Simeão sabia que Aquele que tinha nos braços é o único que pode libertar-nos da prisão do corpo, com a esperança na vida futura. Foi por isso que disse: «Agora, Senhor, segundo a vossa palavra, deixareis ir em paz o vosso servo, porque enquanto não tive Cristo nos braços era como que prisioneiro, incapaz de me libertar das minhas cadeias». E isto não se aplica somente a Simeão, mas a todos os homens: se alguém abandona este mundo para alcançar o Reino, tome Jesus nos braços, aperte-O ao peito, e poderá chegar com grande alegria aonde deseja ir. […] «Todos aqueles que são movidos peloLeia mais →

Deus tinha criado o homem à sua imagem e semelhança (cf Gn 1,26), e havia-o julgado digno de O conhecer, pois estava acima de todos os animais devido ao dom da inteligência, fora criado no gozo das incomparáveis delícias do Paraíso e fora feito senhor de tudo o que havia à face da Terra. Mas, ao vê-lo cair no pecado, instigado pela serpente, e, pelo pecado, na morte e no sofrimento que a ela conduzem, não o rejeitou. Pelo contrário, deu-lhe desde logo o auxílio da sua Lei; designou anjos para o guardarem e cuidarem dele; enviou profetas para lhe reprovarem a maldade e lheLeia mais →

Não há nada em que o homem seja tão parecido com Deus como na capacidade de fazer o bem; e, mesmo tendo nós essa capacidade numa medida completamente diferente da de Deus, façamos pelo menos tudo o que pudermos. Deus criou o homem e reergueu-o depois da queda. Não desprezes, pois, aquele que caiu na miséria. Comovido pelo enorme sofrimento do homem, deu-lhe a Lei e os profetas, depois de lhe ter dado a lei não escrita da natureza. Teve o cuidado de nos conduzir, de nos aconselhar, de nos corrigir. Finalmente, deu-Se a Si mesmo em resgate pela vida do mundo. […] Quando navegasLeia mais →

O que é o jejum, senão a essência e a imagem do Céu? O jejum é o conforto da alma e o alimento do espírito. O jejum é a vida dos anjos; o jejum é a morte do pecado, a destruição dos erros, o remédio da salvação, a raiz da graça, o fundamento da castidade. Por esta escada, chegamos mais depressa a Deus. Elias subiu por esta escada antes de subir no carro; e, ao partir para o Céu, deixou ao seu discípulo essa herança de sobriedade e abstinência (cf 2Rs 2,11-15). Foi com a força e o espírito de Elias que João veio (cfLeia mais →

«Chamar-me-ás e eu te responderei». […] E Job acrescenta: «Estenderás a tua mão direita para a obra das tuas mãos» (Jb 14,15). […] Com efeito, pelo próprio fato de ser criatura, a criatura humana tem a possibilidade de se afundar em si mesma; mas o homem recebeu daquele que o formou o favor de ser elevado acima de si mesmo pela contemplação, e de ser mantido em si mesmo pela sua incorrupção. Assim, pois, para não se afundar abaixo de si mesma e para subsistir na incorrupção, a criatura é elevada a um estado de imutabilidade pela mão direita daquele que dá a vida. ALeia mais →

«É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos que lhe são fiéis» (Sl 115,15). Uma religião cujo fundamento é o mistério da cruz de Cristo não pode ser destruída por nenhum tipo de crueldade. A Igreja não é diminuída pela perseguição, mas fortalecida por ela: o campo do Senhor fica coberto por uma seara cada vez mais rica, porque as sementes, caindo uma a uma, renascem multiplicadas. Milhares de mártires bem-aventurados testemunham a multiplicação da posteridade dessas duas gloriosas sementes da sementeira divina, os apóstolos Pedro e Paulo. Émulos de um e outro no seu triunfo, eles encheram a nossa cidade de Roma deLeia mais →

Depois de ter falado a Pedro sobre o amor [que ele devia ter], Jesus predisse-lhe o martírio que lhe estava destinado, mostrando-lhe assim a confiança que tinha nele. Para nos dar um exemplo de amor e nos ensinar a melhor maneira de O amar, disse-lhe: «Quando eras mais novo, tu mesmo te cingias e andavas por onde querias; mas quando fores mais velho, estenderás a mão e outro te cingirá e te levará para onde não queres». Era aliás o que Pedro queria e desejava; foi por isso que Jesus lhe falou assim. Pedro tinha-Lhe dito: «Darei a minha vida por Ti» (Jo 13,37) e:Leia mais →

«Mas agora estou esmagado pela minha dor e todos os meus membros estão destruídos» (Jb 16,8). A Santa Igreja é esmagada pela sua dor quando vê aumentar a malignidade dos homens perversos. E, como a ascensão dos homens perversos também excita os fracos do seu meio a seguirem as paixões da depravação, Job tem razão em dizer: «e todos os meus membros foram destruídos». Pois os ossos referem-se aos fortes, e os membros aos fracos. Os membros da Igreja são, pois, destruídos quando, imitando os perversos que crescem neste mundo, a fraqueza dos fracos se agrava cada dia: à vista da felicidade dos ímpios, muitasLeia mais →

Quando Deus, que é invisível, Se dignou dirigir-Se ao homem, aparecendo-lhe sob uma forma visível, quando o Eterno usou uma linguagem temporal e o Imutável palavras frágeis, dizendo: «Eu sou aquele que sou» (Ex 3,14) […], acrescentou ao nome da sua substância o nome da sua misericórdia. […] É como se Deus tivesse dito a Moisés: «Não compreenderás estas palavras: “Eu sou aquele que sou”; o teu coração não é inabalável; não és imutável como Eu, nem o é o teu espírito. Ouviste o que Eu sou. Escuta o que podes compreender, escuta o que podes esperar». E Deus disse a Moisés: «”Eu sou oLeia mais →

Jesus não disse simplesmente: «Eu quero, fica curado». Fez outra coisa: «Estendeu a mão e tocou-o». Ora, podemos perguntar: uma vez que o curava por um ato da sua vontade e por uma palavra, por que razão o tocou com a mão? Parece-me que não é senão para mostrar que Ele não é inferior, mas superior à Lei e que, doravante, nada é impuro para quem é puro. A mão de Jesus não ficou impura ao tocar no leproso; pelo contrário, o corpo do leproso é que foi purificado pela santidade daquela mão. É que Cristo não veio só para curar os corpos, mas paraLeia mais →