«A medida com que medirdes servirá para vos medir» (Mt 7,2). O servidor a quem o senhor tinha perdoado todas as dívidas mas que não quis agir de igual forma para com um dos seus companheiros foi lançado na prisão: não querendo perdoar ao seu companheiro, perdeu o perdão que já tinha alcançado do seu senhor (Mt 18,23s). Nos seus preceitos, Cristo ensina esta verdade com um vigor severo: «Quando vos levantardes para orar, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe primeiro, para que o vosso Pai que está no céu vos perdoe também as vossas ofensas» (Mc 11,25). Deus ordenou-nos que estivéssemos em pazLeia mais →

«Suportai-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do espírito mediante o vínculo da paz» (Ef 4,2). Não é possível manter a unidade e a paz, se os irmãos não se encorajarem uns aos outros ao apoio mútuo, mantendo um bom entendimento graças à paciência. […] Perdoar ao irmão que nos ofende, não só setenta vezes sete vezes, mas todas as faltas, amar os inimigos, rezar pelos adversários e pelos perseguidores (Mt 5,39.44; 18,22) – como chegar aí se não formos firmes na paciência e na benevolência? É o que vemos em Estêvão […]: em vez de pedir a vingança, pediu oLeia mais →

O nosso Senhor e Mestre deu-nos este mandamento para nossa salvação: «Aquele que resistir até ao fim será salvo» (Mt 10,22). […] O próprio facto de sermos cristãos é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança. Mas, para que a esperança e a fé possam dar frutos, é necessária a paciência. Não é a glória cá de baixo que procuramos, é a glória futura. O apóstolo Paulo adverte-nos: «Nós fomos salvos, mas em esperança. Ver o que se espera já não é esperar; se se vê, como se pode ainda esperar? Mas nós, que esperamos o que não vemos, esperamo-lo com perseverança» (RomLeia mais →

Era no nosso tempo que o Senhor estava a pensar quando disse: «Quando o Filho do Homem voltar, encontrará fé sobre a terra?» (Lc 18,8). Estamos a assistir à realização desta profecia. Já ninguém acredita no temor de Deus, nem na lei da justiça, nem na caridade, nem nas boas obras. […] Tudo aquilo que a nossa consciência temia, porque acreditava, deixou de temer, porque já não crê. Porque, se cresse, estaria vigilante; e, estando vigilante, salvar-se-ia. Despertemos pois, irmãos muito queridos, tanto quanto formos capazes. Sacudamos o sono da inércia. Velemos de forma a observar e a praticar os preceitos do Senhor. Sejamos comoLeia mais →

Salutar é o preceito de Nosso Senhor e Mestre: «aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo». Ele diz ainda: «Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, conhecereis a verdade e a verdade libertar-vos-á» (Jo 8,31). É preciso suportar e perseverar, irmãos bem amados. Assim, admitidos na esperança da verdade e da libertação, podemos chegar a esta verdade e a esta liberdade, porque, se somos cristãos, é por obra da fé e da esperança. Mas, para que a esperança e a fé possam dar fruto, é necessária a paciência. […] Que não trabalhemos pois na impaciência, que não nos deixemos abater noLeia mais →

Não é que Deus faça o que quer, mas que nós façamos o que Ele quer. Alguma coisa poderá impedir Deus de fazer o que quer? Nós, pelo contrário, somos contrariados pelo demónio, que nos impede de obedecer em todas as coisas, interior e exteriormente, à vontade de Deus. Apesar disso, pedimos que a sua vontade se faça em nós; ora, para que tal aconteça, precisamos da sua ajuda. Não há ninguém que seja forte com base nos seus próprios recursos; a força reside na bondade e na misericórdia de Deus. […] A vontade de Deus é aquela que Cristo fez e ensinou: a humildadeLeia mais →

Nas Sagradas Escrituras, o verdadeiro sol e o verdadeiro dia é Cristo; é por isso que para os cristãos nenhuma hora é excluída, e há que adorar a Deus sempre e sem cessar. Porque estamos em Cristo, quer dizer, na luz verdadeira, estejamos em súplica e em oração ao longo de todo o dia. E quando, segundo o curso do tempo, chega a noite após o dia, nada nos impeça, nas trevas noturnas, de orar: para os filhos da luz (1Tim 5,5), é dia mesmo durante a noite. Quem tem a luz no seu coração nunca se encontra nas trevas. Para aquele para quem CristoLeia mais →

Há uma só Igreja, que, pela sua fecundidade sempre crescente, abarca uma multidão sempre mais ampla. O Sol envia muitos raios, mas a sua fonte luminosa é uma só; a árvore divide-se em muitos ramos, mas há um único tronco, vigorosamente apoiado em raízes tenazes; de uma única fonte correm muitos riachos; esta multiplicidade deve-se à superabundância das águas, mas todas elas remetem para uma mesma origem. Tentai separar um raio de sol da massa solar, vereis que a unidade da luz não permite tal fracionamento. Arrancai um ramo a uma árvore e o ramo cortado deixará de poder germinar. Cortai um riacho da suaLeia mais →

Como são belos e grandiosos, irmãos caríssimos, os ensinamentos que nos revela a Oração do Senhor! São breves as palavras que os resumem, mas é grande o seu poder espiritual! […] Diz o Senhor: «Orai assim: Pai nosso, que estais nos Céus.» O homem novo, renascido e restituído ao seu Deus por meio da sua graça, diz em primeiro lugar «Pai», porque já começou a ser filho. Diz a Escritura: «[O Verbo] veio para quem era seu, e os seus não O receberam; mas a todos quantos O receberam e nele creram, deu o poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1, 11-12). Portanto,Leia mais →

«Despiram-No e envolveram-No num manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-Lha na cabeça» (Mt 27,28-29). Foi como rei que Cristo foi revestido duma túnica vermelha, e como príncipe dos mártires, […] porque resplandece com o Seu sangue sagrado de precioso escarlate. Foi como vencedor que Ele recebeu a coroa, pois é normalmente ao vencedor que se entrega uma coroa. […] Mas podemos notar que a túnica vermelha é também símbolo da Igreja que, permanecendo com Cristo rei, brilha com uma glória régia. Daí o título de «reino» que lhe dá João no Apocalipse (1,6). […] Com efeito, o tecido púrpura é uma coisa preciosaLeia mais →