Não desprezes o pecador, porque todos somos culpados. Se por amor de Deus tu te levantas contra ele, chora antes sobre ele. Porque o desprezas? Despreza os seus pecados, e reza por ele, para seres semelhante a Cristo, que não se irritou contra os pecadores mas rezou por todos. Não vês como ele chorou sobre Jerusalém? Porque nós também, mais do que uma vez, somos joguete do diabo. Porquê desprezar aquele que, tal como nós, foi joguete do diabo, que troça de todos nós? Porquê, ó homem, desprezar o pecador? É porque ele não é justo como tu? Mas onde está a tua justiça, desdeLeia mais →

O caminho de Deus é uma cruz quotidiana. Nunca ninguém chegou ao céu confortavelmente. Sabemos aonde nos leva essa via do conforto. Deus nunca deixa sem inquietação quem se consagra a Ele de todo o coração; concede-lhe a inquietação da verdade. É aliás nisso que se percebe que Deus guarda um tal homem: condu-lo através de aflições. A Providência nunca deixa cair na mão dos demónios aqueles que passam a vida em provação. Sobretudo se beijam os pés dos seus irmãos, se ocultam as suas faltas (1Pd 4,8) e as escondem como se fossem as suas próprias faltas. Aquele que quer estar no mundo semLeia mais →

Violenta-te (cf. Mt 11,12), esforça-te por imitar a humildade de Cristo, a fim de que se inflame sempre mais o fogo que ele lançou sobre ti, esse fogo pelo qual são consumidos todos os apelos deste mundo que destroem o homem novo e que desonram as moradas do Senhor santo e poderoso. Porque eu afirmo com São Paulo que «nós somos templos de Deus» (2Cor 6,16). Purifiquemos pois o seu templo, «omo ele próprio é puro» (1Jo 3,3), a fim de que ele deseje aí permanecer; santifiquemo-lo, como ele próprio é santo (1Ped 1,16); ornemo-lo de todas as obras boas e dignas. Enchamos o temploLeia mais →

É preciso não desejar nem procurar estouvadamente sinais visíveis, uma vez que o Senhor está sempre pronto a socorrer os seus santos. Ele não manifesta sem necessidade o seu poder numa obra ou num sinal sensível, para não esbater a ajuda que dele recebemos nem nos prejudicar. É desta forma que Ele providencia junto dos seus santos. Quer mostrar-lhes que a atenção secreta que lhes presta não os abandona um instante, mas que, em tudo, os deixa travar o combate segundo a medida das suas forças e esforçar-se por rezar. Mas, se uma dificuldade os abate, quando estão doentes ou desencorajados porque a sua naturezaLeia mais →

Está dito que só a ajuda de Deus salva. Quando um homem sabe que não há mais nenhum socorro, reza muito. E, quanto mais reza, mais o seu coração se torna humilde, porque não se pode rezar e pedir sem se ser humilde. “Não desprezarás, ó Deus, um coração oprimido e humilhado” (Sl 50,19). Com efeito, enquanto o coração não se torna humilde, é-lhe impossível escapar à dispersão; a humildade faz o coração virar-se sobre si mesmo. Quando o homem se torna humilde, imediatamente a compaixão o envolve e o seu coração sente então o socorro divino. Descobre que nele sobe uma força, a forçaLeia mais →

A compaixão, por um lado, e o juízo de simples equidade, por outro, se coexistem na mesma alma, são como um homem que adora Deus e os ídolos na mesma casa. A compaixão é o contrário do julgamento por simples justiça. O julgamento estritamente equitativo implica a igual repartição por todos de uma medida semelhante. Dá a cada um o que ele merece, não mais; não se inclina nem para um lado nem para o outro, não discerne na retribuição. Mas a compaixão é suscitada pela graça, inclina-se sobre todos com a mesma afeição, evita a simples retribuição àqueles que são dignos de castigo eLeia mais →

A humildade é uma força secreta que os santos recebem quando levam a cabo toda a ascese da sua vida. Na verdade, esta força só é dada aos que atingem a perfeição da virtude pelo efeito da graça. […] É a mesma força que receberam os bem-aventurados apóstolos sob forma de fogo. Com efeito, o Salvador tinha-lhes ordenado que não deixassem Jerusalém enquanto não tivessem recebido a força vinda do alto (Act 2, 3; 1, 4). Jerusalém simboliza aqui a virtude. E a força vinda do alto é  o Paráclito, isto é, o Espírito Consolador. Ora, isso é o que a Sagrada Escritura tinha dito:Leia mais →

O Senhor Deus entregou o seu próprio Filho à morte de cruz pelo seu ardente amor pela criação. Não porque não pudesse resgatar-nos de outro modo, mas porque quis manifestar dessa maneira o seu amor desbordante, para nosso ensinamento. E, pela morte do seu Filho Unigênito, aproximou-nos de Ele. Sim, se Ele tivesse tido outra coisa mais preciosa, no-la teria dado a fim de Lhe pertencermos plenamente. Pelo seu grande amor por nós, não se compraz em violentar a nossa liberdade, embora tenha a possibilidade de fazê-lo, mas antes preferiu que chegássemos a Ele pelo amor do que podíamos compreender. Pelo seu grande amor porLeia mais →

Nada torna a alma pura e feliz, nem a ilumina e afasta dela os maus pensamentos, como as vigílias. Por isso, todos os nossos pais perseveraram neste trabalho das vigílias e adoptaram por regra permanecer acordados de noite durante todo o curso da sua vida ascética. Fizeram-no especialmente porque tinham entendido o nosso Salvador convidar-nos a isso insistentemente, em diversos lugares, pela Sua Palavra viva: «Velai, pois, orando continuamente» (Lc 21,36); «Vigiai e orai, para não cairdes em tentação» (Mt 26,41); e ainda: «Orai sem cessar» (1 Tes5,17). E não Se contentou com advertir-nos apenas por palavras. Deu-nos também o exemplo na Sua pessoa, honrandoLeia mais →

A oração que se oferece durante a noite tem um grande poder, mais do que a que se oferece durante o dia. É por isso que todos os santos tiveram o hábito de rezar de noite, combatendo a moleza do corpo e a doçura do sono e ultrapassando a sua própria natureza corporal. Também o profeta dizia: “Estou cansado de tanto gemer; todas as noites banho o meu leito com as minhas lágrimas” (Sl 6,7), enquanto suspirava no fundo de si mesmo numa oração apaixonada. E, noutro passo: “Levanto-me a meio da noite para te louvar por causa das tuas sentenças, tu que és oLeia mais →