Quando o nosso Senhor e Salvador se aproximou de Jerusalém, ao vê-la, chorou sobre ela: «Se neste dia tivesses conhecido, tu também, O que te pode trazer a paz! Mas isso ficou oculto aos teus olhos. Virão dias para ti em que os teus inimigos te hão-de cercar de trincheiras»… Talvez alguém diga: «O sentido destas palavras é claro; de facto, elas realizaram-se em relação a Jerusalém; a armada romana sitiou-a e devastou-a até ao extermínio, e tempos virão em que não ficará pedra sobre pedra». Não o nego, Jerusalém foi destruída por causa da sua cegueira, mas coloco a questão: não se referem essasLeia mais →

Quando chegou para a natureza humana o momento de se encontrar com a natureza divina e de ficar unida a ela tão intimamente que as duas não formassem senão uma só pessoa, cada uma delas devia necessariamente ter-se manifestado já na sua integridade. No que toca a Deus, Ele tinha-se revelado da maneira que convinha a Deus; a Virgem é aquela que dá à luz a natureza humana… Até parece que, se Deus se misturou com a natureza humana não na sua origem mas no fim dos tempos (Ga 4,4), foi porque, antes desse momento, esta natureza ainda não tinha plenamente nascido, ao passo queLeia mais →

«Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Heb 1, 3). […] Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de senhor; será também mais tarde, no dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, aquando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que seLeia mais →

Lembremo-nos daquela viúva que, preocupada com os pobres, de si mesma se esqueceu a ponto de dar tudo o que lhe restava para viver, pensando na única vida que havia de vir, como o atesta o próprio Senhor. Os outros tinham dado o que lhes era supérfluo, mas ela, talvez mais pobre que muitos pobres – pois a sua fortuna estava reduzida a duas simples moedas -, era mais rica, em seu coração, que todos os ricos. Ela só olhava para as riquezas da recompensa eterna; desejosa dos tesouros celestes, renunciou a tudo o que possuía, bem como aos bens que vêm da terra eLeia mais →

Com os olhos do corpo, observamos o que se passa na vida e na terra; discernimos a diferença entre a luz e a escuridão, entre o branco e o preto, entre o feio e o belo […]; o mesmo acontece com aquilo que o ouvido abarca: sons agudos, graves, agradáveis. Mas também temos ouvidos no coração e olhos na alma, sentidos que podem captar a Deus. Com efeito, Deus deixa-Se percepcionar porque aqueles que são capazes de O ver, depois de se lhes terem aberto os olhos da alma. Todos nós temos olhos físicos, mas alguns têm-nos velados, e não vêem a luz do sol.Leia mais →

«Diz-me, ó amado do meu coração, diz a Esposa do Cântico dos Cânticos, onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar ao meio-dia» (1, 7). Penso que, no salmo vinte e dois, o profeta, colocado sob a guarda do mesmo pastor, fala igualmente do local de que falava a Esposa, quando diz: «O Senhor é meu pastor; nada me faltará» (v.1). Ele sabia que os outros pastores, sob o efeito da preguiça ou da inexperiência, apascentavam os seus rebanhos em locais mais áridos. É por isso que diz do Senhor, o pastor perfeito: «Em prados verdejantes Ele me faz repousar. Conduz-me às águas refrescantes»Leia mais →

«Vós, os fariseus, limpais o exterior do copo e do prato.» Como vedes, os nossos corpos são aqui designados por nomes de objectos frágeis e feitos de barro, que se partem com uma simples queda. E os sentimentos íntimos da alma são designados por expressões e gestos do corpo, como aquilo que está no interior do copo pode ser visto do exterior. […] Como vedes, não é o exterior deste copo e deste prato que nos suja, é o seu interior. Como bom mestre que é, Jesus ensina-nos a limpar as manchas do corpo, dizendo: «Dai antes de esmola o que estará dentro e tudoLeia mais →

«Vi uma multidão imensa…, de todas as nações, raças, povos e línguas…, de pé, diante do trono e diante do Cordeiro» (Ap. 7,9) Fortalecidos com os ensinamentos [da Escritura], caminhemos sem tremer para o nosso redemptor, Jesus, para a assembleia dos patriarcas, partamos para o nosso pai, Abraão, assim que o dia chegar. Caminhemos para essa congregação dos santos, essa assembleia de justos. Iremos para os nossos pais, aqueles que nos ensinaram a fé; mesmo se as obras nos faltam, que a fé nos ajude, defendamos a nossa herança! Iremos aos lugares onde Abraão abre o seu seio aos pobres como Lázaro (Lc 16,19s); aíLeia mais →

«O Senhor apareceu a Abraão junto dos carvalhos de Mambré, quando ele estava sentado à porta da sua tenda, durante as horas quentes do dia» (Gn 18,1), conta-nos a Escritura. Enquanto os outros descansavam, ele vigiava, esperando a eventual chegada de viajantes. Bem merecia que Deus viesse ter consigo junto aos carvalhos de Mambré, ele que tanto desejava exercer a hospitalidade […]. Sim, a hospitalidade é boa, ela traz uma recompensa singular: em primeiro lugar, atrai a gratidão dos homens; e recebe também – o que é mais importante – um salário da parte de Deus. Todos somos, nesta terra de exílio, hóspedes de passagem.Leia mais →

O apóstolo Paulo disse: «Despi-vos do velho homem com os seus comportamentos e revesti-vos do novo» (Col 3,9-10). […] Foi esta a obra que Cristo realizou ao chamar Levi; remodelou-o e fez dele um homem novo. Foi também a título de nova criatura que o antigo publicano ofereceu um banquete a Cristo, porque agradou a Cristo e mereceu ter a sua quota parte de felicidade com Cristo. […] Agora seguia-O, feliz, alegre, transbordando de felicidade. «Já não faço figura de publicano, dizia ele; já não sou o velho Levi; despi-me de Levi ao revestir-me de Cristo. Fujo da minha primeira vida; quero apenas seguir-Te, SenhorLeia mais →