Ainda hoje Cristo é para nós um Mestre cheio de doçura e de amor. […] Vede como Ele age. Mostra-Se compassivo para com o pecador que, no entanto, merece as Suas censuras. Aqueles que provocam a Sua cólera deveriam ser aniquilados, mas Ele dirige aos homens culpados palavras cheias de doçura: «Vinde a Mim, tornai-vos Meus discípulos, porque sou manso e humilde de coração». Deus é humilde; o homem é orgulhoso. O juiz mostra-se clemente; o malfeitor arrogante. O artesão profere palavras de humildade; a argila discorre à maneira de um rei (cf Is 29,16; 45,9). «Vinde a Mim, tornai-vos Meus discípulos, porque sou mansoLeia mais →

A viúva de Sarepta recebe o profeta Elias com toda a generosidade e esgota toda a sua pobreza em sua honra, embora seja uma estrangeira de Sídon. Ela nunca tinha ouvido o que os profetas dizem acerca do mérito da esmola, e muito menos ainda a palavra de Cristo: «Tive fome e destes-Me de comer» (Mt 25,35). Qual será a nossa desculpa se, depois de tais exortações, depois da promessa de tão grandes recompensas, depois da promessa do Reino dos Céus e da sua felicidade, não chegarmos ao mesmo grau de bondade que esta viúva? Uma mulher de Sídon, uma viúva, tendo a seu cargoLeia mais →

A misericórdia divina compadece-se das lágrimas desta mãe. Ela é viúva; o sofrimento e a morte do seu filho único abalaram-na profundamente. […] Parece-me que esta viúva, rodeada por uma grande multidão, é mais do que uma simples mulher que merece, pelas suas lágrimas, a ressurreição de um filho jovem e único. Ela é a imagem da própria Santa Igreja que, através das suas lágrimas, no meio do cortejo fúnebre e até ao túmulo, consegue chamar à vida o jovem povo que é o mundo. […] Porque à palavra de Deus os mortos ressuscitam, recuperam a voz e a mãe reencontra o seu filho; eleLeia mais →

Toda a vida do «maior entre os nascidos de mulher» (Mt 11,11) é o milagre dos milagres. E não se trata apenas da vida inteira de João, profeta (Mt 11,9) já antes de ter nascido (Lc 1,44) e o maior dos profetas. Também tudo o que acontece antes do seu nascimento e depois da sua morte ultrapassa todos os milagres. Com efeito, as predições dos profetas a seu respeito, inspiradas por Deus, descrevem-no não como um homem, mas como um anjo, como uma chama brilhante, como a estrela da manhã (Nm 24,17) difundindo a luz divina — pois ele precede o Sol da justiça (MlLeia mais →

«Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou à vida: para ser Senhor, tanto dos mortos como dos vivos» (Rm 14,9). Mas «Deus não é Deus de mortos, mas de vivos» (Lc 20,38). Portanto, uma vez que este Senhor dos mortos está vivo, os mortos já não são mortos, mas vivos: a vida reina neles, para que eles vivam sem temer a morte. Do mesmo modo que «Cristo, ressuscitado de entre os mortos, já não morrerá» (Rm 6,9), assim também eles, elevados e libertados do estado perecível, nunca mais verão a morte. Participarão da ressurreição de Cristo, como Ele próprio participou da nossa morte.Leia mais →

Se hoje não tiver persuadido o meu auditório, talvez o venha a fazer amanhã, daqui a três ou quatro dias, ou até mais tarde. O pescador que inutilmente tenha lançado as redes o dia todo, à noitinha, antes mesmo de partir, por vezes apanha o peixe que não conseguiu apanhar durante o dia. E, mesmo que não obtenha boas colheitas durante vários anos, o agricultor não deixa de trabalhar a terra, porque acontece amiúde num só ano conseguir suplantar com abundância todas as perdas anteriores. Deus não nos pede para sermos bem-sucedidos, mas para sermos trabalhadores, e o nosso trabalho não será menos recompensado sóLeia mais →

É normal que todos os que querem que se acredite neles deem razões para se acreditar. Foi por isso que o anjo […] anunciou a Maria, a virgem, que uma mulher idosa e estéril se tornara mãe, mostrando assim que Deus pode fazer tudo o que quiser. Assim que Maria soube disto partiu para as montanhas ─ não por falta de fé na profecia, nem pela incerteza perante este anúncio, nem por dúvida […], mas na alegria do seu desejo, para cumprir um dever religioso, na urgência da alegria. Doravante cheia de Deus, como poderia Ela não se elevar apressadamente às alturas? Os raciocínios lentosLeia mais →

«Uma vez levantado da terra, atrairei todos a Mim» (Jo 12,32). Admirável poder da cruz! Indescritível glória da Paixão! Aí se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo e a vitória do Crucificado. Sim, Tu atraíste todos a Ti, Senhor, e quando «estendias continuamente as mãos para um povo incrédulo e rebelde» (Is 65,2; Rom 10,21), o mundo inteiro percebeu que devia glorificar a Tua majestade. […] Tu atraíste todos a Ti, Senhor, porque, quando o véu do templo se rasgou (Mt 27,51), a imagem do Santo dos Santos manifestou-se na verdade, a profecia foi completamente cumprida, e a Lei antiga foi substituídaLeia mais →

Um dos servos diz: «Senhor, confiaste-me cinco talentos»; outro diz que lhe couberam dois a guardar. Reconhecem que receberam dele o meio de fazer o bem; dão-lhe testemunho de grande reconhecimento e prestam-lhe contas dos bens confiados. Que lhes responde o seu Senhor? «Muito bem, servo bom e fiel (porque o próprio da bondade é ver o seu próximo); porque foste fiel nas pequenas coisas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do Senhor.» Assim designa Jesus a beatitude completa. Mas o que apenas tinha recebido um talento foi enterrá-lo. «Quanto a este servo inútil, lançai-o às trevas exteriores. Aí haverá choro e rangerLeia mais →

«Com a notícia do nascimento do Salvador, Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele» (Mt 2,3). […] É o mistério da Paixão, que aparecia já na mirra dos Magos; os recém-nascidos foram massacrados sem dó nem piedade. […] O que significa esta matança de crianças? Por quê ousar crime tão horrendo? «É que, dizem Herodes e os seus conselheiros, um estranho sinal apareceu no céu; um sinal que garantiu aos Magos que chegara outro rei.» Entendes tu, Herodes, o que são estes sinais? […] Se Jesus é Senhor dos astros, não estará ao abrigo dos teus ataques? Julgas ter poder de vida e deLeia mais →