Tu, que és o mais pequeno dos homens, queres encontrar a vida? Preserva em ti a fé e a humildade, e encontrarás nelas a compaixão, a ajuda, as palavras que Deus te dirá no coração, mas também Aquele que te guarda e que permanece secreta e visivelmente junto de ti. Queres descobrir aquilo que te dará a vida? Percorre a via da simplicidade. Não pretendas conhecer coisa alguma diante de Deus. A fé é uma consequência da simplicidade; mas a presunção, que afasta a alma de Deus, é uma consequência da subtileza do conhecimento e dos meandros do pensamento. Quando te apresentares diante de DeusLeia mais →

O sol inclinava-se em direção ao poente. Mas o fervor da minha irmã Macrina não decaía; quanto mais se aproximava o momento da partida, mais ela corria em direção ao seu bem-amado. […]. Já não se dirigia a nós, os que estávamos ali presentes, mas apenas Àquele de quem não desviava o olhar […]: «Foste Tu, Senhor, que anulaste o nosso medo da morte. Foste Tu que fizeste com que, para nós, o termo da vida terrestre se tornasse o começo da vida verdadeira. És Tu que, por um tempo, deixas os nossos corpos repousar em dormição e os acordas novamente “ao som da trombetaLeia mais →

«Porque choras?» És tu a causa das tuas lágrimas, é por tua causa que choras. […] Choras porque não acreditas em Cristo; acredita e vê-Lo-ás. Cristo nunca deixa de aparecer a quantos O procuram. «Porque choras?» Não é de lágrimas que precisas, mas de uma fé atenta e digna de Deus. Não penses nas coisas mortais e não chorarás. […] Porque choras com aquilo que alegra os outros? «A quem procuras?» Não vês que Cristo é a força de Deus, que Cristo é a sabedoria de Deus, que Cristo é santidade, que Cristo é castidade, que Cristo é pureza, que Cristo nasceu de uma virgem,Leia mais →

Assim, irmãos caríssimos, nunca mais morreremos. Ainda que este nosso corpo se dissolva, viveremos em Cristo, como Ele próprio diz: «Aquele que acredita em Mim, ainda que morra, viverá» (Jo 11,25). Temos a certeza, fundada no testemunho do Senhor, de que Abraão, Isaac e Jacob e todos os santos de Deus estão vivos. É o próprio Senhor que diz a respeito deles: «para Ele todos estão vivos, porque [Deus ] não é um Deus de mortos, mas de vivos»; e, falando de si próprio, o próprio Apóstolo afirma: «para mim, viver é Cristo e morrer, um lucro. […] Tenho o desejo de partir e estarLeia mais →

O nascimento de João é cheio de milagres. Um arcanjo anunciou a vinda do nosso Senhor e Salvador; também um arcanjo anuncia o nascimento de João. «Será cheio do Espírito Santo desde o seio materno». O povo não reconheceu nosso Senhor, que realizava milagres e prodígios e curava as suas doenças, mas João, ainda no seio materno, exulta de alegria à chegada da Mãe de Jesus, sem que seja possível reprimi-lo: «Desde o instante em que a tua saudação chegou aos meus ouvidos», diz Isabel, «o menino estremeceu de alegria no meu seio» (Lc 1,44). Ainda no seio de sua mãe, João tinha já recebidoLeia mais →

Herodes, o rei traidor, enganado pelos magos, envia os seus esbirros a Belém e arredores, com ordem de matarem todas as crianças com menos de dois anos. […] Nada porém conseguiste obter, bárbaro cruel e arrogante: podes fazer mártires, mas não conseguirás encontrar a Cristo. O infeliz tirano estava convencido de que o advento do Senhor, nosso Salvador, o faria cair de seu trono real. Mas não foi assim, pois Cristo não tinha vindo usurpar a glória de outro, mas ofertar-nos a sua. Ele não tinha vindo apoderar-Se de um reino terreno, mas dar-nos o Reino dos Céus. Ele não tinha vindo roubar dignidades, masLeia mais →

A moderação é sem dúvida a mais bela das virtudes. […] É só a ela que a Igreja, adquirida pelo preço do sangue do Senhor, deve a sua expansão; ela é a imagem do benefício celeste da redenção universal. […] Consequentemente, quem se aplica a corrigir os defeitos da fraqueza humana deve suportar e em certa medida sentir o peso desta fraqueza sobre os próprios ombros, e não a rejeitar. Porque lemos que o pastor do Evangelho levou a ovelha fatigada, e não a rejeitou (Lc 15,5) […] A moderação, com efeito, deve temperar a justiça. Não sendo assim, como poderia alguém a quem mostrasLeia mais →

Como é lógico, é o evangelista João quem introduz João Batista no seu discurso sobre Deus, «o abismo que atrai o abismo» à voz dos mistérios divinos (Sl 41,8): o evangelista conta a história do precursor. Aquele que recebeu a graça de conhecer o Verbo no princípio (Jo 1,1) dá-nos uma lição acerca daquele que recebeu a graça de vir à frente do Verbo encarnado. […] Ele não diz simplesmente que houve um enviado de Deus, mas que houve «um homem». Fala assim para distinguir o precursor, que apenas participa da humanidade, daquele Homem que, unindo estreitamente em Si a divindade e a humanidade, veioLeia mais →

«Vinde ver o lugar onde repousava o Senhor» (Mt 28,6). […] Vinde ver o lugar onde foi redigida a acta que garante a vossa ressurreição. Vinde ver o lugar onde a morte foi sepultada. Vinde ver o lugar onde um corpo, um grão que não foi semeado pelo homem, produziu uma multidão de espigas para a imortalidade. […] «Não temais. Ide avisar os meus irmãos que devem ir para a Galileia. Lá Me verão». Eis o que o Senhor disse às mulheres. Ainda agora, à beira da piscina baptismal, Ele permanece invisível junto dos crentes, mas abraça os recém-baptizados como amigos e irmãos. […] EleLeia mais →

Querer pôr a esperança e a confiança em bens passageiros é querer fazer  fundações em água corrente. Tudo passa; Deus permanece. Agarrarmo-nos ao que é transitório é desligarmo-nos do que é permanente. Quem é o homem que, levado no turbilhão agitado de um rápido, consegue manter-se firme no seu lugar, no meio dessa  torrente fragorosa? Se não quisermos ser levados pela corrente, temos de nos afastar de tudo o que corre; senão, o objeto do nosso amor constranger-nos-á a chegar ao que precisamente queremos evitar. Aquele que se agarra aos bens transitórios será certamente arrastado até onde vão ter essas coisas a que se apega. A primeiraLeia mais →