«Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago» e, levando-os ao alto de um monte, manifestou-lhes o brilho da sua glória. Pois, embora eles tivessem compreendido que a majestade de Deus residia nele, ignoravam que o seu corpo, que escondia a sua divindade, também participava no poder de Deus. Foi por isso que o Senhor garantiu expressamente, alguns dias antes, que alguns dos seus discípulos não conheceriam a morte antes de o Filho de homem vir no seu Reino (cf Mt 16,28), ou seja, no brilho régio […] que convinha especialmente à natureza humana que Ele tinha assumido. […] Esta transfiguração tinha como objetivo, em primeiroLeia mais →

Não percas a confiança em Deus nem desesperes da sua misericórdia; não duvides nem desesperes de vir a ser melhor; mesmo que o demónio tenha conseguido precipitar-te dos altos cumes da virtude até aos abismos do mal, muito mais Deus poderá chamar-te de novo para o cume do bem, e não só reconduzir-te ao estado em que te encontravas antes dessa queda, mas tornar-te muito mais feliz do que julgavas ser. Não percas a coragem, suplico-te, não feches os olhos à esperança do bem, não vá acontecer-te o que acontece aos que não amam a Deus; porque não é o grande número de pecados queLeia mais →

Cristo pede-nos duas coisas: que condenemos os nossos pecados e perdoemos os dos outros; e que façamos a primeira por causa da segunda, que nos será então mais fácil, pois aquele que pensa sobre os seus pecados será menos severo para com os seus companheiros de miséria. E que não perdoemos apenas com a boca, mas do fundo do coração, para não voltarmos contra nós próprios o ferro com que pensamos trespassar os outros. Que mal pode fazer-te o teu inimigo, em comparação com o que podes fazer a ti próprio com o teu azedume? […] Considera pois quantas vantagens retiras duma ofensa acolhida comLeia mais →

«Sou um desconhecido aos seus olhos» (Jb 19,15). Não ser conhecido na sinagoga era, para o nosso Redentor, estar em sua casa como quem está de passagem. É o que atesta o Profeta com aquelas palavras: «Porque te comportas nesta terra como um estrangeiro, como um viajante que apenas para a pedir dormida?» (Jr 14,8). Visto que Ele não foi escutado como Senhor, não foi tido como proprietário da terra, mas como jornaleiro. E, como um viajante, parou apenas para pedir dormida: não levou para a Judeia senão alguns homens e foi por causa da vocação dos gentios que fez essa viagem. Portanto, Ele foi,Leia mais →

Não há pessoa mais insensata que um cristão que não se aplica a salvar os outros. Não podes argumentar com o pretexto da pobreza, pois a viúva que deu as duas moedinhas levantar-se-ia para te acusar (cf Lc 21,2); e Pedro, que dizia: «Não tenho ouro nem prata» (At 3,6), assim como Paulo, que era tão pobre que frequentemente passava fome e carecia de bens necessários (cf 1Cor 4,11). Também não podes objetar com a humildade das tuas origens: também eles eram de modesta condição. A ignorância não será melhor desculpa, pois também eles eram iletrados […]. Tão-pouco invoques a doença, já que Timóteo eraLeia mais →

Se coexistem na mesma alma, por um lado a compaixão e por outro o juízo de simples equidade são como um homem que adora Deus e os ídolos na mesma casa. A compaixão é o contrário do juízo de simples justiça. O juízo estritamente equitativo implica a igual repartição por todos de uma medida semelhante: dá a cada um o que ele merece, não mais; não se inclina para um lado nem para o outro, não discerne na retribuição. Pelo contrário, a compaixão é suscitada pela graça, inclina-se sobre todos com a mesma afeição, evita a simples retribuição àqueles que são dignos de castigo eLeia mais →

Não posso conter a minha alegria, o meu espírito exulta e salta de gozo. Quase me sinto movido pelo mesmo ardor de João a anunciar a boa nova. É verdade que não sou o Precursor, mas venho do deserto como ele. Cristo foi iluminado, resplandeçamos com Ele. Cristo foi batizado, desçamos com Ele para com Ele podermos voltar a erguer-nos. João batiza e Jesus avança, para santificar o Batista. Ele vem mergulhar o velho Adão por completo nas águas e, antes disso – e para isso -, santificar as águas do Jordão. O Batista recusa e Jesus insiste. A lamparina diz ao Céu, a vozLeia mais →

«O poço de água viva» Quando a Sagrada Escritura nos instrui sobre a realidade vivificante, quando nos fala através de profecias que emanam de Deus: «Eles abandonaram-Me, a Mim, fonte de água viva» (Jer 2,13), ou das palavras do Senhor à samaritana: «Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que te diz: “Dá-Me de beber”, tu é que Lhe pedirias e Ele te daria água viva», ou ainda: «Se alguém tem sede, venha a Mim e beba», porque: «”Daquele que crê brotarão rios de água viva”. Dizia isto do Espírito que haveriam de receber os que nele cressem» (Jo 7,37.39) — aLeia mais →

«Vós fizestes-vos imitadores nossos e do Senhor», diz Paulo. Como? «Acolhendo a Palavra em plena tribulação, com a alegria do Espírito Santo» (1Tess 1,6). […] As provações afetam a parte material do nosso ser; a alegria brilha nas alturas espirituais. Passo a explicar: os acidentes da vida são tristes e penosos, mas os resultados são alegres, assim o querendo o Espírito. Portanto, é possível que não nos alegremos ao sofrer, se estivermos a sofrer pelos nossos pecados, mas até deixaremos que nos flagelem com alegria, se for por Cristo (cf At 5,41). É a isto que o apóstolo chama a «alegria do Espírito»; respiramo-la naquiloLeia mais →

«O homem, ao morrer, acaba. O mortal expira e onde está ele?» (Jb 14,10). Haverá algum homem que não tenha pecado. Há um só, aquele que veio a este mundo sem nascer do pecado. E, como estamos todos acorrentados no pecado, todos morremos da própria perda da justiça, despojados da veste da inocência que nos tinha sido concedida no Paraíso e consumidos pela morte da carne que é sua consequência. […] É esta nudez de seu filho pecador que o pai quer cobrir ao vê-lo regressar, dizendo: «Trazei depressa a melhor túnica». Sim, a melhor túnica, que é a veste da inocência que o homemLeia mais →