Assim, irmãos caríssimos, nunca mais morreremos. Ainda que este nosso corpo se dissolva, viveremos em Cristo, como Ele próprio diz: «Aquele que acredita em Mim, ainda que morra, viverá» (Jo 11,25). Temos a certeza, fundada no testemunho do Senhor, de que Abraão, Isaac e Jacob e todos os santos de Deus estão vivos. É o próprio Senhor que diz a respeito deles: «para Ele todos estão vivos, porque [Deus ] não é um Deus de mortos, mas de vivos»; e, falando de si próprio, o próprio Apóstolo afirma: «para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. […] Tenho o desejo de partir e estarLeia mais →

«Jesus, lembra-Te de mim, quando vieres com a tua realeza». O ladrão não ousou fazer esta prece sem antes, pela confissão, se ter libertado do fardo dos seus pecados. Vê bem, cristão, a força da confissão: ele confessou os seus pecados e o paraíso abriu-se-lhe; confessou os seus pecados e ganhou confiança bastante para pedir o Reino dos Céus, depois de tantos roubos que tinha cometido. […] Queres conhecer o Reino? Que vês aqui que se lhe assemelhe? Tens debaixo dos olhos os pregos e uma cruz, mas essa cruz, dizia Jesus, é o próprio sinal do Reino. E eu, ao vê-Lo na cruz, proclamo-OLeia mais →

O Sol da justiça (Mal 3,20), desaparecido há três dias, ergue-Se hoje e ilumina toda a criação: Cristo, que esteve no túmulo três dias, existia antes de todos os séculos! Ele rebenta a terra como uma vinha e enche de alegria toda a terra habitada. Fixemos os nossos olhos no nascer de um sol que nunca conhecerá o poente; façamos avançar o dia e enchamo-nos da alegria desta luz! As portas dos infernos foram quebradas por Cristo, os mortos erguem-se como que de um sono. Cristo levanta-Se, Ele que é a ressurreição dos mortos, e vem despertar Adão. Cristo, ressurreição de todos os mortos, levanta-SeLeia mais →

Quando o Senhor veio, era já o fim do mundo. Aliás, Ele mesmo o dizia, situando-Se no fim dos tempos: «Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está muito próximo» (Mt 4,17). Mas reteve e atrasou o dia da consumação; proibiu-o de aparecer. Porque Deus Pai, vendo que a salvação dos povos só pode vir por Jesus, disse-Lhe: «Pede-Me, e dar-Te-ei as nações como herança e o teu poder estender-se-á até aos confins da terra» (Sl 2,8). Portanto, até ao cumprimento desta promessa do Pai, até que as Igrejas se acrescentem com as diversas nações e que nelas entre toda «a plenitude dos pagãos» para que,Leia mais →

«Vinde ver o lugar onde repousava o Senhor» (Mt 28,6). […] Vinde ver o lugar onde foi redigida a acta que garante a vossa ressurreição. Vinde ver o lugar onde a morte foi sepultada. Vinde ver o lugar onde um corpo, um grão que não foi semeado pelo homem, produziu uma multidão de espigas para a imortalidade. […] «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que devem ir para a Galileia. Lá Me verão». Eis o que o Senhor disse às mulheres. Ainda agora, à beira da piscina baptismal, Ele permanece invisível junto dos crentes, mas abraça os recém-baptizados como amigos e irmãos. […] EleLeia mais →

Não estejamos presos às coisas deste mundo; que os bens da terra não desviem o nosso olhar do céu. Tomemos por passado o que já não é praticamente nada; que o nosso espírito, agarrado ao que deve viver, fixe o seu desejo nas promessas de eternidade. Embora sejamos ainda «salvos na esperança» (Rom 8,24), embora possuamos ainda uma carne sujeita à corrupção e à morte, podemos com certeza afirmar que somos capazes de viver fora da carne, se escaparmos à influência das suas paixões. Não, já não merecemos o nome desta carne, nós que fizemos o possível por calar os seus apelos. […] Que oLeia mais →

Querer pôr a esperança e a confiança em bens passageiros é querer fazer  fundações em água corrente. Tudo passa; Deus permanece. Agarrarmo-nos ao que é transitório é desligarmo-nos do que é permanente. Quem é o homem que, levado no turbilhão agitado de um rápido, consegue manter-se firme no seu lugar, no meio dessa  torrente fragorosa? Se não quisermos ser levados pela corrente, temos de nos afastar de tudo o que corre; senão, o objeto do nosso amor constranger-nos-á a chegar ao que precisamente queremos evitar. Aquele que se agarra aos bens transitórios será certamente arrastado até onde vão ter essas coisas a que se apega. A primeiraLeia mais →

Quando se aproximou de Jerusalém e a viu, o nosso Senhor e Salvador chorou sobre ela: «Se ao menos hoje conhecesses o que te pode dar a paz! Mas não. Está escondido a teus olhos. Dias virão para ti, em que os teus inimigos te rodearão de trincheiras» […]. Alguém poderá dizer: «O sentido destas palavras é claro; com efeito, elas realizaram-se a propósito de Jerusalém: o exército romano cercou-a e devastou-a até à exterminação e virá o tempo em que dela não restará pedra sobre pedra.» Não o nego, Jerusalém foi destruída por causa da sua cegueira, mas pergunto: aquele choro não diria respeitoLeia mais →

Dou-te a conhecer os cinco caminhos da conversão: o primeiro é o arrependimento pelos nossos pecados; depois, o perdão concedido às ofensas do próximo; o terceiro consiste na oração; o quarto, na esmola; o quinto, na humildade. Não fiques, pois, inativo, mas toma cada dia todos estes caminhos. São caminhos fáceis e não podes apresentar como pretexto a tua miséria. Pois, mesmo que vivas na maior pobreza, podes abandonar a cólera, praticar a humildade, rezar assiduamente e arrepender-te dos teus pecados […]. Uma vez que estejas no caminho da conversão, dá o que possuis. Nem a pobreza nos impede de cumprir este mandamento: vemo-lo naLeia mais →

Para definir o papel dos servos que colocou à frente do seu povo, o Senhor diz a seguinte palavra, que o Evangelho nos transmite: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado». […] Se perguntarmos que medida de trigo é esta, São Paulo responde-nos: é «a medida de fé que Deus vos repartiu» (Rom 12,3). Àquilo a que Cristo chama medida de trigo, chama Paulo medida de fé, para nos ensinar que não háLeia mais →