Aquele que ama verdadeiramente o Senhor, que procura verdadeiramente a posse do Reino que há de vir, que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, que se lembra verdadeiramente do castigo e do juízo eternos, que teme verdadeiramente o seu fim, deixará de ter amor, cuidado ou preocupação com o dinheiro, as riquezas, os pais, a glória do mundo, os amigos, os irmãos e as restantes coisas deste mundo. Pelo contrário, tendo rejeitado e odiado todo o apego e cuidado por todas estas coisas, e mais ainda pela sua própria carne, seguirá a Cristo nu, despreocupado, com pressa e olhando para o Céu, de onde esperaLeia mais →

Ó Nossa Senhora, tu és a Mãe da justificação e dos justificados, da reconciliação e dos reconciliados, da salvação e dos salvos. Feliz certeza e refúgio seguro! A Mãe de Deus é nossa Mãe, a Mãe da nossa única razão de esperança e de temor é nossa Mãe. Ó Mãe bendita e excelsa, não só por ti mas também por nós, que vejo acontecer-nos através de ti? Como és grande e digna de amor! Esta visão encanta-me com uma alegria que não ouso exprimir. Se tu, Senhora, és Mãe dele, os teus outros filhos são irmãos dele. Mas que irmãos e de quem? Devo dizerLeia mais →

A simplicidade é um hábito da alma que exclui todo o artifício e a torna imune à malícia. A ausência de malícia é um estado alegre da alma, liberta de segundas intenções. A primeira prerrogativa da infância é a simplicidade sem artifícios; enquanto a conservou, Adão não viu a nudez da sua alma nem a indecência da sua carne. A simplicidade que algumas pessoas possuem por natureza é bela e abençoada, mas é-o menos do que a simplicidade que, à força de trabalho e suor, foi enxertada num tronco mau. A primeira está ao abrigo de muitos artifícios e paixões, mas a segunda traz consigoLeia mais →

Um dia, os apóstolos queixaram-se a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demônios em teu nome e procuramos impedir-lho, porque ele não anda conosco». Jesus atalhou imediatamente: «Não o proibais […]. Quem não é contra nós é por nós». Mas quando, no final dos tempos, estas pessoas disserem: «Senhor, senhor, não foi em teu nome que profetizamos? Não foi em teu nome que expulsamos demônios? Não foi em teu nome que fizemos numerosas ações poderosas?» Ele afirma que lhes responderá: «Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade!» (Mt 7,22-23), advertindo aqueles que Ele mesmo agraciou com a glóriaLeia mais →

Aqueles que veem a Deus terão parte na vida, porque o esplendor de Deus é vivificante. É por esta razão que Aquele que é esquivo, incompreensível e invisível Se oferece para ser visto, compreendido e captado pelos homens: para dar vida àqueles que O captam e O veem. Porque, se a sua grandeza é inescrutável, também a sua bondade é inexprimível; é por ela que Ele Se faz ver e dá vida àqueles que o veem. É impossível viver sem vida, e não há vida senão através da participação em Deus, que consiste em ver a Deus e gozar da sua bondade. Assim, os homensLeia mais →

Fundados na perfeição da caridade, elevar-nos-emos a um grau ainda mais excelente e sublime, que é o temor de amor. Este não nasce do medo do castigo ou do desejo de recompensa, mas da própria grandeza do amor. É a mistura de respeito e afeição atenciosa que um filho tem por um pai indulgente, um irmão por seu irmão, um amigo por seu amigo, uma esposa por seu marido. Não teme golpes nem censuras; o que teme é ferir o amor com a mais pequena injúria […]. Assim, há uma distância considerável entre o temor ao qual nada falta, tesouro da sabedoria e da ciência,Leia mais →

Uma vez que o prazer dos sentidos dá origem à aflição, isto é, à dor da alma (pois são uma e a mesma coisa), o prazer da alma dá naturalmente origem à aflição, isto é, à dor dos sentidos. Aquele que procura a vida que espera, a vida de nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, através da ressurreição dos mortos, na herança guardada nos Céus e isenta de toda a corrupção, impureza e maldição (cf 1Pe 1,4), tem uma alegria e um júbilo inefáveis na sua alma, está sempre radioso, iluminado pela esperança dos bens futuros, mas tem uma aflição na carne e nos sentidos,Leia mais →

Quando conheceres a Deus como Ele é, terás um corpo imortal e incorruptível como é a tua alma, e possuirás o Reino dos Céus. Tendo reconhecido o Rei durante a tua vida terrena, serás familiar de Deus e herdeiro com Cristo, e já não serás escravo das concupiscências, das paixões e das doenças, porque te terás tornado semelhante a Ele. Os sofrimentos que suportaste como homem, deu-tos Deus porque és homem; mas promete conceder-te tudo o que pertence a Deus quando fores divinizado e te tornares imortal. «Conhece-te a ti mesmo», reconhecendo Deus que te criou. É conveniente que aqueles a quem Deus chama OLeia mais →

Naquele tempo, Cristo disse: «Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós». Mas eles não ouviram estas palavras espiritualmente e foram-se embora escandalizados, julgando que o Senhor os tinha convidado para uma refeição comum. Já no Antigo Testamento havia os pães da proposição. Mas deixou de ser necessário oferecer o pão da Antiga Aliança. Na Nova Aliança, temos o pão do Céu e o cálice da salvação (cf Sl 115,13), que santificam a alma e o corpo. De facto, tal como o pão se acorda com o corpo, assim o Verbo seLeia mais →