Não chames a Deus simplesmente justo, porque não é em relação ao que tu fazes que Ele revela a sua justiça. Se David Lhe chama justo e reto (cf Sl 32,5), o Filho revelou-nos que Ele é sobretudo bom e manso: «É bom até para os ingratos e os maus» (Lc 6,35). […] Onde está a justiça de Deus? Não será em que «quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós» (Rm 5,8)? E, se Deus Se mostrou compassivo aqui na Terra, é porque o é desde toda a eternidade. Longe de nós o pensamento injusto de que Deus não Se compadece. É certo queLeia mais →

Queres que te mostre que jejum deves praticar? Jejua do pecado, não tomes qualquer alimento de maldade, não aceites refeições de volúpia, não te aqueças com o vinho da luxúria. Jejua das más ações, abstém-te de palavras invejosas, guarda-te de maus pensamentos. Não toques em pães roubados de uma doutrina perversa. Não desejes os alimentos enganadores da filosofia, que te afastam da verdade. É esse o jejum que agrada a Deus. […] Ao dizer isto, não quero aconselhar-te a relaxares as rédeas da abstinência cristã, visto que temos os dias da quaresma que são consagrados aos jejuns, para além do quarto e do sexto diasLeia mais →

Coloquemos perante o nosso olhar interior um ferido grave, prestes a exalar o último suspiro. […] A ferida da alma é o pecado, ao qual as Escrituras se referem nestes termos: «Tudo são feridas, contusões, chagas vivas, não curadas, nem ligadas, nem suavizadas com óleo» (Is 1,6). Tu, que estás ferido, coloca-te diante do Médico que tens dentro de ti e mostra-Lhe as chagas dos teus pecados. Que Ele ouça os gemidos do teu coração, Ele que conhece os pensamentos mais secretos; que as tuas lágrimas O comovam. Vai a ponto de seres um pouco impertinente na tua súplica (cf. Lc 11,8): do fundo doLeia mais →

«O que existia desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplámos e as nossas mãos tocaram é o Verbo da Vida» (1Jo 1,1). Mas só podemos tocar o Verbo com as nossas mãos porque «o Verbo fez-Se carne e veio habitar entre nós» (Jo 1,14). Este Verbo, que Se fez carne para ser tocado pelas nossas mãos começou por Se fazer carne no seio da Virgem Maria. Mas não foi nessa altura que Ele começou a ser o Verbo, pois era-o «desde o princípio», diz São João. […] Pode ser que alguns entendam a expressão «Verbo daLeia mais →

A nossa vida de seres mortais está cheia de armadilhas que nos fazem tropeçar, está cheia de redes de enganos […]. E, como o inimigo espalhou essas redes por todo o lado, e nelas apanhou quase todos os homens, era necessário que aparecesse Alguém mais forte para as dominar e as romper, e para trilhar o rumo àqueles que O seguissem. Foi por isso que, antes de Se unir à Igreja, sua esposa, também o Salvador foi tentado pelo diabo. […] Ensinou assim à Igreja que não seria através da ociosidade e do prazer, mas através de provações e tentações, que ela haveria de chegarLeia mais →

Quando lerdes: «Ensinava nas sinagogas e era elogiado por todos», tende cuidado de não considerar felizes unicamente os ouvintes de Jesus, julgando-vos privados dos seus ensinamentos. Se a Escritura é a verdade, a palavra de Deus não foi comunicada só outrora, nas assembleias judaicas, é comunicada ainda hoje na nossa assembleia. E não é só aqui, na nossa, é em todas as outras e em todo o mundo: Jesus ensina e procura instrumentos que transmitam os seus ensinamentos. Orai para que também eu esteja disposto e apto a cantá-lo. Assim como Deus Todo-Poderoso, ao procurar os profetas no tempo em que a profecia era necessáriaLeia mais →

Pedro receberia em depósito as chaves da Igreja, ou antes, as chaves do Reino dos céus, e ser-lhe-ia confiado um povo numeroso. Com efeito, o que lhe diz o Senhor? «Tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus». Pedro tinha um carácter um pouco abrupto; se fosse impecável, talvez não tivesse sabido perdoar aos discípulos. Foi por esta razão que a graça divina permitiu que ele cometesse algumas faltas: para que essa prova o tornasse benevolente com os outros. De fato, Deus pode permitir que pequemos; repara em Pedro, o corifeu dosLeia mais →

O evangelho convida-nos a procurar a seara sobre a qual o Senhor disse: «A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi ao dono da seara que mande trabalhadores para a sua seara». Ele próprio enviou, para além dos doze discípulos a quem chamou apóstolos («enviados»), mais setenta e dois, mandando-os trabalhar numa seara já madura. E que seara era essa? Eles não iam trabalhar entre os pagãos, onde nada fora semeado, mas entre os judeus, pois foi para isso que o dono da seara veio. Com efeito, aos outros povos Ele não envia trabalhadores para a seara, mas semeadores; entre os judeus, mandaLeia mais →

Balaão tinha profetizado: «Como são formosas as tuas moradas, ó Jacob, e as tuas tendas, Israel» (Nm 24,5). Jacob é o símbolo dos homens perfeitos em ações e obras, e Israel, o daqueles que buscam a sabedoria e o conhecimento. […] Daquele que cumpriu o seu dever e atingiu a perfeição das obras, dir-se-á que essa perfeição é a sua morada, a sua casa. Pelo contrário, não há termo para os esforços dos que trabalham na sabedoria e no conhecimento — pois onde está o limite da sabedoria de Deus? Quanto mais nos aproximarmos dela, mais profundidade lhe descobriremos; quanto mais a escutarmos, melhor entenderemosLeia mais →

O Livro dos Provérbios pede ao discípulo da Sabedoria que se inscreva na escola da abelha, dizendo aos amantes da Sabedoria: olhai para a abelha, vede como é laboriosa e o respeito que atrai para o seu trabalho; reis e súditos usam os seus produtos para conservar a saúde do corpo. E acrescenta que a abelha é procurada e estimada por todos, que é desprovida de força, mas ama a sabedoria, e, por causa disso, é dada como exemplo de vida a quantos procuram a virtude: «Foi respeitada porque amou a Sabedoria» (Prov 6,8,LXX). Este texto aconselha-nos, pois, a não esquecermos nenhum ensinamento divino, masLeia mais →