Para estardes sempre na presença de Deus, podeis propor-vos continuamente a seguinte fórmula de piedade: «Deus, vem em nosso auxílio. Senhor, socorre-nos e salva-nos!». Este curto versículo foi especialmente escolhido de entre todo o corpo das Escrituras porque exprime os sentimentos a que a natureza humana é suscetível, adaptando-se muito bem a todos os estados e convindo a todo o gênero de tentações. Encontramos nele um pedido de socorro a Deus contra todos os perigos, uma confissão humilde e piedosa, a vigilância da alma sempre desperta e penetrada de temor contínuo, a consideração da nossa fragilidade; ele refere igualmente a confiança em ser escutado eLeia mais →

«Não vim revogar [a Lei], mas completar». […] Naquele tempo, o Senhor exerceu o seu poder para realizar na sua Pessoa todos os mistérios que a Lei anunciava a seu respeito; na sua Paixão, levou a cabo todas as profecias. Quando, segundo a profecia de David (cf Sl 68,22), Lhe ofereceram uma esponja embebida em vinagre para Lhe acalmar a sede, aceitou-a dizendo: «Tudo está consumado». E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito (cf. Jo 19,30). Não só realizou pessoalmente tudo o que dissera, como nos confiou os seus mandamentos para os pormos em prática. E, ao passo que os antigos não haviam podido observarLeia mais →

O homem tem uma necessidade permanente do socorro divino; é fácil demonstrar esta afirmação. A fragilidade humana nada pode fazer, por si só e sem a ajuda de Deus, pela sua salvação. […] Muitas vezes, desejamos executar um qualquer plano útil; nada falta ao ardor dos nossos desejos e temos uma boa vontade perfeita. Pois não é verdade que, apesar disto, há uma fraqueza que se atravessa no nosso caminho, tornando inúteis os votos que formámos e impedindo o bom efeito dos nossos propósitos se o Senhor, na sua misericórdia, não nos der forças para os cumprir? É imensa a multidão de quantos desejam lealmenteLeia mais →

(Hab 3,2 LXX) Sejam quais forem as injúrias que descarreguem sobre o monge, ele mantém a paz; e não apenas nos lábios, mas no fundo do coração. Se se sentir minimamente perturbado, contém-se em absoluto silêncio e segue exatamente o que diz o salmista: «Fiquei perturbado sem nada dizer» (Sl 76,5 LXX). «Disse a mim próprio: vigiarei a minha conduta, para não pecar com a língua; refrearei a minha boca enquanto o ímpio estiver diante de mim. Fiquei calado e em silêncio» (Sl 38,2-3). Ele não deve deter-se considerar o presente; não deve deixar que os seus lábios profiram o que a ira lhe sugereLeia mais →

É o preceito do próprio Salvador que nos convida a esta semelhança com o Pai: «Sede perfeitos, como o vosso Pai celeste é perfeito». Nos graus inferiores, o amor do bem interrompe-se quando a tibieza, o contentamento ou o prazer vêm deter o vigor da alma e a fazem perder de vista o temor do inferno ou o desejo de felicidade futura. Eles constituem, apesar de tudo, como que degraus de progresso, de aprendizagem. Tendo, a princípio, evitado o vício por medo do castigo ou pela esperança da recompensa, torna-se-nos impossível passar para o nível da caridade: «No amor não há temor; pelo contrário, oLeia mais →

«Pai nosso»: com estas palavras, confessamos que o Deus e Senhor do Universo é nosso Pai, reconhecendo que fomos chamados da condição de servos à condição de filhos adotivos. «Que estais nos Céus»: porque o tempo da nossa vida é um exílio, e esta Terra é uma terra estrangeira, que nos separa do nosso Pai. Caminhemos pois apressadamente, com todo o ardor dos nossos desejos, para a região onde proclamamos que reside o nosso Pai! Uma vez alcançada esta dignidade de filhos de Deus, arderemos com a ternura que se encerra no coração de todos os filhos; e, sem pensar nos nossos interesses, teremos comoLeia mais →

Na verdade, é totalmente diferente ter ódio à sujidade dos vícios e da carne por saborear o bem já presente, de refrear as cobiças ilícitas tendo em vista uma recompensa futura; ter medo duma pena no presente, ou recear os tormentos que virão. Em suma, é perfeição muito maior não querer afastar-se do bem por amor ao próprio bem, do que não dar o consentimento ao mal por medo de sofrer outro mal. No primeiro caso, o bem é voluntário; no segundo, parece uma recusa forçada e arrancada com muita luta, por temor ao suplício ou por apetite pela recompensa. Por isso mesmo, aquele queLeia mais →

Devemos ter um cuidado muito especial em seguir o preceito evangélico que nos manda entrar no nosso quarto e fechar a porta para orar ao nosso Pai. Eis como podemos cumpri-lo: Rezamos no nosso quarto quando retiramos totalmente o nosso coração do tumulto e do ruído dos pensamentos e das preocupações e, numa espécie de face-a-face secreto e cheio de doce intimidade, desvelamos ao Senhor os nossos desejos. Oramos à porta fechada quando suplicamos sem abrir os lábios e num perfeito silêncio Àquele que não tem em conta as palavras, mas olha ao coração. Rezamos em segredo quando falamos com Deus somente a partir doLeia mais →

Se alguém quer tender à perfeição, partirá do primeiro degrau, que é o do temor, estado propriamente servil, […] e elevar-se-á, em progresso continuado, até às vias superiores da esperança. Esta […] espera a recompensa, […] mas ainda não alcançou aquele sentimento do filho, que, confiando-se à indulgência e à liberalidade paternas, não duvida de que tudo o que é de seu pai também é seu. O filho pródigo do evangelho não ousa a aspirar, depois de tudo o que perdeu, ao nome de filho. Reparai que ele invejava as arrobas que os porcos comiam, ou seja, o alimento sórdido do vício, e ninguém lhasLeia mais →

«Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». Ó clemência inefável de Deus! Para além de nos dar um modelo de oração, para além de instituir a regra de vida pela qual podemos tornar-nos agradáveis a seus olhos, através da fórmula que nos ensina e nos recomenda que utilizemos constantemente na oração, arranca como que por necessidade as raízes da ira e da tristeza. Mas não é tudo. Também nos permite, na própria oração, pedir-Lhe que faça um juízo indulgente e misericordioso sobre nós, dando-nos a possibilidade de suavizar a nossa sentença, levando-O ao perdão pelo exemplo da nossa própriaLeia mais →