No momento em que Policarpo entrou no estádio, uma voz ressoou no céu: «Coragem Policarpo, sê forte.» Ninguém viu quem falava, mas os nossos que estavam presentes ouviram a voz. […] Quando a multidão soube quem era este prisioneiro, os gritos duplicaram. O procônsul perguntou-lhe se ele era Policarpo. «Sim,» respondeu. O outro tentou arrancar-lhe uma renúncia à sua religião: «Respeita a tua idade avançada. […] Jura pela fortuna de César, renega. […] Diz mal de Cristo.» Policarpo respondeu: «Há oitenta e seis anos que O sirvo e Ele nunca me fez mal. Como poderia rejeitar o meu Rei e meu Salvador?» Como o outroLeia mais →

Os judeus diziam: «Os nossos pais comeram no maná no deserto». E o Salvador podia ter-lhes respondido: «Eu fiz um milagre maior que o de Moisés: Eu não preciso de vara nem de orações (cf Ex 9,23; 17,9s); fiz tudo isto por Mim próprio, pela minha própria autoridade. Vós recordais o prodígio do maná, mas Eu dei-vos pão em abundância». Porém, ainda não chegara o momento de falar desse modo. Jesus só tinha uma coisa em mente: atraí-los a Si, para que eles Lhe pedissem um alimento espiritual […]: «Não foi Moisés que vos deu o pão do Céu; meu Pai é que vos dáLeia mais →

Cristo anuncia aqui o que vai seguir-se à sua pregação. O cristianismo suscitou divisões em todo o mundo, colocando umas pessoas contra as outras. Cada casa passou a ter os seus crentes e os seus incréus; foi lançada uma guerra boa, destinada a rasgar uma paz má. Está escrito no Gênesis que Deus procedeu mais ou menos assim contra os homens rebeldes que, vindos do Oriente e cheios de altivez, construíram uma torre para penetrar nas alturas do Céu (cf Gn 11,1-9): provocou uma guerra entre eles. Donde a oração de David: dispersa, Senhor, os povos que querem a guerra (cf Sl 67,31). É necessáriaLeia mais →

Os anjos descem para aqueles que vão ser salvos. «Os anjos subiam e desciam por cima do Filho do homem» (Jo 1,51) e «aproximaram-se dele e O serviam» (Mt 4,11). Ora, os anjos descem porque Cristo desceu primeiro; receavam descer antes que o Senhor dos exércitos celestes e de todas as coisas (Col 1,16) lho tivesse ordenado. Mas, quando viram o Príncipe do exército celeste habitar na Terra, então, por esse caminho que tinha sido aberto, saíram atrás do seu Senhor, obedecendo à vontade daquele que os estabeleceu como guardiães dos que acreditam no seu nome. Ontem, estavas sob a dependência do demónio; hoje, estásLeia mais →

Há pessoas que, por caridade espiritual, carregam os fardos dos outros para além das suas próprias forças, recordando-se daquela passagem: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos». Há outras que, embora tenham indubitavelmente recebido de Deus força para assumir responsabilidade pelos outros, não tomam sobre si esta carga pela salvação dos seus irmãos. São pessoas que lamento, porque não têm caridade.  Às primeiras aplico as seguintes palavras: «Se conseguires retirar o precioso do vil, serás como a minha boca» (Jer 15,19); e: «Como tiveres feito assim se fará contigo» (Abd 1,15). Vi um doente curar, com a sua fé, aLeia mais →

Nos últimos tempos (1Pe 1,20), Deus, na sua bondade misericordiosa, quis vir em socorro do mundo que perecia e decidiu que a salvação de todas as nações se faria em Cristo. […] Foi por elas que Abraão recebeu outrora a promessa de uma descendência inumerável, não gerada pela carne, mas pela fé. E esta geração é comparada à multidão das estrelas do céu (Gn 15,5), porque do pai de todas as nações não é esperada uma posteridade terrena, mas celeste. […] Portanto, que «entre a totalidade das nações» (Rom 11,25), que todos os povos entrem na família dos patriarcas. Que os filhos da promessa recebamLeia mais →

O Senhor está permanentemente a comparar a alma humana com uma vinha: «O meu amigo possuía uma vinha numa colina fértil» (Is 5,1); «plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe» (Mt 21,33). É, evidentemente, à alma humana que Jesus chama a sua vinha, foi a ela que cercou, qual sebe, com a segurança que proporcionam os seus mandamentos e a proteção dos seus anjos, porque «o anjo do Senhor assenta os seus arraiais em redor dos que O temem» (Sl 33,8). Em seguida, ergueu em nosso redor uma paliçada, estabelecendo na Igreja «primeiro, apóstolos, segundo, profetas, terceiro, doutores» (1Cor 12,28). Por outro lado, através dosLeia mais →

Ignorar a Deus é morrer; pois a vida reside apenas em conhecê-Lo, viver n’Ele, amá-l’O e procurar assemelhar-se a Ele. Se quereis a vida eterna, […] procurai antes de mais conhecê-l’O, ainda que «ninguém conhece o Filho, senão o Pai, e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelá-l’O» (Mt 11,27). Em Deus, conhecei a grandeza do Redentor e a sua graça inestimável; pois, diz o apóstolo João, «a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo» (1,17). […] Se a Lei de Moisés pudesse dar-nos a vida eterna, porque teria oLeia mais →

Porque te chorarei, meu irmão que tanto amava e que me foste tirado […]? Na verdade, a minha relação contigo não desapareceu, apenas se alterou completamente para mim: até agora, era inseparável do corpo, a partir de agora tornou-se inseparável dos sentimentos. Tu permaneces comigo, e permanecerás para sempre. […] O apóstolo Paulo recorda-mo e põe uma espécie de freio à minha dor com as seguintes palavras […]: «Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança» (1Tess 4,13). […] Mas nem todas as lágrimas são um sinal de falta de féLeia mais →

Está escrito : «Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus» (1Jo 4,7); e mais adiante: «Deus é amor» (8). Deste modo se diz, por um lado, que o próprio Deus é amor, e por outro, que aquele que é de Deus é amor. Ora, quem é de Deus senão aquele que disse: «Saí de Deus e vim a este mundo»? (Jo 16,28). Se Deus Pai é amor, também o Filho é amor […] ; o Pai e o Filho são um só e em nada diferem. Eis a razão por que Cristo é chamado, para além de Sabedoria, Poder, Justiça, Verbo eLeia mais →