«Prodígio assustador: como pode o túmulo conter-Te, meu filho, se os limites do mundo Te não contêm?» perguntava a Virgem. «A luz dos meus olhos escureceu. Como é possível que, sem o Sol se pôr, eu Te veja desaparecer sob a terra!» […] O Sol revestiu-se de trevas ao ver-Te, a Ti, Uno da Trindade, esconder os teus raios sob a terra e desnudar as cavernas do Inferno, resgatando à força o condenado aos grilhões e perdoando-lhe a pena. Vinde, almas todas dos fiéis que correis para o túmulo com perfumes, porque eis que irrompe a boa nova da alegria e do júbilo: Cristo SalvadorLeia mais →

Aqui estamos nós, na grande e santa semana dos sofrimentos de Cristo, para aprendemos uma vez mais quantas vezes, quando e a que ponto o Senhor da glória (cf 1Cor 2,8), nosso Deus e Criador, Se humilhou por nós. Somos iluminados quando de novo penetramos em tudo isto. Com efeito, só um coração de pedra não se compadeceria ao ver o Senhor ser entregue por um discípulo nas mãos dos ímpios (cf At 2, 23), amarrado pelos soldados e levado a um tribunal, onde foi condenado – Ele, que é a Verdade, chamado impostor e charlatão (cf Mt 27,63), Ele, que é o Salvador deLeia mais →

Vimos Cristo obedecer à Lei de Moisés, o que quer dizer que Deus, o legislador, Se submeteu, como um homem, às suas próprias leis, como nos ensina São Paulo […]: «Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que se encontravam sob o jugo da Lei» (Gal 4,4-5). Por conseguinte, Cristo resgatou da maldição da Lei os que a ela estavam sujeitos, mas não a observavam. De que modo os resgatou? Aperfeiçoando esta Lei; dito de outro modo, a fim de apagar a transgressão da qual Adão se tornara culpado, Ele foiLeia mais →

Caríssimos irmãos, o número quarenta possui um valor simbólico, ligado ao mistério da nossa salvação. Com efeito, quando, nos primeiros tempos, a maldade dos homens invadiu a superfície da Terra, Deus fez cair chuva do céu durante quarenta dias e inundou a Terra inteira com as águas do dilúvio (Gn 7). Estava lançada simbolicamente a história da nossa salvação: as águas da chuva caíram durante quarenta dias para purificar o mundo. Agora, durante os quarenta dias da Quaresma, é oferecida aos homens a misericórdia, para que se purifiquem. […] Assim, o dilúvio é figura do batismo; o que então se verificou ainda hoje se cumpreLeia mais →

Mestre de todos, Cristo, livra-nos de todos os males,das paixões que nos destroeme dos pensamentos nascidos das paixões.Por tua causa fomos criados,para gozarmos as delícias em que nos colocasteno jardim do Paraíso por Ti plantado.Fizemos cair sobre nós a desonra atualpor às delícias felizes preferirmos a ruína,cuja retribuição recebemos em nós,que trocámos a vida eterna pela morte.Agora, pois, ó Mestre, assim como olhaste para nós,olha-nos por fim.Assim como Te fizeste homem, salva-nos a todos.Porque vieste salvar-nos, a nós que estávamos perdidos,não nos separes dos que foram salvos.Ressuscita as almas e salva os corpos,purifica-nos de toda a impureza.Quebra os laços das paixões que nos prendem,Tu, queLeia mais →

«Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5,7). A palavra misericórdia é suave, meus irmãos. Se a palavra é suave, quanto mais o facto! […] Dado que todos nós queremos misericórdia, tomemo-la como protetora neste mundo, para que nos liberte no mundo que há de vir. Com efeito, há uma misericórdia no Céu, à qual chegamos por atos de misericórdia na terra. A Escritura diz claramente: «Senhor, a tua misericórdia está no Céu» (Sl 35,6 Vulg). Portanto, há uma misericórdia na terra e outra no Céu, isto é, uma humana e outra divina. Qual é a misericórdia humana? É inclinares-te sobre a miséria dos pobres.Leia mais →

André conhecia estas palavras de Moisés: «O Senhor, teu Deus, suscitará no meio de vós, de entre os teus irmãos, um profeta como eu; a ele deves escutar» (Dt 18,15). Assim, ao ouvir João Batista exclamar: «Eis o Cordeiro de Deus» (Jo 1,29), vai espontaneamente ter com Ele: reconheceu o profeta anunciado pela profecia, e leva seu irmão até junto daquele que encontrou, mostrando a Pedro o tesouro que este não conhecia: «Encontrámos o Messias, o desejado. Esperávamos a sua vinda, contemplemo-lo agora. Encontramos Aquele por quem a portentosa voz dos profetas nos ordenava que esperássemos. O tempo presente trouxe-nos Aquele que a graça haviaLeia mais →

Bem pode o povo pecar que não desencoraja a misericórdia de Deus. O povo fez um bezerro, mas Deus teve misericórdia dele; negou a Deus, mas Deus não Se negou a Si mesmo (cf 2Tm 2,13). «Estes são os teus deuses, Israel» (Ex 32,4), disseram os hebreus, e mesmo depois disso o Deus de Israel, fiel a Si mesmo, tornou-Se o seu salvador. Mas o povo não foi o único a pecar; com ele pecou o sumo sacerdote, Aarão. E Moisés disse: «A cólera do Senhor também se acendeu contra Aarão»; mas acrescentou: «Eu rezei por ele, e Deus perdoou-lhe» (Dt 21,8). Então Moisés, rezandoLeia mais →

O bem supremo é a oração, o encontro familiar com Deus. […] A oração é a luz da alma, o verdadeiro conhecimento de Deus, a mediadora entre Deus e os homens. Por ela, a alma eleva-se ao Céu e cinge-se a Deus num abraço inexprimível. Como criança chorando por sua mãe, ela expressa a profundidade do desejo, a sua vontade profunda, e recebe dádivas que ultrapassam por completo a natureza visível. Porque a oração apresenta-se como uma embaixadora poderosa, que alegra e apazigua a alma. Quando falo da oração, não penses que se trata de palavras. A oração é um impulso para Deus, um amorLeia mais →

Eis que o Senhor vem receber o batismo; e chega miserável, nu, sem companhia, revestido da nossa humanidade, ocultando a sua grandeza divina para frustrar a astúcia da serpente. Dizer que Ele vem ao encontro de João qual Senhor que dispensou a sua guarda pessoal é dizer pouco; na verdade, Jesus aborda-o como um simples homem, submetido ao pecado, inclinando a fronte para ser batizado pela mão de João. Impressionado com esta humildade, este tenta recusar dizendo: «Eu é que tenho necessidade de ser batizado por Ti. E Tu vens a mim?» (Mt 3,14). […] Vede, bem–amados meus, quão numerosos e importantes bens teríamos perdidoLeia mais →