Em todas as obras de verdadeira e perfeita caridade de que vos falo, não há nada que tenha de ser feito com as mãos ou os pés; ninguém pode, pois, argumentar que é incapaz ou que está doente. […] Ninguém poderá apresentar desculpas plausíveis para dizer que não é capaz de pôr estes conselhos em prática. Pois ninguém vos diz: «Jejua mais do que podes, permanece acordado toda a noite sem teres forças para tal» […]; ninguém te obriga a vender todos os teus bens para os dares aos pobres, nem a permaneceres virgem. […] Aquele que pode fazer tudo isto deve dar graças aLeia mais →

Já não servos, mas amigos (Jo 15,15) A Lei foi promulgada para escravos, a fim de educar a alma para as coisas exteriores e corporais, levando-a como que acorrentada à docilidade aos mandamentos, a fim de que o homem aprendesse a obedecer a Deus. Mas o Verbo de Deus libertou a alma; e ensinou-a a purificar, de livre vontade, também o corpo. Portanto, era preciso que fossem retiradas as correntes da servidão, graças às quais o homem se pudera formar, e de futuro ele seguisse a Deus sem correntes. Mas ao mesmo tempo […] era preciso reforçar a submissão ao Rei, a fim de queLeia mais →

A Lei dizia: «Olho por olho, dente por dente» (Ex 21,24). Mas o Senhor exorta-nos, não somente a recebermos com paciência a bofetada de quem a dá, mas ainda a apresentar-lhe humildemente a outra face. A intenção da Lei era ensinar-nos a não fazer o que não queríamos sofrer. Por conseguinte, impedia-nos de fazer o mal pelo medo de sofrer. O que nos é pedido agora é que rejeitemos o ódio, o amor ao prazer, o amor à glória e as outras más tendências. […] Cristo ensina-nos, pelos santos mandamentos, a purificarmo-nos das nossas paixões, para que não nos façam recair nos mesmos pecados. Mostra-nosLeia mais →

O Salvador dirigiu a seu Pai esta prece pelos seus discípulos: «para que o amor com que Me amaste esteja neles, e Eu esteja neles»; e ainda: «que eles sejam todos um, como Tu, Pai, o és em Mim e Eu em Ti, para que também eles sejam um em Nós». Esta prece há de realizar-se plenamente em nós quando o perfeitíssimo amor com que Ele nos amou (1Jo 4,10) for o próprio movimento do nosso coração, em cumprimento desta prece do Senhor […]. Isto acontecerá quando todo o nosso amor, todo o nosso desejo, esforço, procura e pensamento, tudo aquilo que vivemos e deLeia mais →

A Igreja possui a marca e a imagem de Deus porque tem a mesma atividade que Ele. […] Deus trouxe todas as coisas à existência por meio do seu poder infinito, e contém-nas, reúne-as e circunscreve-as. Ele liga fortemente todos os seres, uns aos outros e a Si próprio, na sua Providência. […] A Santa Igreja terá sobre nós os mesmos efeitos que tem Deus, de quem é imagem. Numerosos, quase inumeráveis, são os homens, as mulheres e as crianças, e distintos uns dos outros, infinitamente diferentes pelo nascimento, os traços, a nacionalidade e a língua, o gênero de vida e a idade, as aptidões,Leia mais →

«Despiram-n’O e envolveram-n’O num manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-Lha na cabeça» (Mt 27,28-29). Foi como rei que Cristo foi revestido duma túnica vermelha, e como príncipe dos mártires, […] porque resplandece com o seu sangue sagrado de precioso escarlate. Foi como vencedor que Ele recebeu a coroa, pois é normalmente ao vencedor que se entrega uma coroa. […] A túnica vermelha é um símbolo da Igreja, que, permanecendo com Cristo Rei, brilha com glória régia; daí o título de «reino» que João lhe atribui no Apocalipse (1,6). […] Com efeito, o tecido púrpura é uma coisa preciosa e própria da realeza. EmboraLeia mais →

Deus é amor (1Jo 4,8). E quem empreendesse defini-l’O seria como um cego que pretendesse contar os grãos de areia de uma praia. Quanto à sua natureza, o amor é uma semelhança com Deus, na medida em que é possível os mortais assemelharem-se a Ele; quanto à sua atividade, é uma embriaguez da alma; quanto à sua virtude própria, é a fonte da fé, um abismo de paciência, um oceano de humildade. A caridade é, antes de mais, a rejeição de qualquer pensamento de inimizade, porque a caridade não pensa mal. A caridade, a impassibilidade e a adoção filial distinguem-se apenas pelo nome. Tal comoLeia mais →

No Céu, sentado no teu trono, cá em baixo sentado num burrinho, Cristo, Tu que és Deus, acolhias os louvores dos anjos e os hinos das crianças que Te cantavam: «Bendito sejas, Tu que vens chamar Adão». […] Eis o nosso Rei, manso e pacífico, montado num jumentinho, com pressa de sofrer a sua Paixão e limpar os nossos pecados. O Verbo, Sabedoria de Deus, vem montado num animal para salvar os seres dotados de razão. E pudemos contemplar, sentado no dorso de um burrico, Aquele que conduz os Querubins e que no passado fez subir Elias num carro de fogo, Aquele que, «sendo rico,Leia mais →

«O rosto de Moisés resplandecia porque ele tinha falado com Deus. Aarão e todos os Israelitas viram-no […] e tiveram medo de se aproximar dele. […] Quando Moisés acabou de lhes falar, cobriu o rosto com um véu» (Ex 34,29s). O brilho com o qual o rosto de Moisés resplandecia era Cristo a brilhar nele; mas não Se mostrou aos olhos dos hebreus: eles não O viram. […] Em todo o Antigo Testamento Ele Se nos apresenta velado, como Moisés, o símbolo de toda a profecia. Por detrás desse véu, pairando sobre os livros dos profetas, aparece Cristo, augusto juiz, sentado no seu trono deLeia mais →

Bebei da água viva do Senhor, pois ela brotou para vós (cf Is 12,3). Vinde, vós todos que tendes sede (Is 55,1), recebei a água que sacia. Repousai junto da fonte do Senhor, pois é bela e pura; ela acalma a alma. As suas águas são mais doces do que o mel, o sulco das abelhas não lhe é comparável, pois ela brota dos lábios do Senhor, do coração do Senhor tira o seu nome (cf Jo 7,38). Corre eterna e invisível: antes de aparecer, ninguém a vira. Felizes daqueles que dela beberam e nela saciaram a sua sede. Odes de Salomão (texto cristão hebraicoLeia mais →