As portas estão abertas a todo aquele que, em sinceridade, com o coração, se voltar para Deus, e o Pai recebe com alegria um filho que verdadeiramente se arrependa. Qual é o sinal do arrependimento verdadeiro? Não voltar a cair em velhos erros e arrancar do coração, pela raiz, os pecados que nos punham em perigo de morte. Quando estes estiverem apagados,  Deus virá habitar-nos. Porque, como diz a Escritura, um pecador que se converte e se arrepende encontrará no Pai e nos anjos do céu uma imensa e incomparável alegria (Lc 15,10). Eis por que o Senhor disse : «Eu quero a misericórdia eLeia mais →

Não é estranho, meus amigos, que Deus nos exorte sempre à virtude, e que nos furtemos a esse socorro, que devolvamos a salvação? Não nos convida João também à salvação, não é todo ele uma voz que nos exorta? Perguntemos-lhe pois: «Quem és tu entre os homens, e donde vens?» Ele não dirá que é Elias e negará que é o Cristo, mas confessará que é uma voz que grita no deserto. (Jo 1,20s). Quem é pois João? Para tomar uma imagem, permiti-me dizer: uma voz do Verbo, da Palavra de Deus, que nos exorta gritando no deserto…: »Aplanai os caminhos do Senhor» (Mt 1,3).Leia mais →

Pedro e João acorrem juntos ao túmulo. O túmulo de Cristo é a Sagrada Escritura, em que os mistérios mais obscuros da Sua divindade e da Sua humanidade se encontram protegidos, se assim ouso expressar-me, por uma muralha de rocha. Mas João corre mais depressa do que Pedro, porque o poder da contemplação totalmente purificada entra nos segredos das obras divinas com um olhar mais penetrante e mais vivo do que o poder da acção, que ainda tem necessidade de ser purificada. Mas Pedro é o primeiro a entrar no túmulo; João segue-o. Correm os dois e entram os dois. Aqui, Pedro é a imagemLeia mais →

Quando chegou para a natureza humana o momento de se encontrar com a natureza divina e de ficar unida a ela tão intimamente que as duas não formassem senão uma só pessoa, cada uma delas devia necessariamente ter-se manifestado já na sua integridade. No que toca a Deus, Ele tinha-se revelado da maneira que convinha a Deus; a Virgem é aquela que dá à luz a natureza humana… Até parece que, se Deus se misturou com a natureza humana não na sua origem mas no fim dos tempos (Ga 4,4), foi porque, antes desse momento, esta natureza ainda não tinha plenamente nascido, ao passo queLeia mais →

«Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Heb 1, 3). […] Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de senhor; será também mais tarde, no dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, aquando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que seLeia mais →

«Diz-me, ó amado do meu coração, diz a Esposa do Cântico dos Cânticos, onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar ao meio-dia» (1, 7). Penso que, no salmo vinte e dois, o profeta, colocado sob a guarda do mesmo pastor, fala igualmente do local de que falava a Esposa, quando diz: «O Senhor é meu pastor; nada me faltará» (v.1). Ele sabia que os outros pastores, sob o efeito da preguiça ou da inexperiência, apascentavam os seus rebanhos em locais mais áridos. É por isso que diz do Senhor, o pastor perfeito: «Em prados verdejantes Ele me faz repousar. Conduz-me às águas refrescantes»Leia mais →

Lembremo-nos daquela viúva que, preocupada com os pobres, de si mesma se esqueceu a ponto de dar tudo o que lhe restava para viver, pensando na única vida que havia de vir, como o atesta o próprio Senhor. Os outros tinham dado o que lhes era supérfluo, mas ela, talvez mais pobre que muitos pobres – pois a sua fortuna estava reduzida a duas simples moedas -, era mais rica, em seu coração, que todos os ricos. Ela só olhava para as riquezas da recompensa eterna; desejosa dos tesouros celestes, renunciou a tudo o que possuía, bem como aos bens que vêm da terra eLeia mais →

Com os olhos do corpo, observamos o que se passa na vida e na terra; discernimos a diferença entre a luz e a escuridão, entre o branco e o preto, entre o feio e o belo […]; o mesmo acontece com aquilo que o ouvido abarca: sons agudos, graves, agradáveis. Mas também temos ouvidos no coração e olhos na alma, sentidos que podem captar a Deus. Com efeito, Deus deixa-Se percepcionar porque aqueles que são capazes de O ver, depois de se lhes terem aberto os olhos da alma. Todos nós temos olhos físicos, mas alguns têm-nos velados, e não vêem a luz do sol.Leia mais →

O Senhor está permanentemente a comparar a alma humana com uma vinha: «O meu amigo possuía uma vinha numa colina fértil» (Is 5,1); «plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe» (Mt 21,33). É, evidentemente, à alma humana que Jesus chama a Sua vinha, foi a ela que cercou, como se fosse uma sebe, com a segurança que proporcionam os Seus mandamentos e a proteção dos Seus anjos, porque «o anjo do Senhor assenta os seus arraiais em redor dos que O temem» (Sl 33,8). Em seguida, ergueu em nosso redor uma paliçada, estabelecendo na Igreja «primeiro, apóstolos, segundo, profetas, terceiro, doutores» (1Cor 12,28). Por outroLeia mais →

«Ao ver a estrela, os magos sentiram uma grande alegria» (Mt 2, 10). Hoje, também nós acolhemos essa grande alegria nos nossos corações, alegria que os anjos anunciam aos pastores. Adoremos com os magos, demos glória com os pastores, cantemos com os anjos: «Nasceu-nos um Salvador que é o Messias Senhor; o Senhor Deus que nos apareceu» […] Esta festa é comum a toda a criação: as estrelas correm no céu, os magos chegam dos países pagãos, a terra recebe-a numa gruta. Não há nada que não contribua para esta festa, nada que não chegue lá com as mãos cheias. Façamos rebentar em nós mesmosLeia mais →