Depois de ter estado com Jesus e de ter aprendido muito, André não guardou este tesouro para si; apressou-se a ir ter com seu irmão para o fazer participar do bem que tinha recebido. […] Reparai como Pedro tem, desde o princípio, um espírito dócil e obediente […], pois acorre sem demora: André «levou-o a Jesus», diz o evangelista. Mas que ninguém o acuse de leviandade, como se tivesse aceitado cegamente o convite do irmão. É provável que este lhe tenha falado longamente e em pormenor, porque os evangelistas omitem muitas coisas por uma questão de brevidade. Além disso, não está dito que Pedro acreditouLeia mais →

Jesus não disse simplesmente: «Eu quero, fica curado». Fez outra coisa: «Estendeu a mão e tocou-o». Ora, podemos perguntar: uma vez que o curava por um ato da sua vontade e por uma palavra, por que razão o tocou com a mão? Parece-me que não é senão para mostrar que Ele não é inferior, mas superior à Lei e que, doravante, nada é impuro para quem é puro. A mão de Jesus não ficou impura ao tocar no leproso; pelo contrário, o corpo do leproso é que foi purificado pela santidade daquela mão. É que Cristo não veio só para curar os corpos, mas paraLeia mais →

O apóstolo prova que somos filhos de Deus pelo facto de termos o Espírito Santo em nós (cf. Gal 4,4); diz ele que nunca nos atreveríamos a dizer «Pai nosso, que estás nos Céus» se não fosse a consciência de que o Espírito Santo habita em nós e grita com a voz poderosa da inteligência e da fé: «Abbá, Pai». […] É preciso notar que, na Sagrada Escritura, a palavra «clamor» não significa a intensidade da voz, mas a força do pensamento e da verdade que é expressa; assim, por exemplo, no Êxodo, o Senhor responde a Moisés: «Porque clamas a Mim?» (Ex 14,15), emboraLeia mais →

Agora que o Verbo Se fez homem e fez suas as nossas misérias, elas são destruídas por Ele. Os homens não morreram sob os seus pecados; mas, ressuscitados pelo poder do Verbo, permanecem incorruptíveis para sempre e imortais. Quando a sua humanidade nasce de Maria, a Mãe de Deus, diz-se que é Ele que nasce. Na realidade, porém, Ele toma para Si o nosso nascimento, e nós deixamos de ser simplesmente da terra que terá de voltar à terra, e somos reunidos ao Verbo do Céu, que quer conduzir-nos ao Céu. Do mesmo modo, Ele tomou em Si as outras fraquezas do corpo para queLeia mais →

«É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos que lhe são fiéis» (Sl 115,15). Uma religião cujo fundamento é o mistério da cruz de Cristo não pode ser destruída por nenhum tipo de crueldade. A Igreja não é diminuída pela perseguição, mas fortalecida por ela: o campo do Senhor fica coberto por uma seara cada vez mais rica, porque as sementes, caindo uma a uma, renascem multiplicadas. Milhares de mártires bem-aventurados testemunham a multiplicação da posteridade dessas duas gloriosas sementes da sementeira divina, os apóstolos Pedro e Paulo. Émulos de um e outro no seu triunfo, eles encheram a nossa cidade de Roma deLeia mais →

«Que a morte antiga devore a beleza da sua pele e lhe consuma os braços» (Job 18,13 Vg). A beleza da pele designa a glória temporal, que se deseja exteriormente e se conserva como uma aparência brilhante na pele. A palavra «braços» aplica-se apropriadamente às nossas obras, uma vez que o trabalho físico é efetuado pelos braços. E o que é a morte senão o pecado, que separa a alma da vida interior e a mata? […] Assim, pois, se o pecado é a morte, podemos entender por morte antiga a soberba, pois está escrito: «A raiz de todo o pecado é a soberba» (EcloLeia mais →

«Quando Ele desceu do monte, seguiram-no numerosas multidões. E eis que um leproso, aproximando-se, ajoelhou-se diante dele, dizendo: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me”» (Mt 8,1-2). Grande era a discrição e a fé daquele que assim se aproximou: teve o cuidado de não interromper o ensinamento de Jesus, não atravessou a multidão que O escutava; mas esperou o momento certo e aproximou-se do Senhor quando Ele já tinha descido do monte. Não se dirige a Ele de forma banal, mas com grande fervor, caindo de joelhos, como diz outro evangelista, com uma fé profunda e uma ideia exata de Cristo; pois não Lhe disse: «se pediresLeia mais →

Zacarias cala-se e perde a fala até ao nascimento de João, precursor do Senhor, que lhe devolve a fala. O silêncio de Zacarias significa que a profecia desapareceu e que, antes do anúncio de Cristo, está como que escondida e fechada, abrindo-se ao seu advento, tornando-se clara para a chegada daquele que estava profetizado. A fala devolvida a Zacarias aquando do nascimento de João corresponde ao véu rasgado aquando da morte de Jesus na cruz (cf Mt 27,51). Se João se tivesse anunciado a si mesmo, a boca de Zacarias não se teria reaberto. A fala é-lhe devolvida por causa do nascimento daquele que éLeia mais →

Não há nada em que o homem seja tão parecido com Deus como na capacidade de fazer o bem; e, mesmo tendo nós essa capacidade numa medida completamente diferente da de Deus, façamos pelo menos tudo o que pudermos. Deus criou o homem e reergueu-o depois da queda. Não desprezes, pois, aquele que caiu na miséria. Comovido pelo enorme sofrimento do homem, deu-lhe a Lei e os profetas, depois de lhe ter dado a lei não escrita da natureza. Teve o cuidado de nos conduzir, de nos aconselhar, de nos corrigir. Finalmente, deu-Se a Si mesmo em resgate pela vida do mundo. […] Quando navegasLeia mais →

Não poderemos, também nós, transportar alguém cujas forças interiores estejam enfraquecidas, como as do paralítico do Evangelho, e abrir-lhe o teto das Escrituras para o fazer descer até aos pés do Senhor? Vede bem, esta pessoa será como que um paralítico espiritual. Eu vejo o teto (da Escritura) e sei que Cristo Se esconde sob esse teto; farei portanto, na medida do possível, aquilo que o Senhor aprovou em relação aos que abriram o teto da casa e desceram o paralítico. Na verdade, Ele disse-lhe: «Filho, os teus pecados estão perdoados», e curou esse homem da sua paralisia interior: perdoou-lhe os pecados e firmou aLeia mais →