Não chega levantares-te da tua queda, diz [o Esposo], avança e progride no Bem até ao fim do teu caminho na virtude. É isto que nos ensina a história do paralítico: o Verbo não Se contenta em o fazer levantar da sua enxerga, mas ordena-lhe que ande (cf Mt 9,5). O movimento da marcha significa, penso eu, a progressão e o crescimento no Bem. «Levanta-te! Anda, vem daí…»: quanto poder existe nesta ordem! A voz de Deus é verdadeiramente uma voz poderosa, como diz o salmista: «Faz ouvir a sua voz, que é poderosa» (Sl 67,34) e: «Ele disse e tudo foi feito, Ele ordenouLeia mais →

Considerando que o espírito se liberta da carne, que a carne se transforma em podridão, que a podridão se reduz a pó e que o pó se reduz aos seus elementos, a ponto de se tornar invisível aos olhos do homem, alguns espíritos desesperam de vir a ressuscitar. Tendo diante dos olhos ossos secos, não têm fé de que esses ossos venham a revestir-se da sua carne e possam readquirir a verde frescura da vida. Mas, se não têm fé na ressurreição por obediência, deveriam tê-la ao menos pela razão. Com efeito, não é verdade que o mundo imita todos os dias, nos seus própriosLeia mais →

Tem piedade, Senhor, dos teus pequenos.Freio dos potros indisciplinados,asa dos pássaros que não se perdem,verdadeiro leme dos navios,pastor dos cordeiros reais,junta os teus simples filhospara o santo louvor,para cantarem com sinceridade,a Cristo, condutor das crianças.Sê o guia, ó Pastordas ovelhas sensatas.Conduz, ó santo,os filhos sem mácula.Deus dos que cantam, Jesus Cristo. São Clemente de Alexandria (150-c. 215)O pedagogoFonte: Evangelho Cotidiano

Celebrai a eucaristia deste modo. Dizei primeiro sobre o cálice: «Nós Te agradecemos, Pai nosso, pela santa vinha do teu servo David, que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. Glória a Ti para sempre». Depois, dizei sobre o pão partido: «Nós Te agradecemos, Pai nosso, pela vida e o conhecimento que nos revelaste por meio do teu servo Jesus. Glória a Ti para sempre. Assim como este pão partido tinha sido semeado sobre as colinas, e foi depois recolhido para se tornar um só, assim também a tua Igreja seja reunida desde os confins da terra no teu reino. Glória e poder aLeia mais →

Não me desagrada seguir o exemplo de Paulo: munido das cartas que tinha pedido para ir contra Cristo, dirigia-se a Damasco quando, subitamente, a graça do Espírito Santo o inundou pelo caminho; perdendo a sua crueza, Paulo muda e eis que se oferece, por Cristo, aos golpes que vinha trazer aos cristãos. Aquele que ontem, vivendo segundo a carne, se empenhava em levar a morte aos santos do Senhor tem hoje prazer em imolar a vida da sua própria carne para salvar a vida desses mesmos santos. As frias maquinações da sua crueza transformam-se em caridade ardente e aquele que blasfemava e perseguia descobriu umaLeia mais →

O maior dos homens foi enviado para dar testemunho daquele que era mais que um homem. Com efeito, quando aquele que «é o maior de entre os nascidos de mulher» (cf Mt 11,11) diz: «Eu não sou o Messias» (Jo 1,20) e se humilha face a Cristo, temos de entender que Cristo não é apenas um homem. […] «Sim, todos nós participamos da sua plenitude, recebendo graça sobre graça» (Jo 1,16). Que quer dizer «todos nós»? Quer dizer os patriarcas, os profetas e os santos apóstolos, aqueles que precederam a encarnação ou que foram enviados depois pelo próprio Verbo encarnado, «todos nós participamos da suaLeia mais →

«O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram do Verbo da Vida – porque a Vida manifestou-Se» (1Jo 1,1). Houve quem tocasse com suas mãos o Verbo da Vida porque «o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós» (Jo 1,14). E este verbo que Se fez homem para ser tocado pelas nossas mãos começou por ser carne no seio da Virgem Maria. Mas não foi nesse momento que começou a ser o Verbo, porque já o era «no princípio», como diz São João. Vede como a sua carta confirmaLeia mais →

A fundação da Igreja é uma criação do mundo; nela, na expressão do profeta (cf Is 65,17), foi criado um novo Céu — que é «a solidez da fé em Cristo», como diz São Paulo (Cl 2,5) –, foi fundada uma nova Terra, «que bebe a chuva que cai sobre ela» (Hb 6,7), foi modelado outro homem, renovado pelo nascimento do alto, à imagem do seu Criador; torna-se outra a natureza dos astros, dos quais se diz: «Vós sois a luz do mundo» e «Brilhais como luzes para o mundo» (Fil 2,15) e como astros numerosos que se erguem no firmamento da fé. Não éLeia mais →

O Senhor disse: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mt 9,13). A nenhum cristão é permitido, pois, odiar seja quem for, dado que ninguém pode ser salvo senão pelo perdão dos pecados, e não sabemos até que ponto a graça do Espírito pode valorizar aqueles que a sabedoria do mundo despreza. Que o povo de Deus seja santo e bom: santo para se afastar do que é proibido, bom para agir de acordo com os mandamentos. Embora seja ótimo ter fé reta e sã doutrina, e embora a sobriedade, a mansidão e a pureza sejam louváveis, todas estas virtudes são vãs semLeia mais →

Judas exprimiu o seu arrependimento: «Pequei ao entregar sangue inocente» (Mt 27, 4). Mas o demônio, ao ouvir estas palavras, percebeu que Judas estava no bom caminho e, assustado com esta transformação, refletiu: «O Mestre é benevolente; quando ia ser traído por ele, chorou pelo seu destino e suplicou-lhe de mil maneiras que não o fizesse; seria muito de admirar que não o recebesse se ele se arrependesse com toda a sua alma, que renunciasse a abraçá-lo se ele se erguesse e reconhecesse o seu pecado. Não foi por isso que Ele foi crucificado?». Após estas reflexões, lançou uma profunda perturbação no espírito de Judas,Leia mais →