Evitemos perder a esperança, mas evitemos igualmente ceder à indolência. […] O desespero impede quem cai de se voltar a levantar; a indolência faz cair quem está de pé. […] Se a presunção nos faz tombar do alto dos céus, o desespero lança-nos no abismo infinito do mal, mas basta um pouco de esperança para nos arrancar a ele. […] Foi assim que Nínive foi salva. Era natural que a sentença divina pronunciada contra os ninivitas os afundasse no desalento, porque ela não dizia: «Se vos arrependerdes, sereis salvos», mas: «Dentro de três dias, Nínive será destruída» (Jn 3,4). Contudo, nem as ameaças do Senhor,Leia mais →

Porque foi que Jesus não chamou Mateus ao mesmo tempo que Pedro, João e os outros? Tal como veio à Terra apenas quando sentiu que os homens estavam dispostos a obedecer-Lhe, também só chamou Mateus quando soube que ele O seguiria; pela mesma razão, só agarrou Paulo após a ressurreição (At 9). Porque, sondando os corações, penetrando no mais íntimo da alma de cada um, Ele sabia bem em que momento cada um estava disposto a segui-l’O. Se Mateus não foi chamado logo no princípio, foi porque ainda tinha o coração demasiado duro; mas, depois de Jesus ter feito numerosos milagres, e a sua famaLeia mais →

A invocação contínua de Jesus, quando acompanhada de um desejo pleno de ternura e alegria, permite que o espaço do coração se encha de alegria e serenidade pela graça da atenção extrema. Mas aquele que conduz ao seu termo a purificação do coração é Jesus Cristo, Filho de Deus e Deus, que é a origem e o Criador de todos os bens. Pois Ele diz: «Eu sou o Deus da paz» (Is 45,7). […] Façamos, como David, o esforço de gritar: «Senhor Jesus Cristo». Fiquemos roucos e que o olhar da nossa inteligência não deixe de esperar no Senhor nosso Deus (Sl 68,4). Se nosLeia mais →

O Verbo, a Palavra de Deus incorpórea, incorruptível e imaterial, veio habitar no meio de nós, ainda que antes não tivesse estado ausente. Com efeito, não deixara parte alguma da criação privada da sua presença, pois Ele estava em todas as coisas e em toda a parte, Ele que mora junto do Pai. Mas tornou-Se presente humilhando-Se por causa do seu amor por nós, e a nós Se manifestou […]. Teve piedade da nossa espécie, teve compaixão da nossa fragilidade, condescendeu para com a nossa perecível condição. Não aceitou que a morte nos dominasse; não quis ver perecer o que tinha iniciado, nem que seLeia mais →

São Paulo dizia: «A fraqueza de Deus é mais forte do que todos os homens» (1Cor 1,25). É evidente que a pregação é obra de Deus, pois como poderiam doze homens ignorantes, que viviam à beira de lagos e de rios e no deserto, ter tido a ideia de proceder a tal diligência? Como poderiam, eles que nunca tinham visitado as cidades e respetivas assembleias, pensar em mobilizar-se contra o mundo inteiro? Estavam cheios de medo, e o evangelista mostra-o bem, pois não quis desculpar nem esconder os seus defeitos. Isto é uma prova muito forte de veracidade. O que diz deles? Que, quando CristoLeia mais →

«Se Cristo morreu e ressuscitou, é para ser o Senhor dos mortos tal como dos vivos» (Rm 14,9). Contudo, «Deus não é o Deus dos mortos, mas o dos vivos» (Lc 20, 38). Por conseguinte, os mortos de quem é mestre Aquele que vive não estão mortos, mas vivos; e a vida domina-os a tal ponto que eles vivem sem mais temer a morte. Assim como «Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais» (Rm 6,9), também eles são elevados e libertos da corrupção e não mais verão a morte. Terão parte na ressurreição de Cristo, tal como Ele mesmo tomou parte na nossa morte. CristoLeia mais →

Recebemos mais do que damos; abandonamos pequenas coisas e encontramos bens imensos. Cristo dá-nos o cêntuplo daquilo que fazemos por Ele: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuis, e dá o dinheiro aos pobres. Depois, vem e segue-Me». «Se queres ser perfeito» – as grandes coisas são sempre deixadas à nossa liberdade. Da mesma maneira, o apóstolo Paulo não faz da virgindade um mandamento (1Cor 7), porque Jesus disse: «Quem puder compreender, que compreenda» (Mt 19,12). «Se queres ser perfeito» – nada se nos impõe a fim de que, sendo o sacrifício voluntário, o mérito seja maior. No entanto, para atingir aLeia mais →

Seguidamente, o Senhor propõe a parábola do fermento. «Assim como o fermento comunica a sua força invisível a toda a massa do pão, do mesmo modo a força do evangelho transformará o mundo inteiro graças ao ministério dos meus apóstolos. […] Não me respondais: “Que poderemos nós fazer, sendo doze miseráveis pecadores, perante o mundo inteiro?” Será precisamente a enorme diferença entre a causa e o efeito, a vitória de um punhado de homens sobre a multidão, que demonstrará o vigor da vossa força. Não é por se misturar o fermento na massa “ocultando-o” nela, segundo o evangelho, que toda a massa se transforma? Assim,Leia mais →

A morte, uma vez vencida pelo Salvador e pregada na cruz como que num pelourinho, será pisada por todos os que caminham em Cristo. Prestando homenagem a Cristo, estes zombam da morte, não lhe dão importância e repetem o que foi escrito sobre ela: «Morte, onde está a tua vitória? Inferno, onde está o teu ferrão?» (1Cor 15,55; Os 13,14). […] Será fraca demonstração da vitória obtida pelo Salvador sobre ela que os cristãos, crianças e jovens, desprezem a vida presente e prefiram morrer a renegar a sua fé? O homem teme naturalmente a morte e a dissolução do seu corpo; mas, coisa extraordinária, aqueleLeia mais →

«Levai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo». O pecado é um fardo, como atesta o salmista quando afirma: «Os meus pecados levantaram-se contra mim como um fardo». O Salvador carregou esse fardo por nós, ensinando-nos assim, com o seu exemplo, o que devemos fazer também nós. Pois Ele próprio transporta o fardo dos nossos pecados e sofre por nós (Is 53,4), convidando aqueles que se sentem oprimidos pelo pesado fardo da lei e dos seus pecados a carregar a carga leve da virtude quando afirma: «O meu jugo é suave e a minha carga é leve». Assim, pois, aqueleLeia mais →