A morte, uma vez vencida pelo Salvador e pregada na cruz como que num pelourinho, será pisada por todos os que caminham em Cristo. Prestando homenagem a Cristo, estes zombam da morte, não lhe dão importância e repetem o que foi escrito sobre ela: «Morte, onde está a tua vitória? Inferno, onde está o teu ferrão?» (1Cor 15,55; Os 13,14). […] Será fraca demonstração da vitória obtida pelo Salvador sobre ela que os cristãos, crianças e jovens, desprezem a vida presente e prefiram morrer a renegar a sua fé? O homem teme naturalmente a morte e a dissolução do seu corpo; mas, coisa extraordinária, aqueleLeia mais →

«Levai os fardos uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo». O pecado é um fardo, como atesta o salmista quando afirma: «Os meus pecados levantaram-se contra mim como um fardo». O Salvador carregou esse fardo por nós, ensinando-nos assim, com o seu exemplo, o que devemos fazer também nós. Pois Ele próprio transporta o fardo dos nossos pecados e sofre por nós (Is 53,4), convidando aqueles que se sentem oprimidos pelo pesado fardo da lei e dos seus pecados a carregar a carga leve da virtude quando afirma: «O meu jugo é suave e a minha carga é leve». Assim, pois, aqueleLeia mais →

O Senhor põe os seus olhos nos humildes, para que estes se alegrem. Mas aos orgulhosos o Senhor volta a cara, para os humilhar. O humilde recebe sempre a compaixão de Deus. […] Faz-te pequeno em tudo diante dos homens, e serás elevado acima dos príncipes deste mundo. Antecipa-te a todos os seres, beija-os, rebaixa-te diante deles, e serás mais honrado que aqueles que oferecem ouro às mãos largas. Desce abaixo de ti próprio, e verás a glória de Deus em ti. Porque onde germina a humildade, aí brota a glória de Deus. […] Se tiveres humildade no teu coração, Deus revelará nele a suaLeia mais →

A Santa Igreja, ainda que muito diversa na multiplicidade das pessoas, é unificada pelo fogo do Espírito Santo. Se, materialmente, parece repartida em várias famílias, o mistério da sua profunda unidade nada pode perder da sua integridade: «Porque o amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado», diz São Paulo (Rom 5,5). Este Espírito é, sem qualquer dúvida, uno e múltiplo ao mesmo tempo, uno na essência da sua majestade, múltiplo nos dons e nos carismas concedidos à Santa Igreja, que enche com a sua presença. E este Espírito permite à Igreja ser simultaneamente una na sua extensãoLeia mais →

Quero abrir a boca, irmãos, para vos falar do altíssimo assunto da humildade. E estou cheio de temor, como quem sabe que vai falar de Deus com a língua dos seus próprios pensamentos. Porque a humildade é a roupagem da divindade. Fazendo-Se homem, o Verbo revestiu-Se de humildade. Por ela, viveu connosco dentro de um corpo. E todo o que vive na humildade torna-se verdadeiramente semelhante Àquele que desceu das alturas e cobriu a sua grandeza e a sua glória com as vestes da humildade, para que, ao vê-l’O, a criação não fosse consumida. Porque a criação não teria podido contemplá-l’O se Ele não tivesseLeia mais →

Se queres ser grande, não cultives o orgulho como o fariseu da parábola (Lc 18,9s), e serás verdadeiramente grande. Convence-te de que não tens méritos, e tê-los-ás. O publicano reconheceu que era pecador e, desse modo, tornou-se justo; quanto mais o justo que se reconhece pecador verá aumentar a sua justiça e os seus méritos! A humildade faz do pecador um justo, porque ele reconhece a verdade da sua vida; e a humildade verdadeira age na alma dos justos de forma ainda mais poderosa. Não percas, pois, por vã glória, o fruto que conquistaste com o teu esforço, o salário das tuas dores, a recompensaLeia mais →

Por intermédio de sua mãe, os filhos de Zebedeu fazem ao Mestre este pedido, na presença dos companheiros : «Ordena que nos sentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda». […] Cristo apressa-Se a tirar-lhes as ilusões, dizendo-lhes que devem estar prontos a sofrer injúrias, perseguições e mesmo a morte: «Não sabeis o que estais a pedir. Podeis beber o cálice que Eu hei de beber?» Que ninguém se espante por ver os apóstolos presa de tão imperfeitas inclinações. Espera que o mistério da cruz seja cumprido, que a força do Espírito Santo lhes seja comunicada. Se queres ver a sua forçaLeia mais →

Se me disserem: “Mostra-me o teu Deus”, dir-te-ei: “Mostra-me o homem que és e eu te mostrarei o meu Deus”. Mostra, portanto, como veem os olhos de tua mente e como ouvem os ouvidos de teu coração. Os que veem com os olhos do corpo, percebem o que se passa nesta vida terrena, e observam as diferenças entre a luz e as trevas, o branco e o preto, o feio e o belo, o disforme e o formoso, o que tem proporções e o que é sem medida, o que tem partes a mais e o que é incompleto; o mesmo se pode dizer noLeia mais →

Crês que, quando vier o Filho do Homem, encontrará fé sobre a Terra? (Lc 18,8) Aqueles que lançam esta pergunta do Evangelho devem recordar-se de que a fé que é aqui referida é aquela sobre a qual o Senhor dizia: «A tua fé te salvou» (Mt 9,22); e também, a propósito de um centurião: «Não encontrei semelhante fé em Israel» (Mt 8,10). […] Nem o centurião, nem a pobre mulher que tinha perdas de sangue havia doze anos (Mc 5,25) acreditavam no mistério da Trindade, que foi manifesto aos apóstolos após a ressurreição de Cristo […]; o que Jesus aprova é a simplicidade do seuLeia mais →

Os dias que decorreram entre a ressurreição do Senhor e a sua ascensão não foram desprovidos de acontecimentos: houve grandes mistérios que foram confirmados, grandes verdades que foram reveladas. Foi nessa altura que foi abolido o medo amargo da morte e que foi manifestada a imortalidade, não apenas da alma, mas também da carne. […] Naqueles dias, o Senhor juntou-Se a dois discípulos, acompanhando-os pelo caminho; e, a fim de dissipar em nós todas as trevas da dúvida, censurou estes homens amedrontados pela sua lentidão em compreender. Nos corações que Ele iluminou acendeu-se a chama da fé; estes homens estavam desalentados, mas encheram-se de ardorLeia mais →