A força divina que o homem não pode tocar desceu e envolveu-Se num corpo palpável, para que os pobres a toquem e para que, ao tocarem a humanidade de Cristo, captem a sua divindade. Através de dedos de carne, o surdo-mudo sentiu que lhe tocavam nos ouvidos e na língua: através de dedos palpáveis, captou a divindade intocável naquele momento em que o nó da sua língua foi rompido, naquele momento em que as portas fechadas dos seus ouvidos foram abertas. Porque o arquiteto e o artesão do corpo veio até ele e, com palavras suaves, criou, sem dor, aberturas nos seus ouvidos surdos; então,Leia mais →

Num abrir e fechar de olhos, o Senhor multiplicou um pouco de pão. Aquilo que os homens fazem em dez meses de trabalho, fizeram-no os seus dez dedos num instante. […] Todavia, não foi pelo seu poder que Ele mediu o alcance do milagre, mas pela fome dos que ali se encontravam. Seria impossível avaliar o milagre pela medida do seu poder; medido pela fome daqueles milhares de homens, o milagre excedeu os doze cestos. A capacidade dos artesãos não excede a dos clientes: eles não conseguem corresponder a tudo o que lhes é pedido. As realizações de Deus, pelo contrário, superam todo o desejo.Leia mais →

Quando o povo pecou no deserto (Nm 21,5s), Moisés, que era profeta, ordenou aos israelitas que fixassem uma serpente a uma cruz para matarem o pecado. […] Eles tinham de olhar para a serpente porque fora por meio de serpentes que os filhos de Israel tinham sido castigados. E por que razão o foram por meio de serpentes? Porque tinham renovado a conduta dos nossos primeiros pais: Adão e Eva tinham pecado comendo o fruto da árvore; os israelitas tinham murmurado por causa da comida, e proferir queixas porque não se tem legumes é o cúmulo da murmuração. O salmo atesta: «Eles revoltaram-se contra oLeia mais →

Rezava Zaqueu em seu coração: «Bem-aventurado o que for digno de receber este Justo em sua casa». Nosso Senhor disse-lhe: «Desce depressa, Zaqueu!» E ele, vendo que o Senhor lhe conhecia os pensamentos, meditou: «Se Ele conhece os meus pensamentos, também conhece os meus atos»; e por isso declarou: «Se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais». «Desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa». Graças à segunda árvore, a do chefe dos publicanos, a primeira árvore, a de Adão, cai no esquecimento, e também o nome de Adão é esquecido graças ao do justo Zaqueu […]: «Hoje entrou a salvaçãoLeia mais →

A contemplação do Paraíso maravilhou-me, pela sua paz e a sua beleza: ali mora a beleza sem mancha, ali reside a paz sem tumulto. Feliz aquele que merecer recebê-la, se não por justiça, ao menos por bondade; se não por causa das suas obras, ao menos por piedade. […] Quando o meu espírito regressou à Terra, mãe dos espinhos, apresentaram-se-me dores e males de todo o gênero. Aprendi assim que este lugar é uma prisão. E, contudo, os cativos que nela estão encerrados choram ao sair dela. Espantei-me também ao ver o que as crianças choram ao sair do seio materno: choram quando passam dasLeia mais →

O Pastor de todos desceu, procurou Adão, ovelha perdida, levou-o aos ombros e subiu. Fez de Si mesmo um sacrifício oferecido ao Senhor do rebanho (cf Lc 15,4; Jo 10,11). Bendita seja a sua descida até nós! Ele veio, orvalho e chuva vivificante, a Maria, terra sedenta. O grão de trigo desceu à terra e dela voltou a subir, ramo e pão novo (Jo 12,24). Bendita seja a sua oferenda! […] Do alto, o poder desceu a nós; do seio da Virgem, a esperança brilhou para nós; do sepulcro, a vida surgiu para nós, à direita do Pai, Ele Se senta como rei para nós.Leia mais →

Descei, irmãos, e revesti-vos do Espírito Santo nas águas; uni-vos aos seres espirituais que servem o nosso Deus. Bendito Aquele que instituiu o batismo para o perdão dos filhos de Adão! Esta água é o fogo secreto que ferra a marca em seu rebanho, com os três nomes espirituais que espantam o Mal (cf Ap 3,12). […] João atestou do nosso Salvador: «Ele batizar-vos-á no Espírito Santo e no fogo» (Mt 3,11). Eis, irmãos, o fogo e o Espírito, no verdadeiro batismo. Mais poder tem na verdade o batismo do que o Jordão, que é um riacho: com suas vagas de água e de óleoLeia mais →

O anjo disse-lhe: «A tua súplica foi atendida». Se Zacarias acreditava que a sua oração seria atendida, rezava bem; se não acreditava, rezava mal. Chegara a altura de a sua oração ser atendida; contudo, ele duvidou. Foi portanto justificado que, a partir desse momento, tivesse ficado mudo. Anteriormente, ele rezava para ter um filho; no momento em que a sua oração foi atendida, mudou e disse: «Como hei de saber que é assim?» A sua boca duvidou da sua oração, e ele perdeu a fala. […] Enquanto Zacarias acreditava, falava; assim que deixou de acreditar, calou-se. Enquanto acreditava, falava: «Eu acreditei, por isso falei» (SlLeia mais →

Contemplai Maria, bem-amados, vede como Gabriel entrou em sua casa e que, ao ouvi-la perguntar «Como será isso?», o servo do Espírito Santo deu a seguinte resposta: «Nada é impossível a Deus, para Ele tudo é simples». Ela acreditou no que ouvira e disse: «Eis a serva do Senhor». E o Senhor desceu, de uma forma que só Ele conhece: pôs-Se em movimento e veio como Lhe agradava; entrou nela sem que Ela o sentisse e Maria acolheu-O sem sofrimento. Ela trouxe dentro de si Aquele de que o mundo está cheio. Ele abaixou-Se para ser o modelo que renova a antiga imagem de Adão.Leia mais →

Senhor, convido-Te para um festim de núpcias em cânticos. Em Caná, faltou o vinho, que exprime o nosso louvor; Tu, convidado que encheste as talhas de bom vinho, enche a minha boca com os teus louvores! O vinho de Caná é o símbolo do nosso louvor, porque os que dele beberam ficaram maravilhados. Nesse festim de núpcias que não era o teu, Tu, que és o verdadeiro justo, fizeste transbordar seis talhas de vinho delicioso; no festim para o qual Te convido, podes, pois, encher com a tua suavidade os ouvidos de uma multidão. No passado, foste convidado para as núpcias de outros; eis agoraLeia mais →