Recolhe a água de Cristo, a água que louva o Senhor. Recolhe a água que vem de várias fontes, a água que chove das nuvens dos profetas. Quem recolhe em si mesmo a água dos montes, ou tira água das fontes, começa a derramá-la como as nuvens. Enche o teu coração e a tua mente com esta água, para que a tua terra se torne húmida, irrigada pelas suas próprias fontes. Ora, é lendo inteligentemente que enchemos o nosso espírito; e quem está cheio pode irrigar os outros. É neste sentido que a Escritura diz: «Quando as nuvens estão carregadas, derramam chuva sobre a terra»Leia mais →

Senhor meu Deus, luz dos cegos e força dos fracos, mas também luz dos que veem e força dos fortes, escuta a a minha alma, ouve-a gritar do fundo do abismo (cf Sl 192,1). Pois se Tu não nos escutares do fundo do abismo, aonde iremos? A quem dirigiremos os nossos apelos? «Teu é o dia, tua é também a noite» (Sl 73,16). A um sinal teu, todos os instantes desaparecem. Dá aos nossos pensamentos o tempo necessário para investigarem os recessos profundos da tua lei e não feches a porta àqueles que batem (cf Mt 7,7). Com razão quiseste que se escrevessem tantas páginasLeia mais →

«Faz-te ao largo» quer dizer: avança para o mar alto dos debates. Haverá profundidade comparável aos «abismos da riqueza, da sabedoria e da ciência do Filho de Deus» (Rom 11,33), à proclamação da sua filiação divina? […] A Igreja é conduzida por Pedro para o mar alto do testemunho, para contemplar o Filho de Deus ressuscitado e o Espírito Santo derramado. O que são estas redes de apóstolo que Cristo nos manda lançar? Não serão o encadeado das palavras, as voltas do discurso, a profundidade dos argumentos, que não deixam escapar aqueles que são agarrados? Estes instrumentos de pesca dos apóstolos não matam a presa,Leia mais →

Nasceu pelo Espírito Santo de Mãe virgem, e pelo mesmo Espírito fecunda a sua Igreja puríssima, a fim de que, pelo nascimento do batismo, uma multidão inumerável de filhos seja gerada para Deus. Deles se diz que «não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1,13). É nele que a descendência de Abraão é abençoada pela adoção de todo o mundo, e que o patriarca se torna pai das nações quando os filhos da promessa nascem da fé e não da carne. Sem excetuar nenhum povo, Ele forma, de todas as nações que há debaixoLeia mais →

Na leitura do Evangelho, ouvimos Jesus louvar a nossa fé, associada à humildade. Quando prometeu ir a casa do centurião curar-lhe o servo, este respondeu: «Não mereço que entres em minha casa […]. Mas diz uma palavra e o meu servo será curado». Ao considerar-se indigno, revela-se digno – digno de que Cristo entre não só em sua casa, mas também no seu coração. […] Pois não teria sido para ele grande alegria se o Senhor Jesus tivesse entrado em sua casa sem entrar no seu coração. Com efeito, Cristo, Mestre de humildade pelo seu exemplo e pelas suas palavras, sentou-Se à mesa em casaLeia mais →

A natureza humana foi assumida pelo Filho de Deus tão intimamente que não só nele, «o primogênito de toda a criatura» (Cl 1,15), mas em todos os santos, há apenas um e mesmo Cristo. E, tal como a cabeça não se pode separar dos membros, também os membros não podem ser separados da cabeça. […] Sofre com Ele, não apenas a coragem gloriosa dos mártires, mas também a fé de todos os que renascem do banho da regeneração. Com efeito, quando renunciamos ao diabo para crer em Deus, quando passamos da vetustez à renovação, quando depomos a imagem do homem terreno para nos revestirmos daLeia mais →

«Felizes os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus» (Mt 5,3). Poderíamos perguntar-nos a que pobres quereria a Verdade referir-se se, ao dizer «Felizes os pobres», não tivesse acrescentado nada sobre o tipo de pobres de que falava. Pensar-se-ia então que, para merecer o Reino dos Céus, bastaria a indigência de que muitos sofrem devido a dura e penosa necessidade. Mas ao dizer: «Felizes os pobres de espírito», o Senhor mostra que o Reino dos Céus deve ser dado aos que são recomendados mais pela humildade da alma, do que pela penúria dos recursos. No entanto, não podemos duvidar de que osLeia mais →

«E eis que um mentiroso se levanta diante de mim e fala contra mim» (Jb 16,8 Vg). Até nas suas horas de tranquilidade a Santa Igreja é assolada pela mentira, pois há no seu seio muitos espíritos que, já não sendo fiéis à promessa da eternidade, mentem, dizendo-se fiéis. E, como eles não têm coragem para contradizer abertamente a sua pregação, ela suporta a mentira, não cara a cara, mas, por assim dizer, pelas costas. Quando, porém, soa a hora do maligno, aquele que agora calunia com medo vem contradizê-la na cara e as palavras da verdadeira fé são bloqueadas pelo seu clamor. Mas temosLeia mais →

«Cantarei ao Senhor enquanto viver» (Sl 103,33). O que cantará o salmista? Cantará tudo aquilo que Deus é. Cantemos a glória do Senhor durante toda a nossa vida. A nossa vida atual mais não é que uma esperança; a nossa vida futura será a eternidade. A vida desta vida mortal é a esperança da vida imortal: «Cantarei ao Senhor enquanto viver; louvarei o meu Deus enquanto existir». E, porque viverei nele sem fim, enquanto viver cantarei ao meu Deus. Não pensemos que, quando tivermos começado a cantar ao Senhor na cidade do Céu, quereremos fazer outra coisa; nessa altura, toda a nossa vida consistirá emLeia mais →

O homem não deve limitar-se a prover às suas próprias necessidades, mas também às dos outros. A recompensa não é a mesma para aqueles que só pensam em si próprios e para aqueles que se salvam a si próprios e aos outros com eles. Tal como aquele que prega e não faz o que diz se condena a si mesmo, segundo São Paulo: «Como é que tu ensinas os outros e não te ensinas a ti próprio?» (Rm 2,21), também aquele que faz o bem e não ensina os outros a fazê-lo perde grande parte da sua recompensa. Devemos, portanto, trabalhar por ambas as coisasLeia mais →