Uma cananeia aproximou-se de Jesus e pôs-se a suplicar-Lhe em grandes brados pela filha, que estava possuída pelo demónio. […] O que era esta mulher — uma estrangeira, uma bárbara sem qualquer relação com a comunidade judaica — senão uma cadela indigna de obter que pedia? «Não está certo tirar o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». No entanto, a sua perseverança fez com que merecesse ser atendida. À que era apenas uma cadela, Jesus elevou-a à nobreza dos filhos pequenos; mais ainda, cobriu-a de elogios, dizendo-lhe à despedida: «Ó mulher, grande é a tua fé! Faça-se como desejas» (Mt 15,28). Quando ouvimosLeia mais →

Contemplai os mistérios do amor e vereis «o seio do Pai», que «nos deu a conhecer o seu Filho unigênito», que é Deus (Jo 1:18). Deus é amor (1Jo 4:8) e, devido a esse amor, deixou-Se ver por nós. No seu ser inexprimível, Ele é Pai; na sua compaixão para conosco, tornou-Se Mãe. Ao amar, o Pai revela também uma dimensão feminina. A prova incontestável deste amor é Aquele que Ele gera de Si mesmo. E este Filho, fruto do amor, é amor. Por causa deste amor, Ele desceu até nós. Por causa deste amor, revestiu-Se da nossa humanidade. Por causa deste amor, sofreu livrementeLeia mais →

As portas estão abertas a quantos se voltarem para Deus com sinceridade e de todo o coração e é com alegria que o Pai recebe um filho verdadeiramente arrependido. Qual é o sinal do arrependimento verdadeiro? Não voltar a cair em velhos erros e arrancar do coração, pela raiz, os pecados que nos fazem correr perigo de morte; quando estes estiverem apagados, Deus virá habitar em nós. Porque, como diz a Escritura, um pecador que se converte e se arrepende dará ao Pai e aos anjos do Céu uma imensa e incomparável alegria (cf Lc 15,10). Foi por isso que o Senhor disse: «Eu queroLeia mais →

«Tenho a carne consumida, os ossos agarrados à pele» (Jó 19: 20). Os ossos designam a força do corpo; a carne, a sua fraqueza. Uma vez que Cristo e a Igreja são uma só pessoa, o que representarão os ossos? O Senhor. E a carne? Os discípulos, que, na hora da sua Paixão, só conheceram a sabedoria dos fracos. E a pele, que é exterior à carne e permanece no corpo, representa as santas mulheres, que, dispostas a prestar-Lhe assistência corporal, serviam o Senhor nas suas necessidades exteriores. Quando os discípulos de Jesus, ainda muito fracos, pregavam ao povo a fé na verdade, eram aLeia mais →

Diz o profeta num salmo: «Minha alma definha na tua salvação; espero na tua palavra» (118,81). […] Este anseio exprime a «raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus» (1Pe 2,9), cada um na sua época, em todos aqueles que viveram, que vivem e que viverão, desde o início da humanidade até ao fim do mundo. […] Por isso, o próprio Senhor disse aos seus discípulos: «Muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes»; são eles que falam neste salmo. […] Esse desejo nunca cessou nos santos e não cessa, mesmo agora, no «corpo de Cristo, que é a Igreja» (ColLeia mais →

«Andam às apalpadelas na escuridão» (Job 12,25). Pois perturbar-se com tantos milagres evidentes é andar às apalpadelas, como quem está no escuro: é tocar e não ver. E quem anda a vaguear é atraído ora para um lado, ora para outro; assim, ora se mostravam crentes: «Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer estas coisas» (Jo 9,33), ora diziam, com palavras desdenhosas, que Ele não vinha de Deus: «Não é Ele o filho do carpinteiro? A sua Mãe não se chama Maria e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E as suas irmãs não vivem entre nós?». Por isso, éLeia mais →

«Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas» (Jo 8,12). De facto, o Senhor ilumina aqueles que estão cegos. Nós, irmãos, somos iluminados nesta vida pelo colírio da fé. O Senhor misturou saliva com terra para com ela ungir os olhos do cego de nascença (cf Jo 9,6). Também nós, filhos de Adão, somos cegos de nascença e precisamos que o Senhor nos ilumine. Ele mistura a sua saliva com terra: «E o Verbo fez-se homem, e veio habitar connosco» (Jo 1,14) […]. Havemos de O ver face a face; diz o apóstolo Paulo: «Agora vemos como num espelho, deLeia mais →

O Senhor disse: «Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mt 9,13). A nenhum cristão é permitido, pois, odiar seja quem for, dado que ninguém pode ser salvo senão pelo perdão dos pecados, e não sabemos até que ponto a graça do Espírito pode valorizar aqueles que a sabedoria do mundo despreza. Que o povo de Deus seja santo e bom: santo para se afastar do que é proibido, bom para agir de acordo com os mandamentos. Embora seja ótimo ter fé reta e sã doutrina, e embora a sobriedade, a mansidão e a pureza sejam louváveis, todas estas virtudes são vãs semLeia mais →

Não me desagrada seguir o exemplo de Paulo: munido das cartas que tinha pedido para ir contra Cristo, dirigia-se a Damasco quando, subitamente, a graça do Espírito Santo o inundou pelo caminho; perdendo a sua crueza, Paulo muda e eis que se oferece, por Cristo, aos golpes que vinha trazer aos cristãos. Aquele que ontem, vivendo segundo a carne, se empenhava em levar a morte aos santos do Senhor tem hoje prazer em imolar a vida da sua própria carne para salvar a vida desses mesmos santos. As frias maquinações da sua crueza transformam-se em caridade ardente e aquele que blasfemava e perseguia descobriu umaLeia mais →

Irmãos bem-amados, hoje o Verbo de Deus, Deus, Filho de Deus, que no início estava com Deus, por quem tudo foi feito e sem quem nada se fez (cf Jo 1:3), para libertar o homem da morte eterna, tornou-Se homem. Para revestir a nossa humildade sem que a sua majestade ficasse diminuída, abaixou-Se de tal forma que, permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira natureza do servo àquela em que era igual a Deus Pai. Caríssimos irmãos, demos graças a Deus Pai, por meio de seu Filho, no Espírito Santo, porque, na sua infinita misericórdia nos amou e teveLeia mais →