«Venha o teu Reino» (Mt 6,10). Pedimos que o Reino de Deus se realize para nós, no sentido de implorarmos que o seu nome seja santificado em nós. Com efeito, quando é que Deus não reina? E quando começou o que nele sempre existiu e nunca acabará? Pedimos-Lhe, pois, que venha o nosso reino, aquele que Deus nos prometeu, aquele que Cristo nos obteve com a sua Paixão e o seu sangue. Assim, depois de termos sido escravos neste mundo, seremos reis, quando Cristo for soberano, como Ele mesmo nos prometeu ao dizer: «Vinde, benditos de meu Pai, recebei em herança o Reino que vosLeia mais →

Se perguntarmos porque é que João batizava, uma vez que não podia remir os pecados com o seu batismo, a razão é bem clara: para ser fiel ao seu ministério de Precursor, João tinha de batizar antes do Senhor, tal como nascera antes dele, pregava antes dele e morreria antes dele. Mas também o fazia para impedir que as invejas quezilentas dos fariseus e dos escribas recaíssem sobre o ministério do Senhor, como aconteceria se fosse Ele o primeiro a dar o batismo aos homens. «Donde era o batismo de João? Do Céu ou dos homens?». Tal como não ousaram negar que vinha do Céu,Leia mais →

Ao ver os discípulos dirigirem-se a Jesus, João ficou preocupado com a ignorância deles, não com a sua, pois ele tinha proclamado que viria Alguém remir os pecados. Mas, para lhes dar a conhecer que era Aquele quem ele proclamara, enviou os discípulos a observar as suas obras, para que estas conferissem autoridade ao anúncio, e nenhum outro Cristo fosse esperado para além daquele de quem as obras tinham dado testemunho. E, como o Senhor Se tinha revelado completamente pelas suas ações milagrosas, dando vista aos cegos, marcha aos coxos, cura aos leprosos, audição aos surdos, palavra aos mudos, vida aos mortos, instrução aos pobres,Leia mais →

Exorto-vos a que persevereis fortes e constantes na confissão da glória celeste e […] avanceis com energia espiritual até receber a coroa, tendo como protetor e guia o Senhor, que disse: «Eu estarei convosco todos os dias até ao fim do mundo» (Mt 28,20). […] Feliz cárcere, que leva ao céu os homens de Deus! […] Nada mais ocupe agora o vosso coração e o vosso espírito que os preceitos divinos e os mandamentos celestes, por meio dos quais sempre o Espírito Santo vos animou a suportar os tormentos. Ninguém pense na morte, mas na imortalidade; nem no suplício transitório, mas na glória eterna, poisLeia mais →

Em vossa opinião, quem é o homem que semeou na sua horta o grão que recebeu como grão de mostarda? Penso que é aquele sobre o qual o Evangelho diz: «Um membro do Conselho chamado José, natural de Arimateia […], foi ter com Pilatos, pediu-lhe o corpo de Jesus e, descendo-O da cruz, envolveu-O num lençol e depositou-O num sepulcro preparado na sua horta» (Lc 23,50-53). É por essa razão que as Escrituras dizem: «Um homem tomou-o e lançou-o na sua horta». Na horta de José, misturavam-se perfumes de diversas flores, mas um grão como aquele nunca aí tinha sido lançado. A horta espiritual daLeia mais →

Há muitas coisas que não conseguimos realizar fisicamente, pela nossa fraqueza humana; mas, se o desejarmos verdadeiramente, poderemos, com a inspiração de Deus, encontrar amor no nosso coração. Há coisas que não conseguimos tirar do sótão, da adega ou da despensa de nossa casa, mas não temos nenhuma desculpa quando se trata do coração. […] Ninguém nos diz: «Ide para o Oriente à procura do amor; navegai para Ocidente e encontrareis o amor». Não, ordenam-nos que entremos no interior do nosso coração, de onde a cólera nos faz sair com tanta frequência. Como diz o profeta: «Pecadores, lembrai-vos disto e meditai» (Is 46,8). Não éLeia mais →

Para discernir sem erro o bem do mal, é precisa a luz do verdadeiro conhecimento. […] Aqueles que lutam devem preservar a todo o momento a calma do pensamento; assim, o espírito poderá discernir as sugestões que o atravessam, e depositará no tesouro da memória as que são boas e vêm de Deus, rejeitando as que são más e diabólicas. Quando o mar está calmo, os pescadores apercebem-se dos movimentos que têm lugar nas suas profundezas, de maneira que quase nenhum dos seres que as percorrem lhes escapa; mas, quando é agitado pelo vento, esconde nessa sombria agitação aquilo que mostra nos momentos de tranquilidade.Leia mais →

Jesus «orava a sós» (Lc 9,18). A fonte da oração reside no silêncio da paz interior; é aí que se manifesta a glória de Deus (cf Lc 9,29). Porque, quando cerramos os olhos e os ouvidos e nos encontramos no nosso interior, na presença de Deus, quando nos libertamos da agitação do mundo exterior e nos encontramos dentro de nós próprios, então vemos claramente na nossa alma o Reino de Deus. Porque o Reino dos Céus ou, se preferirmos, o Reino de Deus, está em nós próprios: é Jesus Nosso Senhor quem no-lo diz (cf Lc 17,21). No entanto, os crentes e o Senhor oramLeia mais →

Nosso Senhor foi tocado pela morte, mas, em contrapartida, abriu um caminho que esmaga a morte: submeteu-Se à morte e sofreu-a voluntariamente, para a destruir. Seguindo a ordem da morte, «saiu carregando a cruz» (Jo 19,17); mas, já na cruz, soltou um brado e tirou os mortos do inferno, embora a morte não quisesse consenti-lo. […] Ele é o glorioso «filho do carpinteiro» (Mt 13,55), que, no carro da cruz, desceu à voraz garganta da morada dos mortos e transferiu o género humano para a morada da vida (cf Col 1,13). E, se pela árvore do paraíso o género humano caíra na morada dos mortos,Leia mais →