A luz é suave e é bom contemplar o sol com os nossos olhos de carne […]; é por isso que já Moisés dizia: «Deus viu que a luz era boa» (Gn 1,4). […] Como é bom para nós pensar na grande, verdadeira e indefectível luz «que, ao vir ao mundo, a todo o homem ilumina» (Jo 1,9), isto é, Cristo, o Salvador do mundo e seu libertador. Depois de Se ter revelado ao olhar dos profetas, fez-Se homem e penetrou até às últimas profundezas da condição humana. É dele que fala o profeta David ao dizer: «Louvai a Deus, cantai salmos ao seu nome,Leia mais →

O céu brilha quando é iluminado pelo coro das estrelas, e o universo brilha ainda mais quando se ergue a estrela da manhã. Esta noite, porém, não resplandece tanto com o brilho dos astros, mas de alegria perante a vitória do nosso Deus e Salvador: «Tende confiança! Eu venci o mundo», diz Ele (Jo 16,3). Depois desta vitória de Deus sobre o inimigo invisível, também nós obteremos certamente a vitória sobre os demônios. Permaneçamos, pois, junto da cruz da nossa salvação, a fim de colhermos os primeiros frutos dos dons de Jesus. Celebremos esta noite santa com chamas sagradas; façamos erguer a música divina, cantemosLeia mais →

«Nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão» (1Cor 10,17). O que é o pão que comemos? O Corpo de Cristo. Em que se transformam os comungantes? No corpo de Cristo; não numa multidão, mas num único corpo. Assim como o pão, constituído por muitos grãos de trigo, é um único pão no qual desaparecem os grãos, assim como os grãos subsistem nele, sendo contudo impossível detetar o que os distingue em massa tão bem ligada, assim também nós, juntos e com Cristo, formamos um todo. Com efeito, não é de um corpo que se alimenta determinado membro, alimentando-seLeia mais →

Da casa real de David foi escolhida uma virgem para em seu seio carregar uma criança santa, filho simultaneamente divino e humano […]. O Verbo, a Palavra de Deus, que é o próprio Deus, o Filho de Deus que no «princípio estava em Deus, por quem tudo começou a existir e sem quem nada veio à existência» (Jo 1,1-3), esse Filho fez-Se homem para libertar o homem da morte eterna. Ele desceu até à humildade da nossa condição sem que com isso a sua majestade tivesse sido diminuída. Mantendo-Se o que era e assumindo o que não era, uniu uma verdadeira natureza de servo àLeia mais →

Só os cristãos estimam as coisas pelo seu verdadeiro valor, não tendo os mesmos motivos para se regozijarem e se entristecerem que o resto dos homens. À vista de um atleta ferido, levando na cabeça a coroa de vencedor, quem nunca praticou um desporto considera somente as feridas que fazem sofrer aquele homem e não imagina a felicidade que lhe proporciona a sua recompensa. Assim fazem as pessoas de quem falamos: sabem que sofremos provações, mas ignoram porque as suportamos e só consideram os nossos sofrimentos; veem as lutas nas quais estamos envolvidos e os perigos que nos ameaçam, mas as recompensas e as coroasLeia mais →

Há dois caminhos para o ensino e para a ação: o da luz e o das trevas. É grande a distância entre esses dois caminhos. Ao longo de um deles, estão os anjos de Deus, transportando a luz; no outro, estão os anjos de Satanás. […] Eis o caminho da luz. Quem quiser caminhar por ele até ao fim terá de se aplicar à sua tarefa. Este é o conhecimento que nos foi dado para avançarmos nesse caminho: amarás aquele que te criou, temerás o que te modelou, glorificarás o que te resgatou da morte, serás simples de coração e rico de espírito. Não teLeia mais →

Dois dos discípulos caminhavam juntos. Eles não acreditavam, e no entanto falavam sobre o Senhor. De repente Este apareceu-lhes, mas sob uns traços que não lhes permitiam reconhecê-Lo. […] Convidam-no para partilhar da sua pousada, como é costume entre viajantes […] Põem a mesa, apresentam os alimentos, e descobrem a Deus, que não tinham ainda reconhecido na explicação das Escrituras, na fração do pão. Não foi portanto ao escutarem os preceitos de Deus que foram iluminados, mas ao cumpri-los: «Não são os que ouvem a Lei que são justos diante de Deus, mas os que praticam a Lei é que serão justificados» (Rom 2,13). SeLeia mais →

Dado que os homens se tornaram insensatos e que o engano dos demônios lançou sobre eles uma sombra que escondeu o conhecimento do verdadeiro Deus, o que haveria Deus de fazer? Calar-Se perante uma situação destas? Aceitar que os homens se extraviassem e não O conhecessem? […] Deus não podia permitir que as suas criaturas se extraviassem para longe dele e fossem sujeitas ao nada, sobretudo se este extravio se tornasse para eles causa de ruína e perdição, quando os seres que participaram na imagem de Deus (Gn 1,26) não devem perecer. Que é pois necessário que Deus faça? Que fazer, senão renovar neles aLeia mais →

Ao longo dos tempos, duas grandes revoluções abalaram a Terra; são elas os dois Testamentos. Com uma, os homens passaram da idolatria à Lei; com a outra, passaram da Lei ao Evangelho. Um terceiro acontecimento fora previsto: aquele que nos há de fazer subir às alturas, onde já não haverá movimento nem agitação. Ora, aqueles dois Testamentos apresentaram o mesmo carácter […]: não transformaram tudo de forma repentina, desde o primeiro impulso do seu movimento […]. Assim foi para não nos violentar, mas nos persuadir. Porque o que é imposto pela força não perdura no tempo […]. O Antigo Testamento manifestou o Pai de formaLeia mais →

Quando enfrentais corajosamente as tentações, não é a tentação que vos torna fiéis e constantes; ela apenas revela as virtudes de constância e coragem que já existiam em vós, mas escondidas. «Pensas», diz o Senhor, «que Eu tinha outro objetivo, ao falar assim, do que tornar visível a tua justiça?» (Job 40,3 LXX) E diz noutro lugar: «Afligi-te e fiz-te sentir fome para manifestar aquilo que tinhas no coração» (Dt 8,3-5). Da mesma maneira, a tempestade não torna sólido o edifício costruído sobre areia. Se queres construir, que seja sobre rocha. Então, quando a tempestade se levantar, não derrubará o que estiver fundado sobre rocha;Leia mais →