Homilia «Os ricos podem salvar-se?», 8-9; PG 9, 603 Ignorar a Deus é morrer; pois a vida reside apenas em conhecê-l’O, viver n’Ele, amá-l’O e procurar assemelhar-se a Ele. Se quereis a vida eterna, […] procurai antes de mais conhecê-l’O, ainda que «ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-l’O» (Mt 11,27). Em Deus, conhecei a grandeza do Redentor e a sua graça inestimável; pois, diz o apóstolo João, «a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (Jo 1,17). […] Se a LeiLeia mais →

Recolhe a água de Cristo, a água que louva o Senhor. Recolhe a água que vem de várias fontes, a água que chove das nuvens dos profetas. Quem recolhe em si mesmo a água dos montes, ou tira água das fontes, começa a derramá-la como as nuvens. Enche o teu coração e a tua mente com esta água, para que a tua terra se torne húmida, irrigada pelas suas próprias fontes. Ora, é lendo inteligentemente que enchemos o nosso espírito; e quem está cheio pode irrigar os outros. É neste sentido que a Escritura diz: «Quando as nuvens estão carregadas, derramam chuva sobre a terra»Leia mais →

«O ímpio é orgulhoso todos os dias da sua vida» (Job 15,20, Vulg). Nem os eleitos estão imunes ao orgulho em alguns dos seus pensamentos e até nas suas ações. Mas, como são eleitos, não são soberbos todos os dias, uma vez que, antes de chegarem ao fim da vida, deixam que o seu coração se transforme de desmesura em temor, em humildade. Pelo contrário, o ímpio não passa um único dia sem soberba, pois termina a sua vida sem se afastar por um momento da desmesura. O seu olhar procura o que floresce no tempo, e ele desdenha considerar para onde será levado naLeia mais →

«A memória da vossa vida será comparada à cinza» (Jb 13,12 Vg). Aqueles cujo pensamento terreno os modela com base no século procuram deixar neste mundo, em cada um dos seus atos, a memória da sua pessoa; quer se trate de títulos de guerra, dos muros altaneiros dos edifícios ou de tratados eloquentes sobre as ciências do século, todos se esforçam incansavelmente por criar um nome que não seja esquecido. Mas a vida corre muito depressa para o seu fim e não pode garantir qualquer estabilidade, uma vez que também ela, na sua mobilidade, se escoa rapidamente. Com efeito, um sopro leva a cinza, comoLeia mais →

Quando foi que o Senhor quis dar-Se a conhecer? «Ao partir o pão». Podemos ter a certeza de que, quando partimos o pão, reconhecemos o Senhor. Ele só quis ser reconhecido naquele momento por nossa causa, porque não já O veríamos em carne e osso, mas comeríamos a sua carne. Sejas quem fores, crente que não usas o nome de cristão em vão e que não vais à igreja por nada, tu, que escutas com temor e esperança a palavra de Deus, o teu conforto está na partilha do pão. A ausência do Senhor não é uma ausência. Crê somente, e Aquele que não vêsLeia mais →

Quando Cristo reconciliou o mundo com Deus, não tinha evidentemente necessidade de reconciliação para Si; de facto, por que pecados deveria apaziguar a Deus, se não tinha cometido pecado algum? Por isso, quando os judeus Lhe exigiram a didracma requerida pela Lei, Jesus disse a Pedro: «Simão, que te parece? De quem recebem os reis da terra impostos ou tributos? Dos filhos ou dos estranhos?». Pedro respondeu: «Dos estrangeiros». Jesus disse-lhe: «Então os filhos estão isentos. Mas, para não os escandalizarmos, vai ao mar e deita o anzol. Apanha o primeiro peixe que morder a isca, abre-lhe a boca e encontrarás um estáter. Pega neleLeia mais →

Ouço falar da ressurreição e interrogo-me sobre o futuro dessa ressurreição. Com efeito, creio que estou destinado a ressuscitar, mas quero que me digam que tipo de ser serei. Preciso de saber se ressuscitarei noutro corpo, talvez sutil, isto é, aéreo, ou no corpo em que morrerei. Mas, se ressuscitar num corpo aéreo, já não serei eu a ressuscitar. Como pode haver verdadeira ressurreição se a minha carne não pode ser verdadeira carne? A razão sugere-nos claramente que, se não houver verdadeira carne, não haverá, obviamente, verdadeira ressurreição. Não, não temos o direito de falar de ressurreição enquanto aquilo que sucumbiu não ressuscitar. Pois bem,Leia mais →

Nasceu pelo Espírito Santo de Mãe virgem, e pelo mesmo Espírito fecunda a sua Igreja puríssima, a fim de que, pelo nascimento do batismo, uma multidão inumerável de filhos seja gerada para Deus. Deles se diz que «não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1,13). É nele que a descendência de Abraão é abençoada pela adoção de todo o mundo, e que o patriarca se torna pai das nações quando os filhos da promessa nascem da fé e não da carne. Sem excetuar nenhum povo, Ele forma, de todas as nações que há debaixoLeia mais →

«Bem sei que sois descendentes de Abraão». […] Aquele que é a semente de Abraão deve tornar-se seu filho, assumindo a sua semelhança. Mas pode acontecer que, por negligência ou inação, destrua essa preciosa semente dentro de si. Jesus sabia que eles eram da descendência de Abraão e que ainda não tinham perdido o poder de se tornar filhos de Abraão. Foi por isso que lhes disse: «Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão»: se eles quisessem deixar crescer esta preciosa semente em todo o seu potencial, compreenderiam as palavras de Jesus. […] Há quem escolha apenas uma das obras de Abraão,Leia mais →

O pecado de Adão foi comunicado a todo o género humano, a todos os seus filhos. […] Portanto, é necessário que também a justiça de Cristo seja comunicada a todo o género humano; tal como Adão, pelo pecado, fez que a sua descendência perdesse a vida, também Cristo, pela justiça, dará a vida aos seus filhos (cf Rom 5,19ss) […]. Na plenitude dos tempos, Cristo recebeu de Maria uma alma e a nossa carne. Ele veio salvar esta carne: não a abandonou na morada dos mortos (cf Sl 15,10), mas uniu-a ao seu espírito e fê-la sua. São as núpcias do Senhor, a sua uniãoLeia mais →