Ele levou-os para a montanha para lhes mostrar a glória da sua divindade e lhes dar a conhecer que era o Redentor de Israel, como lhes tinha anunciado pelos seus profetas. […] Eles tinham-no visto comer e beber, fatigar-Se e repousar, acalmar e dormir, sentir pavor até suar gotas de sangue, tudo coisas que não pareciam estar em harmonia com a sua natureza divina e não convir senão à sua humanidade. Por isso os levou à montanha, para que o Pai Lhe chamasse seu Filho e lhes mostrasse que era verdadeiramente seu filho e que era Deus. Levou-os à montanha e mostrou-lhes a sua realezaLeia mais →

O mistério da nossa salvação é tão vasto, tão profundo, tão admirável, que os próprios anjos aspiram a compreendê-lo (1Pe 1,12). […] Pois, sendo Deus por natureza, o Verbo verdadeiro de Deus Pai (Jo 1,1), da mesma substância e com Ele co-eterno, brilhando no mais alto da sua glória «na condição e na igualdade com Deus», Cristo «não Se valeu dessa igualdade com Deus, mas aniquilou-Se a Si próprio, assumindo a condição de servo» e, nascendo de Santa Maria, «apareceu como homem e rebaixou-Se até à morte, e morte de cruz» (Fil 2,6-8). Humilha-Se assim, para nossa humildade, Aquele que dá a todos os homensLeia mais →

Na Lei dada através de Moisés, […] Deus ordenava a todos que descansassem e que não fizessem qualquer trabalho ao Sábado. Mas isto era «imagem e sombra» (Heb 8,5) do verdadeiro Sábado, que é atribuído à alma pelo Senhor. Efectivamente, a alma que foi julgada digna do verdadeiro Sábado deixa de se dedicar às suas preocupações indignas e mesquinhas, e descansa delas, celebrando o verdadeiro Sábado e gozando do verdadeiro descanso, liberta de todas as obras das trevas. […] Outrora, estava prescrito que até os animais privados de razão descansassem ao Sábado: o boi não devia ser sujeito ao jugo nem o burro transportar carga,Leia mais →

«Mulher, porque choras? Quem procuras?» No entanto, santos anjos, vós bem sabeis por Quem é que ela chora e a Quem procura. Porque lhe reavivais as lágrimas recordando-lhe a Sua memória? Mas Maria pode dar livre curso a toda sua dor e às suas lágrimas, porque a alegria de uma consolação inesperada se aproxima. «Ela virou-se e viu Jesus, de pé, mas não O reconheceu.» Cena cheia de encanto e bondade, onde Aquele que é desejado e procurado Se mostra e no entanto Se esconde. Esconde-Se para ser procurado com maior ardor, encontrado com maior alegria, retido com mais cuidado, até que seja introduzido naLeia mais →

Exorto-te, pela graça de que estás revestido, a que redobres de ardor e a que exortes todos os irmãos, para que sejam salvos. Justifica a tua dignidade episcopal por meio de uma vigilância incessante da carne e do espírito; tem o cuidado da unidade, que nada ponha em causa. Suporta todos os teus irmãos com paciência, como o Senhor te suporta a ti; suporta-os a todos com amor como, aliás, fazes. Ora sem descanso; suplica uma sabedoria ainda maior; vela e mantém o teu espírito em alerta; fala a cada um em particular, a exemplo de Deus. «Suporta as enfermidades» (cf Mt 8,17) de todosLeia mais →

«Felizes os puros de coração, porque verão a Deus» (Mt 5,8). Claro que, tendo em consideração a Sua grandeza e a Sua glória inexprimível, «nenhum homem pode ver Deus e viver» (Ex 33,20), porque o Pai é inatingível. Mas, tendo em consideração o Seu amor, a Sua bondade para com os homens e a Sua omnipotência, Ele vai ao ponto de dar aos que O amam o privilégio de ver a Deus […], pois «o que é impossível aos homens é possível a Deus» (Lc 18,27). Por si próprio, com efeito, o homem não verá Deus; mas Deus, se assim o quiser, será visto pelosLeia mais →

O Senhor não deixou pairar dúvidas nem incertezas sobre tão grande mistério. […] Escutemo-Lo a revelar aos apóstolos o que é preciso saber para acreditar: «Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por Mim. Se ficastes a conhecer-Me, conhecereis também o Meu Pai. […] Quem Me vê, vê o Pai. Como é que Me dizes, então, ‘mostra-nos o Pai’? Não crês que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim?» […] Assim, portanto, Aquele que é o caminho não nos conduz a becos sem saída nem a um deserto sem destino; Aquele que é aLeia mais →

«Despiram-No e envolveram-No num manto escarlate. Tecendo uma coroa de espinhos, puseram-Lha na cabeça» (Mt 27,28-29). Foi como rei que Cristo foi revestido duma túnica vermelha, e como príncipe dos mártires, […] porque resplandece com o Seu sangue sagrado de precioso escarlate. Foi como vencedor que Ele recebeu a coroa, pois é normalmente ao vencedor que se entrega uma coroa. […] Mas podemos notar que a túnica vermelha é também símbolo da Igreja que, permanecendo com Cristo rei, brilha com uma glória régia. Daí o título de «reino» que lhe dá João no Apocalipse (1,6). […] Com efeito, o tecido púrpura é uma coisa preciosaLeia mais →

«Não nos deixeis cair em tentação» (Mt 6,13) […]. Quando pedimos para não cair em tentação, lembramo-nos da nossa fragilidade, para que ninguém se olhe a si mesmo com complacência, para que ninguém se eleve com insolência, se glorifique a si mesmo pela sua fidelidade ou pela sua provação, quando o próprio Senhor nos ensina a humildade, quando nos diz: «Vigiai e orai, para não cederdes à tentação. O espírito está cheio de ardor, mas a carne é débil» (Mc 14,38). Se primeiro fizermos profissão de humildade, daremos a Deus tudo o que pedirmos com temor e reverência, e podemos estar certos de que aLeia mais →