«Não nos deixeis cair em tentação» (Mt 6,13) […]. Quando pedimos para não cair em tentação, lembramo-nos da nossa fragilidade, para que ninguém se olhe a si mesmo com complacência, para que ninguém se eleve com insolência, se glorifique a si mesmo pela sua fidelidade ou pela sua provação, quando o próprio Senhor nos ensina a humildade, quando nos diz: «Vigiai e orai, para não cederdes à tentação. O espírito está cheio de ardor, mas a carne é débil» (Mc 14,38). Se primeiro fizermos profissão de humildade, daremos a Deus tudo o que pedirmos com temor e reverência, e podemos estar certos de que aLeia mais →

Como são numerosas e intensas as riquezas da oração do Senhor! São coligidas em poucas palavras, mas de uma densidade espiritual inesgotável, a ponto de nada faltar neste resumo perfeito do que deve constituir a nossa oração. Está escrito: «Orai assim: Pai Nosso, que estais nos céus». O homem novo, que nasceu de novo e foi conduzido a Deus pela graça, diz primeiro: «Pai», porque se tornou Seu filho. O Verbo, a Palavra de Deus, «veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. Mas a quantos O receberam, aos que n’Ele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus»Leia mais →

«Suportai-vos uns aos outros no amor, esforçando-vos por manter a unidade do espírito mediante o vínculo da paz» (Ef 4,2). Não é possível manter a unidade e a paz, se os irmãos não se encorajarem uns aos outros para o apoio mútuo, mantendo um bom entendimento graças à paciência. […] Perdoar ao irmão que nos ofende, não só setenta vezes sete vezes, mas todas as faltas, amar os inimigos, rezar pelos adversários e pelos perseguidores (Mt 5,39.44; 18,22) – como chegar aí se não formos firmes na paciência e na benevolência? É o que vemos em Estêvão […]: em vez de pedir a vingança, pediuLeia mais →

O Espírito Santo dá-nos este aviso: «Procura a paz e persegue-a» (Sl 34,12). O filho da paz deve procurar e perseguir a paz e aquele que conhece e ama o vínculo da caridade deve guardar a sua língua do pecado da discórdia. Entre as prescrições divinas e entre os mandamentos da salvação, o Senhor, na véspera da Sua Paixão, acrescentou isto: «Deixo-vos a paz, dou-vos a paz» (Jo 14,27). Foi essa a herança que nos legou: todos os dons, todas as recompensas cuja perspectiva nos abriu, foi à conservação da paz que Ele os ligou, como promessa. Se somos herdeiros de Cristo, permaneçamos na pazLeia mais →

«Tenho como coisa certa que os sofrimentos do tempo presente nada são em comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rom 8,18). Por conseguinte, quem não há de trabalhar de todas as formas possíveis para obter tal glória, para se tornar amigo de Deus, para se regozijar na companhia de Jesus Cristo e receber a recompensa divina depois dos tormentos e dos suplícios desta terra? Para os soldados deste mundo, é glorioso entrar triunfalmente na sua pátria depois de terem vencido o inimigo. Não será glória bem maior retornar triunfalmente, depois de ter vencido o demônio, ao paraíso de onde Adão tinhaLeia mais →

«O Reino de Deus está próximo» (Lc 21,31). O Reino de Deus, irmãos muito queridos, aproxima-se agora. Com o fim do mundo, anuncia-se já a recompensa da vida, a felicidade da salvação eterna, a segurança perpétua e a alegria do paraíso que outrora perdemos. E já as realidades do céu se sucedem às realidades humanas, as grandes às pequenas, as eternas às temporais. Haverá lugar à inquietação, à apreensão pelo futuro? […] Com efeito, está escrito que «o justo viverá da fé» (Rm 1,17). Se fordes justos e viverdes da fé, se acreditardes verdadeiramente em Jesus Cristo, porque não vos alegrareis então ao serdes chamadosLeia mais →

É conveniente nunca perdermos de vista, caros irmãos, que renunciamos ao mundo e que vivemos aqui em baixo como hóspedes de passagem, como estrangeiros (Hb 11,13). Bendigamos o dia que atribui a cada um a sua verdadeira morada, e que, depois de nos ter arrancado a este mundo e libertado das suas amarras, nos conduz ao paraíso e ao Reino dos Céus. Quem não se apressaria em regressar à pátria depois ter passado algum tempo o estrangeiro? Quem […] não desejaria um vento favorável para navegar, para mais rapidamente abraçar os seus? A nossa pátria é o paraíso; desde sempre, tivemos os patriarcas por pais.Leia mais →

O que Cristo fez e ensinou foi a vontade de Deus: a humildade na conduta, a firmeza na fé, a contenção nas palavras, a justiça nas ações, a misericórdia nas obras, a retidão nos costumes; ser incapaz de fazer o mal, mas poder tolerá-lo quando se é vítima dele; manter a paz com os irmãos; querer ao Senhor de todo o coração; amar n’Ele o Pai e temer a Deus; não pôr nada à frente de Cristo, pois Ele próprio nada pôs à nossa frente; ligarmo-nos inabalavelmente ao Seu amor; agarrar com força e confiança a Sua cruz; quando for preciso, lutar pelo Seu nomeLeia mais →

«Venha o Teu reino» (Mt 6, 10). Pedimos que o reino de Deus se realize para nós, no mesmo sentido em que imploramos que o Seu nome seja santificado em nós. Com efeito, quando é que Deus não reina? E quando começou o que n’Ele sempre existiu e nunca acabará? Pedimos, pois, que venha o nosso reino, aquele que Deus nos prometeu, aquele que Cristo nos obteve pela Sua Paixão e pelo Seu sangue. Assim, depois de termos sido escravos neste mundo, seremos reis, quando Cristo for soberano, como Ele mesmo nos promete quando diz: «Vinde, benditos de Meu Pai! Recebei em herança o ReinoLeia mais →

Irmãos bem-amados, Jesus Cristo, Nosso Senhor e Deus, não Se contentou em ensinar a paciência por palavras; também a demonstrou pelos Seus actos. […] Na hora da paixão e da cruz, quantos sarcasmos ultrajantes escutados com paciência, quanta troça injuriosa suportada, ao ponto de ser cuspido, Ele que, com a Sua própria saliva, tinha aberto os olhos a um cego (Jo 9, 6) […]; de Se ver coroado de espinhos, Ele que coroa os mártires com flores eternas; de Lhe baterem na face com as palmas das mãos, a Ele que concede palmas verdadeiras aos vencedores; despojado das Suas vestes, Ele que reveste os outrosLeia mais →