Jesus Cristo conversou muito com os seus discípulos acerca dos seus sofrimentos, da sua Paixão e morte, e predisse os males que iria suportar e a morte violenta que um dia os faria sofrer (Mt 16,21-26). Foi por isso que, depois de lhes dizer coisas tão duras e tão difíceis, tentou consolá-los evocando as recompensas que lhes daria quando viesse na glória de seu Pai (v. 27). […] Quis mostrar-lhes com antecedência, na medida em que eles eram capazes de o compreender nesta vida, a grande majestade na qual estava para vir, impedindo assim a perturbação e a dor que os seus apóstolos, especialmente Pedro,Leia mais →

Deus tinha criado o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26), e havia-o julgado digno de O conhecer a Si mesmo, pois fora considerado acima de todos os animais devido ao dom da inteligência, fora criado no gozo das incomparáveis delícias do Paraíso, e feito senhor de tudo o que se encontrava sobre a Terra. No entanto, ao vê-lo, instigado pela serpente, cair no pecado e, pelo pecado, na morte e no sofrimento que a ela conduzem, não o rejeitou. Pelo contrário, deu-lhe desde logo o auxílio da sua Lei; designou anjos para o guardarem e para tomarem conta dele; enviou profetas para lheLeia mais →

É para que o nosso espírito se liberte de todas as miragens que o Verbo nos convida a sacudir dos olhos da alma este sono pesado, para que não escorreguemos para fora das realidades verdadeiras agarrando-nos ao que não tem consistência. É por isso que nos propõe a imagem da vigilância, dizendo-nos: «Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas.» O sentido destes símbolos é bem claro: aquele que está cingido pela temperança vive na luz de uma consciência pura, porque a confiança filial ilumina a sua vida como uma lâmpada; iluminada pela verdade, a sua alma desembaraça-se do sono da ilusão, poisLeia mais →

Quando vos digo para imitardes o apóstolo Paulo, não estou a dizer-vos: «Ressuscitai os mortos, curai os leprosos.» Fazei melhor: tende caridade. Tende o amor que animava São Paulo, pois essa virtude é bem superior ao poder de fazer milagres. Onde houver caridade, Deus Filho reina com o Pai e o Espírito Santo. Ele disse-o: «Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles.» Amar este encontro é característico de uma amizade tão forte quanto real. Haverá pessoas tão miseráveis, perguntareis vós, que não desejem ter Cristo entre elas? Há, sim, meus filhos: nós próprios. Expulsamo-Lo do meio de nósLeia mais →

Quando leio o Evangelho e nele encontro testemunhos saídos da Lei ou dos Profetas, penso só em Cristo. Não leio Moisés nem os Profetas senão com a intenção de saber o que dizem eles de Cristo, uma vez que, tendo chegado ao esplendor de Cristo como à luz esplendorosa e brilhante do sol, não posso depois prestar atenção a uma lâmpada. Se acendermos uma lâmpada em pleno dia, o que alumia ela? Ao sol, a luz duma lâmpada é invisível. Do mesmo modo, na presença de Cristo, desaparecem por completo a Lei e os Profetas. Não critico a sua existência, muito pelo contrário, até aLeia mais →

Senhor, torna-me digno de desprezar a minha vida pela vida que há em Ti. A vida neste mundo parece-se com aqueles que se servem das letras para formar palavras, acrescentando, truncando e mudando as letras a seu bel-prazer. Mas a vida do mundo que há-de vir parece-se com aquilo que está escrito sem o menor erro nos livros selados com o selo real, onde nada há a acrescentar e onde nada falta. Portanto, enquanto estivermos no meio da mudança, estejamos atentos as nós próprios. Enquanto tivermos poder sobre o manuscrito da nossa vida, sobre aquilo que escrevemos com as nossas mãos, esforcemo-nos por lhe acrescentarLeia mais →

Tu és o servidor do Deus santo, um gestor para benefício dos teus companheiros de serviço. Não penses que todos os bens que possuis se destinam ao teu consumo. […] Imita a terra, homem: dá frutos como ela; não sejas mais duro que a matéria inanimada. A terra não amadurece os seus frutos para usufruir deles, mas para te ser útil. E és tu que recolhes os frutos da tua generosidade, porque a recompensa pelas boas ações recai sobre aqueles que as praticam. Se deste de comer ao faminto, aquilo que deste volta para ti com juros. Assim como o grão lançado à terra dáLeia mais →

Tu és guardião dos teus bens, e não proprietário, tu que escondes o teu ouro na terra (Mt 25,25); e tornas-te servo deles, e não senhor. Cristo disse: «Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração»; ora, o teu coração está no ouro que enterraste. Vende o ouro e compra a salvação; vende o que é da terra e adquire o Reino de Deus; vende o campo e recupera a vida eterna. Dizendo isto digo a verdade, porque me apoio na palavra daquele que é a Verdade: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobresLeia mais →

«Inclinai, Senhor, os vossos ouvidos, respondei-me» (Sl 85,1). O Senhor não inclina o ouvido para o rico, mas para o pobre e indigente, para o que é humilde e confessa as suas faltas, para o que implora misericórdia e não para o que se sente saciado, se engrandece, se autoelogia como se nada lhe faltasse e diz: «Dou-Te graças por não ser como este cobrador de impostos.» Enquanto este fariseu rico exaltava os seus méritos, o pobre publicano confessava seus pecados. […] Todos os que recusam o orgulho são pobres perante Deus e sabemos que Ele inclina o seu ouvido para os pobres e paraLeia mais →

Um irmão que havia pecado foi expulso da igreja pelo presbítero; então o abba Bessarião levantou-se e saiu com ele, dizendo: «Eu também sou pecador» […]. Certa vez, no deserto de Cétia, um irmão caiu em pecado. Reuniu-se um conselho, para o qual chamaram o abba Moisés. Ele recusou-se a ir. O presbítero mandou dizer-lhe: «Vem, pois todos te esperam». Ele então se levantou e foi, levando às costas um cesto furado, cheio de areia, que se derramava pelo caminho. Quando os irmãos foram ao seu encontro e lhe perguntaram: «O que é isso, padre?», o velho respondeu: «Meus pecados escoam atrás de mim, eLeia mais →