«O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram do Verbo da Vida – porque a Vida manifestou-Se» (1Jo 1,1). Houve quem tocasse com suas mãos o Verbo da Vida porque «o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). E este verbo que Se fez homem para ser tocado pelas nossas mãos começou por ser carne no seio da Virgem Maria. Mas não foi nesse momento que começou a ser o Verbo, porque já o era «no princípio», como diz São João. Vede como a sua carta confirmaLeia mais →

Imitemos o comportamento dos apóstolos e não lhes seremos inferiores em nada. Com efeito, não foram os milagres que fizeram deles apóstolos, foi a sua santidade de vida: é nisso que se reconhece um discípulo de Cristo. Essa marca foi-nos dada claramente pelo Senhor: quando quis traçar o retrato dos seus discípulos e revelar o sinal que distinguiria os seus apóstolos, disse: «Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos». Que sinal é esse? Fazer milagres? Ressuscitar os mortos? De forma alguma. Então qual é? Todos os homens «conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35). O amorLeia mais →

 Não chega levantares-te da tua queda, diz [o Esposo], avança e progride no Bem até ao fim do teu caminho na virtude. É isto que nos ensina a história do paralítico: o Verbo não Se contenta em o fazer levantar da sua enxerga, mas ordena-lhe que ande (cf Mt 9,5). O movimento da marcha significa, penso eu, a progressão e o crescimento no Bem. «Levanta-te! Anda, vem daí…»: quanto poder existe nesta ordem! A voz de Deus é verdadeiramente uma voz poderosa, como diz o salmista: «Faz ouvir a sua voz, que é poderosa» (Sl 67,34) e: «Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenouLeia mais →

«Ele retira às profundezas o seu véu de trevas e traz à luz a sombra da morte» (Job 12,22). O que faz o crente quando compreende o sentido misterioso das palavras obscuras dos profetas? Não está a retirar às profundezas o seu véu de trevas? É por isso que, dirigindo-Se aos seus discípulos, a Verdade ordena: «O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia». Com efeito, quando os nossos comentários desfazem os misteriosos nós das alegorias, dizemos à luz aquilo que ouvimos nas trevas. Ora, a sombra da morte era a dureza da Lei, que prescrevia a todo o pecador a puniçãoLeia mais →

«Sou um desconhecido aos seus olhos» (Jb 19,15). Não ser conhecido na sinagoga era, para o nosso Redentor, estar em sua casa como quem está de passagem. É o que atesta o Profeta com aquelas palavras: «Porque te comportas nesta terra como um estrangeiro, como um viajante que apenas para a pedir dormida?» (Jr 14,8). Visto que Ele não foi escutado como Senhor, não foi tido como proprietário da terra, mas como jornaleiro. E, como um viajante, parou apenas para pedir dormida: não levou para a Judeia senão alguns homens e foi por causa da vocação dos gentios que fez essa viagem. Portanto, Ele foi,Leia mais →

«O homem, ao morrer, acaba. O mortal expira e onde está ele?» (Jb 14,10). Haverá algum homem que não tenha pecado. Há um só, aquele que veio a este mundo sem nascer do pecado. E, como estamos todos acorrentados no pecado, todos morremos da própria perda da justiça, despojados da veste da inocência que nos tinha sido concedida no Paraíso e consumidos pela morte da carne que é sua consequência. […] É esta nudez de seu filho pecador que o pai quer cobrir ao vê-lo regressar, dizendo: «Trazei depressa a melhor túnica». Sim, a melhor túnica, que é a veste da inocência que o homemLeia mais →

O Senhor apenas pronuncia estas palavras: «Lázaro, sai para fora», qual amo que chama um servo. E o servo saiu, obedecendo a seu amo? Saiu e não tardou. O Hades não esperou, a morte não se rebelou, as forças do abismo não se atrasaram; pelo contrário, encheram-se de medo. O Hades, que retinha Lázaro há três dias, foi abalado como um navio sem cavilhas, até alcançar a tranquilidade. Os poderes do abismo não podiam conceber que Lázaro viesse a ser arrancado aos lugares subterrâneos. Mas, quando a voz do Mestre desceu ao túmulo com uma grande luz e novamente fez crescer o cabelo na cabeçaLeia mais →

Queres saber que força se esconde no sangue de Cristo? Vê de onde foi que ele começou a correr e qual é a sua origem: vem da cruz, do lado do Senhor. Estando Jesus já morto, diz o evangelho, mas ainda suspenso da cruz, veio um soldado «e abriu-Lhe o lado com um golpe de lança, e dele saiu sangue e água» (Jo 19,33-34). Esta água era o símbolo do batismo, o sangue, o símbolo dos mistérios eucarísticos. […] Foi, pois, um soldado que Lhe abriu o lado, perfurando a muralha do Templo santo; e eu encontrei este tesouro, e fiz dele a minha fortuna.Leia mais →

Senhor nosso Deus, nós cremos em Ti,Pai, Filho e Espírito Santo. […]Procurei-Te como pude,conforme a capacidade que me deste;desejando ver aquilo em que acreditava,muito debati e trabalhei.Senhor meu Deus, minha única esperança,não permitas que deixe jamais de Te procurar,mas faz com que busque sempre o teu rosto com ardor.Dá-me a força de Te procurar,Tu, que me fizeste encontrar-Te,Tu, que me deste mais e maisa esperança de Te encontrar.Diante de Ti está a minha constância e a minha enfermidade,guarda aquela e sara esta;diante de Ti está a minha força e a minha ignorância.Tu, que me abriste, acolhe a minha entrada;Tu, que me fechaste, abre ao meuLeia mais →

«Ela [Rebeca] desceu à fonte e encheu o cântaro», diz-nos a Escritura (Gn 24,16). Todos os dias Rebeca ia à fonte buscar água. E, como todos os dias passava algum tempo junto do poço, o servo de Abraão pôde encontrá-la e dá-la em casamento a Isaac. Poderíamos pensar que se trata de um conto ou de uma bela história posta na Escritura pelo Espírito Santo; mas não, trata-se de um verdadeiro ensinamento espiritual, de uma instrução dirigida à nossa alma, para a ensinar a ir todos os dias à fonte das Escrituras, às águas do Espírito Santo, tirar água sem se cansar, para levar oLeia mais →