«Abraão, vosso pai, exultou pensando em ver o Meu dia; viu-o e ficou feliz.» Abraão viu o dia do Senhor quando recebeu em sua casa os três anjos que representam a Santíssima Trindade: três hóspedes a quem se dirigiu como se fossem um só (cf Gn 18,2-3). […] Mas o espírito terra-a-terra dos ouvintes do Senhor não eleva o olhar acima da carne […], e eles dizem-Lhe: «Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?»  Então, o nosso Redentor desvia suavemente o seu olhar do corpo de carne para o elevar à contemplação da Sua divindade, declarando: «Em verdade, em verdade vos digo: antes deLeia mais →

Como podiam os seres criados contemplar a Deus? A visão de Deus é tão terrível que o próprio Moisés afirma que teme e treme. Com efeito, quando a glória de Deus apareceu no monte Sinai (Ex 20), a montanha fumegava e tremia de medo sob o efeito da revelação; e os animais que se aproximavam das suas encostas morriam. Os filhos de Israel prepararam-se: obedecendo à ordem de Moisés, purificaram-se durante três dias a fim de serem dignos de ouvir a voz de Deus e de ver a Sua revelação. Ora, quando chegou o momento, não conseguiram assumir a visão da Sua luz nem receberLeia mais →

Com doze anos, Jesus ficou em Jerusalém. Não o sabendo, Seus pais começam a procurá-Lo, inquietos, e não O encontram. Procuram «entre os parentes», procuram «entre os seus companheiros de viagem», procuram «entre os seus conhecidos», mas não O encontram. […] O meu Jesus não quer ser encontrado no meio da multidão. Ficai a saber onde O encontraram […] para que também vós O possais encontrar: «Depois de muito procurar, encontraram-n’O no templo». Não num sítio qualquer mas «no templo», e não apenas no templo mas «sentado entre os doutores, a ouvi-los e a fazer-lhes perguntas». Procurai vós também Jesus no templo de Deus, procurai-OLeia mais →

Ao comer do fruto da árvore proibida, Adão transgrediu os preceitos da vida (Gn 3,6). Quanto a nós, é reduzindo, na medida do possível, o que comemos que nos reergueremos e reencontraremos a alegria do Paraíso. No entanto, que ninguém fique a pensar que basta essa abstinência. Com efeito, diz Deus pelo Seu profeta: «O jejum que Me agrada é este: […] repartir o teu pão com os esfomeados, dar abrigo aos infelizes sem casa, atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão» (Is 58,6-7). Aí está o jejum que Deus aprova: aquele que é apresentado com as mãos cheias de esmolasLeia mais →

Enviando discípulos para a messe que tinha sido bem semeada pelo Verbo do Pai, mas que clamava por ser trabalhada, cultivada, cuidada com solicitude para que os pássaros não roubassem a semente, Jesus declara-lhes: «Envio-vos como cordeiros para o meio de lobos». […] O Bom Pastor não teme que os lobos Lhe ataquem o rebanho; não enviou os Seus discípulos para se tornarem presas deles, mas para difundirem a graça. A solicitude do Bom Pastor faz com que os lobos não consigam atentar contra os cordeiros que Ele envia. E envia-os para que se realize a profecia de Isaías: «O lobo e o cordeiro pastarãoLeia mais →

Jesus é Aquele que «saiu do tronco de Jessé» segundo a carne, o «nascido da descendência de Daví segundo a carne», e também «estabelecido no Seu poder de Filho de Deus segundo o Espírito que santifica» (Is 11,1; Rom 1:3-4). Sim, Ele é «o ramo saído do tronco de Jessé», mas não é um ramo, Ele que é «o primogênito de toda a criação» (Col 1,15); Ele não é apenas um ramo, Ele que é Deus e «o Verbo [que] estava com Deus, e o Verbo [que] era Deus» (Jo 1,1), mas Aquele que nasceu segundo a carne é uma vara saída do tronco deLeia mais →

Os judeus comiam a refeição da Páscoa em pé, com as sandálias nos pés e o cajado na mão; comiam-na à pressa (cf Ex 12,11). Tu ainda tens mais razão para te manteres vigilante! Eles apressavam-se para partir para a Terra Prometida e comportavam-se como viajantes; tu encaminhas-te para o céu. É por isso que temos de estar sempre em guarda. […] Os inimigos de Cristo bateram no Seu santíssimo corpo sem saberem o que faziam (cf Lc 23,34); e tu recebê-Lo-ias com a alma impura depois de tantos benefícios que Ele te fez? Pois Ele não Se contentou em Se fazer homem, em serLeia mais →

O que é tido como loucura de Deus é mais sábio que os homens, e o que é tido como fraqueza de Deus é mais forte que os homens (1Cor 1,25). Sim, a cruz é uma loucura e uma fraqueza, mas só aparentemente. […] A doutrina da cruz conquistou os espíritos de todo o mundo por meio de pregadores ignorantes. Esta doutrina abriu uma escola onde não se tratava de questões banais, mas de Deus e da verdadeira fé, da vida segundo o Evangelho, e do julgamento futuro. Assim, a cruz transformou em filósofos pessoas simples e iletradas. É por isso que a loucura daLeia mais →

Levantemo-nos, a exemplo dos magos. Deixemos que o mundo se perturbe; nós, porém, corramos com alegria à morada do Menino. Ainda que os reis ou os povos se esforcem por nos barrar o caminho, não abrandemos o nosso fervor, afastemos todos os males que nos ameaçam. Se não tivessem visto o Menino, os magos não teriam escapado ao perigo que corriam por parte do rei Herodes. Antes de terem tido a felicidade de O contemplar, eram assaltados pelo temor, estavam rodeados de perigos e mergulhados em dificuldades; depois de O terem adorado, a calma e a segurança instalaram-se-lhes no coração. […] Deixemos pois, também nós,Leia mais →

O Senhor diz: «As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz; Eu as conheço e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna.» Delas tinha dito um pouco antes: «Se alguém entrar por Mim, será salvo; poderá entrar e sair e encontrará pastagem» (Jo 19, 9). Entrará efetivamente, abrindo-se à fé; sairá passando da fé à visão e à contemplação, e encontrará pasto abundante no banquete eterno. As Suas ovelhas, portanto, encontram pastagens, porque todo aquele que O segue na simplicidade de coração é nutrido com um alimento de eterna frescura. Que são afinal as pastagens destas ovelhas, senão as profundas alegrias de um paraíso sempreLeia mais →