O ascetismo ortodoxo tem suas origens nas práticas dos primeiros monges do deserto, que buscavam a purificação espiritual através da renúncia e da disciplina, se quisermos circunscrever a era cristã e o tempo da Igreja. Mas já podemos encontrar registros dessas práticas nas Sagradas Escrituras desde os tempos mais antigos. Por exemplo, já em seu primeiro livro, no relato do Gênesis, está dito que, quando Deus criou Adão e Eva, deu-lhes dois mandamentos: (1) cuidar e guardar o jardim e (2) abster-se de comer o fruto proibido. Este dois mandamentos são modos de praticar o ascetismo.

Outros tantos casos de ascetismo encontramos no Antigo Testamento, por exemplo, Jonas e os ninivitas. (Jonas, 3)

No Novo Testamento, lemos sobre a vida ascética de João Batista. Mas, o próprio Cristo jejuou durante quarenta dias antes de iniciar seu ministério e, em outras ocasiões, retirava-se à noite para orar. Ele havia declarado que seus seguidores também deveriam jejuar (Mt 9:15).

Na Igreja nascente, os primeiros cristãos deram ênfase ao jejum e à oração (por exemplo, At 10:30, 13:2-3, 27:21). O ascetismo foi assumido com todo o fervor por aqueles que deixaram as cidades em direção aos desertos como monges, monjas ou eremitas. Inúmeros santos foram formados e in-formados na tradição ascética, preservada na Igreja Ortodoxa.

O ascetismo tem sua fundamentação mais sólida no chamado à santidade. Como lemos nas Escrituras, somos chamados a “ser santos como Deus é santo” …