Como a fraqueza dos homens não é capaz de manter um rumo firme neste mundo escorregadio, o bom médico mostra-nos o remédio para os nossos desvios, e o juiz misericordioso não nos recusa a esperança do perdão. Compreende-se assim que São Lucas tenha apresentado em sequência as três parábolas da ovelha perdida, da dracma perdida e do filho que estava morto e regressou à vida; fê-lo para que este triplo remédio nos comprometa a cuidarmos das nossas feridas. […] Alegremo-nos, pois, pelo facto de a ovelha que se tinha perdido em Adão ser reerguida em Cristo. Os ombros de Cristo são os braços da cruz;Leia mais →

«Como posso amar alguém que não conheço?» […] Se não podemos ver a Deus, temos no entanto outros meios para erguer os olhos do nosso espírito até Ele. Se não nos é possível vê-l’O em pessoa, podemos, já aqui, vê-l’O nos seus servos. Ao observar como eles fazem maravilhas, ficamos certos de que Deus habita neles. […] Nenhum de nós pode olhar diretamente para o sol, fixando-o no momento em que se levanta em todo o seu brilho, porque os nossos olhos, ao fixarem-se nos seus raios, ficam encandeados. Mas olhamos para as montanhas iluminadas pelo sol, e percebemos que ele se levantou. Do mesmoLeia mais →

Até quando deixaremos de obedecer a Cristo, que nos chama para o seu reino celeste? Até quando deixaremos de nos purificar? Não nos decidiremos a abandonar o nosso gênero habitual de vida, para seguir a fundo o Evangelho? Afirmamos desejar o reino de Deus, mas não nos preocupamos excessivamente com os meios para o alcançar. Ora, apesar de não nos dedicarmos minimamente à observância dos mandamentos do Senhor, estamos convencidos, na vaidade do nosso espírito, de que somos dignos de receber a mesma recompensa que recebem aqueles que resistiram ao pecado até à morte. Mas quem é o homem que, tendo-se deitado em sua casaLeia mais →

A Igreja não existe para estarmos divididos, mas para que as nossas divisões acabem; é esse o sentido da assembleia. Assim, pois, se viemos à eucaristia, não pratiquemos nenhuma ação que contradiga a eucaristia, não façamos sofrer o nosso irmão. Se vindes dar graças pelos bens recebidos, não vos separeis do vosso próximo. Cristo oferece o seu corpo a todos sem distinção quando diz «Tomai e comei dele todos», e vós fazeis seleção dos que admitis à vossa mesa? […] Estais a fazer memória de Cristo e desdenhais o pobre? […] Se tomais parte neste banquete divino, deveis ser compassivos. Bebestes o sangue de CristoLeia mais →

De todas as grandes coisas e maravilhosas que se pode dizer sobre Cristo, há uma que ultrapassa totalmente a admiração de que o espírito humano é capaz; a fragilidade da nossa inteligência mortal não consegue compreendê-la nem imaginá-la. É o fato de a omnipotência da majestade divina, o próprio Verbo do Pai (Jo 1,1), a própria Sabedoria de Deus (1Cor 1,24), na qual todas as coisas foram criadas — as visíveis e as invisíveis (Jo 1,3; Col 1,16) — Se ter deixado conter nos limites deste homem que Se manifestou na Judeia. É este o objeto da nossa fé. E há mais: acreditamos que aLeia mais →

São Poemen, o Grande, respondendo à pergunta «O que é a fé?», disse que a fé consiste em permanecer na humildade e praticar a misericórdia; isto é, fazer-nos humildes perante todos e perdoar-lhes todas as descortesias e ofensas, todos os seus pecados. Como os tolos zelotes fingem que a fé é a causa fundamental de seu zelo, que eles saibam que a verdadeira fé, e conseqüentemente também o verdadeiro zelo se expressam na humildade perante o próximo e na piedade para com ele. Deixemos o trabalho de julgar e condenar as pessoas para àqueles sobre cujos ombros recaiu o dever de julgar e governar seus irmãos. «Aquele que é movido pelo falso zelo», diz SantoLeia mais →

Quando alguém se torna digno de experimentar o amor de Deus, tem o hábito de esquecer todas as coisas por causa da suavidade deste amor, pois uma vez experimentado tal amor, todas as coisas visíveis perdem o interesse. A sua alma aproxima-se jubilosamente do amor dos homens, sem distinção: não se deixa perturbar pelas suas fraquezas, que não receia, à semelhança dos bem-aventurados apóstolos, que, no meio de tantos males que tiveram de suportar por parte dos seus carrascos, foram totalmente incapazes de os odiar e não tinham dificuldade em os amar. Isto manifestou-se em fatos: no final, sofreram a própria morte para poderem umLeia mais →

«Não beberei mais deste produto da videira até ao dia em que o hei de beber de novo convosco no Reino de meu Pai» (Mt 26,29). O que escutar com os ouvidos purificados será capaz de entrever este mistério inefável […]: o Salvador espera por nós, para conosco beber o vinho; espera por nós para Se alegrar. Até quando esperará? Até ter consumado a sua obra, até estarmos todos submetidos a Cristo, e Cristo a seu Pai (1Cor 15,28). Dado que somos todos membros do seu Corpo, podemos dizer que, de certa maneira, Ele não estará submetido enquanto nós não estivermos submetidos com uma submissãoLeia mais →

«Oxalá ouvísseis hoje a sua voz! Não endureçais os vossos corações como em Meriba, […] no deserto, quando os vossos pais Me provocaram. […] Eles não entrarão no lugar do meu repouso» (Sl 94,7-11). A graça da promessa de Deus é abundante, se hoje ouvirmos a sua voz, porque este «hoje» refere-se a cada novo dia enquanto se disser «hoje». Este «hoje» permanece até ao fim dos tempos, como permanece também a nossa possibilidade de aprender; nessa altura, o verdadeiro «hoje», o dia sem fim de Deus, confundir-se-á com a eternidade. Obedeçamos, pois, à voz do Verbo divino, à Palavra de Deus encarnada, porque oLeia mais →

«Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos Céus» (Mt 5,3). […] Depois do Senhor, os primeiros a dar-nos exemplo desta pobreza generosa foram os apóstolos. Deixando sem hesitar todos os seus bens ao ouvirem o chamamento do Divino Mestre, converteram-se alegremente e abandonaram a pesca de peixes para se tornarem pescadores de homens (Mt 4,18s). Entre estes homens, foram muitos os que se lhes assemelharam, imitando a sua fé; os primeiros filhos da Igreja «tinham um só coração e uma só alma» (At 4,32). Despojados de todas as suas posses, tinham sido enriquecidos com bens eternos graças à santa pobreza. AcolhendoLeia mais →