«Cantarei ao Senhor enquanto viver» (Sl 103,33). O que cantará o salmista? Cantará tudo aquilo que Deus é. Cantemos a glória do Senhor durante toda a nossa vida. A nossa vida atual mais não é que uma esperança; a nossa vida futura será a eternidade. A vida desta vida mortal é a esperança da vida imortal: «Cantarei ao Senhor enquanto viver; louvarei o meu Deus enquanto existir». E, porque viverei nele sem fim, enquanto viver cantarei ao meu Deus. Não pensemos que, quando tivermos começado a cantar ao Senhor na cidade do Céu, quereremos fazer outra coisa; nessa altura, toda a nossa vida consistirá emLeia mais →

«Tem os ouvidos cheios de ruídos aterradores, e no meio da paz suspeita de armadilhas» (Jb 15-21, Vg). Pelo contrário, não há coisa mais feliz que um coração simples, que, mostrando-se aos outros pela inocência, nada tem a temer deles; pelo contrário, na sua simplicidade, é como cidadela fortificada, não o preocupa ter de sofrer da parte dos outros aquilo que ele próprio não se lembra de ter feito. Daí as sábias palavras de Salomão: «O temor do Senhor dá firme confiança» (Pr 14,26); e ainda: «A alma segura é como um banquete contínuo» (Pr 15,15). A paz da segurança é como um alimento queLeia mais →

«Sim, mesmo que eu seja ignorante, a minha ignorância está comigo» (Jb 19,4). É próprio dos hereges ensoberbecerem-se com a vã arrogância da sua ciência, escarnecendo da simplicidade de uma fé reta e julgando a vida dos humildes desprovida de mérito. Pelo contrário, a Santa Igreja abaixa humildemente a cabeça diante de qualquer verdade que a sua verdadeira sabedoria alcança, evitando a jactância da ciência, a fatuidade da investigação dos mistérios e a presunção de sondar problemas que estão para além das suas forças; de facto, tem por mais útil aplicar-se a ignorar o que não pode compreender do que a definir descaradamente o queLeia mais →

Na leitura do Evangelho, ouvimos Jesus louvar a nossa fé, associada à humildade. Quando prometeu ir a casa do centurião curar-lhe o servo, este respondeu: «Não mereço que entres em minha casa […]. Mas diz uma palavra e o meu servo será curado». Ao considerar-se indigno, revela-se digno – digno de que Cristo entre não só em sua casa, mas também no seu coração. […] Pois não teria sido para ele grande alegria se o Senhor Jesus tivesse entrado em sua casa sem entrar no seu coração. Com efeito, Cristo, Mestre de humildade pelo seu exemplo e pelas suas palavras, sentou-Se à mesa em casaLeia mais →

Nos «salmos de subida», o salmista aspira a Jerusalém e diz que quer subir. Subir para onde? Desejará ele alcançar o sol, a lua, as estrelas? Não. Deseja subir ao céu, onde se encontra a Jerusalém eterna, e onde vivem os anjos, nossos concidadãos (Heb 12,22). Aqui na terra, estamos exilados, longe deles. Ainda a caminho, neste exílio, suspiramos; ao chegar à cidade, estremeceremos de alegria. Durante a viagem, encontramos companheiros que já viram essa cidade e que nos encorajam a correr para ela. Eles inspiraram ao salmista uma exclamação de alegria: «Que alegria quando me disseram: vamos para a casa do Senhor!» (Sl 122,1).Leia mais →

«Eu tenho a minha testemunha no Céu, um defensor nas alturas» (Job 16,19). Quando o Filho vacilou na Terra, tinha uma testemunha no Céu. Com efeito, o Pai é a testemunha do Filho, como diz no Evangelho: «O Pai, que Me enviou, também Ele deu testemunho de Mim». Mas também é justamente chamado seu confidente, porque é numa única vontade, num único conselho, que o Pai opera sempre com o Filho. E é também sua testemunha porque «ninguém conhece o Filho senão o Pai» (Mt 11,27). O Filho tinha, pois, a sua testemunha no Céu, um defensor nas alturas» no dia em que aqueles queLeia mais →

Deus criou o homem, tirando o seu corpo da matéria que tinha produzido e animando-o com o seu próprio sopro, a que a Escritura chama alma pensante e imagem de Deus. […] Colocou o homem na terra para velar sobre a criação visível, para ser iniciado no mistério espiritual, para reinar sobre as coisas da terra e se sujeitar ao Reino do alto. […] Mas o homem desobedeceu e desde então, por causa do seu pecado, ficou separado da árvore da vida, do paraíso e de Deus. A sua condição exigia uma ajuda poderosíssima, que lhe foi concedida. […] Que abundância de bondade é esta?Leia mais →

Agarrai-nos as raposas, essas raposas pequenas que destroem as vinhas; e as nossas vinhas estão em flor» (Ct 2,15). Como penetrar na profundidade deste pensamento? Que maravilha de grandeza divina se encerra aqui, que transcendência do poder de Deus nos é revelada neste texto? Que nome dá o Poder verdadeiro e único àquele de quem se fala com expressões tão fortes, ao assassino, ao poderoso em malícia, […] ao dominador do poder das trevas (cf Ef 6,12), ao que tem o poder da morte (cf Heb 2,14), […] àquele cuja natureza temível o Verbo nos descreve, mostrando-o tão grande e tão poderoso, ao chefe dasLeia mais →

Meus irmãos, todos os tempos são bons para traduzirmos em atos o bem que é a caridade; mas os dias que vivemos exortam-nos particularmente a fazê-lo. Quem quiser acolher a Páscoa do Senhor com santidade de espírito e de corpo, deve esforçar-se sobretudo por adquirir esta graça, que é a soma de todas as virtudes e «cobre a multidão dos pecados» (1Ped 4,8). Assim, pois, estando prestes a celebrar o maior de todos os mistérios, aquele em que o sangue de Jesus Cristo apagou as nossas iniquidades, preparemos antes de mais o sacrifício de misericórdia, devolvendo a quem nos tiver ofendido aquilo que a bondadeLeia mais →

Não duvido, Senhor, na minha consciência tenho a certeza de que Te amo.Bateste ao meu coração com o teu Verbo e eu amei-Te.Mas o que é que amo quando Te amo?Não é a beleza do corpo, nem o encanto de um momento,nem o brilho da luz que agrada aos meus olhos terrenos,nem as doces melodias dos hinos de todas as modas,nem o suave cheiro das flores, dos perfumes, dos aromas,nem maná nem o céu,nem os membros acolhedores dos abraços da carne.Não são estas as coisas que amo quando amo o meu Deus.E, no entanto, amo uma certa luz e uma certa voz,um certo perfume eLeia mais →