a esposa para os cumes pelo crescimento na virtude, como quem sobe uma escada. Primeiro, envia-lhe um raio de luz pelas janelas dos profetas e as treliças dos mandamentos da Lei, ordenando-lhe que se aproxime da luz eLeia mais →

«Mas eu quero falar com o Todo-Poderoso, e desejo conversar com Deus» (Job 13,3). Falamos com o Todo-Poderoso quando nos associamos à justiça do Mestre, submetendo os nossos atos a um exame escrupuloso. Talvez também fale com Deus aquele que, depois de ter obedecido aos seus preceitos neste mundo, vem como juiz julgar com Ele os povos, como se diz dos pregadores que renunciam a todos os seus bens: «No mundo renovado, quando o Filho do homem vier sentar-Se no seu trono de glória, também vós que Me seguistes vos sentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel». Diz ainda o Senhor,Leia mais →

Imitemos o comportamento dos apóstolos e não lhes seremos inferiores em nada. Com efeito, não foram os milagres que fizeram deles apóstolos, foi a sua santidade de vida: é nisso que se reconhece um discípulo de Cristo. Essa marca foi-nos dada claramente pelo Senhor: quando quis traçar o retrato dos seus discípulos e revelar o sinal que distinguiria os seus apóstolos, disse: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos». Que sinal é esse? Fazer milagres? Ressuscitar os mortos? De forma alguma. Então qual é? Todos os homens «conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35). O amorLeia mais →

«E que eu não encontre um só homem sábio entre vós» (Jb 17,10). Apela-se à sabedoria não querendo encontrar sábios [os amigos de Job] porque os homens enganados pela suficiência da sua falsa sabedoria não podem chegar à verdadeira sabedoria. É deles que está escrito: «Ai de vós, que sois sábios aos vossos próprios olhos e prudentes diante de vós mesmos!» (Is 5,21). É a eles que se diz: «Não vos comprazais na vossa própria sabedoria» (Prov 3,7; cf Rom 12,16). Era também por isso que, quando encontrava pessoas sábias segundo a carne, o grande pregador [Paulo] lhes pedia que adquirissem a verdadeira sabedoria, começandoLeia mais →

A Santa Igreja sabe manter o vigor da sua disciplina, temperando-a com suavidade: ora não poupando os maus, parecendo poupá-los, ora, pelo contrário, poupando-os, parecendo não os poupar. Mas demonstramo-lo melhor expondo o que acontece de ordinário. Proponhamos então aos olhares da nossa alma dois espíritos desviados vivendo no seio da Igreja: de um lado, um poderoso, um rebelde, e do outro um homem manso, um subalterno. Quando neste homem manso, neste subalterno, caminha surdamente um pecado, o pregador está lá para admoestar, atacar, acusar este pecado e, acusando o pecador, libertá-lo do pecado e restabelecê-lo no caminho da retidão. […] Por outro lado, apercebemo-nosLeia mais →