O Nosso Redemptor, prevendo que os discípulos ficassem perturbados com a sua Paixão, anuncia-lhes com muita antecedência os sofrimentos da sua Paixão e a glória da sua Ressurreição (Luc 18, 31-33). Assim, vendo-o morrer como lhes anunciara, não duvidariam da sua Ressurreição. Mas, presos ainda à nossa condição carnal, os discípulos não podiam compreender estas palavras anunciando o mistério (v. 34). É então que intervém um milagre: debaixo dos seus olhos, um cego recupera a visão, para que aqueles que eram incapazes de assimilar as palavras do mistério sobrenatural fossem sustentados na sua fé à vista de um acto sobrenatural. É que devemos ter umLeia mais →

Os doutores da Lei diziam: «Blasfema! Quem pode perdoar pecados senão Deus?» Qual é a resposta do Salvador? Terá desaprovado o que diziam? Se Ele não fosse igual a Deus, deveria ter-lhes dito: «Por que me atribuís uma tal pretensão?» […] Mas não disse nada disso; pelo contrário, confirmou esta afirmação dos seus inimigos. Dar testemunho de si mesmo levanta suspeitas; é melhor que a verdade seja apoiada por outros, que não apenas os seus amigos, mas é ainda melhor se o for pelos seus inimigos. […] O nosso Mestre tinha demonstrado a Sua força junto dos Seus amigos quando dissera ao leproso: «Quero, ficaLeia mais →

«Aproximando-Se, Jesus tomou-a pela mão e levantou-a.» Com efeito, esta doente não conseguia levantar-se sozinha; estando acamada, não conseguia ir ao encontro de Jesus. Mas este médico misericordioso aproximou-Se da cama dela. Aquele que havia trazido uma ovelha doente aos ombros (Lc 15, 5) aproxima-Se agora desta cama. […] Ele aproxima-se sempre mais, para curar ainda mais. Reparem bem no que está escrito aqui […]: «Tu devias certamente ter vindo ao Meu encontro, ter vindo acolher-Me à porta da tua casa; mas então a tua cura não resultaria tanto da Minha misericórdia, mas da tua vontade. Uma vez que uma febre tão forte te oprimeLeia mais →

Naaman era sírio, tinha lepra e ninguém conseguia purificá-lo da doença. […] Foi a Israel e Eliseu ordenou-lhe que se banhasse sete vezes no Jordão. Então Naaman pensou que os rios da sua pátria tinham águas melhores, nas quais ele se tinha banhado muitas vezes sem ter sido purificado da lepra. […] Mas acabou por se banhar e, imediatamente purificado, compreendeu que a purificação não vem das águas, mas da graça. […] Foi por isso que [no dia do teu baptismo] te disseram: não creias apenas naquilo que vês, porque poderias dizer, também tu, como Naaman. É esse o grande mistério que «nem o olhoLeia mais →

Com os olhos do corpo, observamos o que se passa na vida e na terra; discernimos a diferença entre a luz e a escuridão, entre o branco e o preto, entre o feio e o belo […]; o mesmo acontece com aquilo que o ouvido abarca: sons agudos, graves, agradáveis. Mas também temos ouvidos no coração e olhos na alma, sentidos que podem captar a Deus. Com efeito, Deus deixa-Se percepcionar porque aqueles que são capazes de O ver, depois de se lhes terem aberto os olhos da alma. Todos nós temos olhos físicos, mas alguns têm-nos velados, e não vêem a luz do sol.Leia mais →

Vimos Cristo obedecer à Lei de Moisés, o que quer dizer que Deus, o legislador, Se submeteu, como um homem, às suas próprias leis, como nos ensina São Paulo […]: «Ao chegar a plenitude dos tempos, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher, nascido sujeito à Lei, para resgatar os que se encontravam sob o jugo da Lei» (Gal 4,4-5). Por conseguinte, Cristo resgatou da maldição da Lei os que a ela estavam sujeitos, mas não a observavam. De que modo os resgatou? Aperfeiçoando esta Lei; dito de outro modo, a fim de apagar a transgressão da qual Adão se tornara culpado, Ele foiLeia mais →

Tu previste o desespero de Nínive, desviaste a ameaça já profetizada, e a Tua misericórdia venceu a Tua cólera, Senhor. Tem piedade, também nos dias de hoje, do Teu povo e da Tua cidade; derruba os nossos adversários com a Tua mão poderosa, por intercessão da Mãe de Deus, acolhendo o nosso arrependimento. O hospital do arrependimento está aberto a todas as doenças morais: vinde, apressemo-nos a recorrer a ele e a tomar vigor para as nossas almas. Foi pelo arrependimento que a pecadora encontrou a salvação, que Pedro foi libertado das suas negações, que David pôs fim ao sofrimento do seu coração, e foiLeia mais →

Este chefe [da sinagoga] pode ser entendido como representando a Lei de Moisés que, orando em intenção da multidão que a referida Lei tinha alimentado para Cristo, pregando a expectativa da Sua vinda, pede ao Senhor que dê vida a uma morta. […] O Senhor prometeu-lhe ajuda e, para o tranqüilizar, seguiu-o. Mas primeiro, a multidão dos pagãos pecadores foi salva com os apóstolos. O dom da vida voltava a tomar o primeiro lugar em relação à eleição predestinada pela Lei, mas antes disso, na imagem da mulher, a salvação chegou aos publicanos e aos pecadores. Eis porque razão esta mulher confia que, aproximando-se doLeia mais →

«Fez lama com a saliva e ungiu-lhe os olhos». E a luz jorrou da terra, como no começo, quando […] as trevas cobriam o abismo e o espírito de Deus Se movia sobre a superfície das águas. Deus disse: «Faça-se a luz» e a luz foi feita (Gn 1, 2-3). Assim, curou um defeito que existia desde a nascença, para mostrar que Ele, cuja mão terminava aquilo que faltava à natureza, era Aquele que, com a Sua mão, tinha dado origem à Criação, no princípio. E como se recusavam a crer que Ele era antes de Abraão (Jo 8, 57), provou com esta ação queLeia mais →

No Evangelho de São Mateus, Jesus acabara de curar dois estrangeiros, em território pagão.] Neste paralítico, é a totalidade dos pagãos que se apresenta a Cristo, para ser curada. Mas mesmo os termos dessa cura devem ser analisados: o que Ele diz ao paralítico não é «Fica curado», nem «Levanta-te e anda», mas «Filho, tem confiança, os teus pecados estão perdoados» (Mt 9, 2). Num só homem, Adão, foram os pecados transmitidos a todos os povos. É por isso que aquele a quem se chama filho se apresenta para ser curado […]; porque esse filho é a primeira obra de Deus […], que agora recebeLeia mais →