«Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados»: não se trata das lágrimas derramadas pelos que morreram segundo a lei comum da natureza, mas daqueles que choram por causa dos seus pecados e vícios. […] «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça»: não basta desejar a justiça; é preciso ter fome dela. Isso significa que nunca somos justos o bastante, mas devemos sempre nutrir fome pelas obras de justiça. «Bem-aventurados os misericordiosos»: a misericórdia não se limita às esmolas, mas se manifesta também diante dos pecados de nossos irmãos, quando carregamos os fardos uns dos outros. «Bem-aventurados os puros de coração»: isto é, aquelesLeia mais →

A cruz de Cristo é o suporte do gênero humano; é sobre essa coluna que se ergue a nossa morada. Quando falo da cruz, não me refiro à madeira, mas à Paixão. Essa cruz está tanto na Bretanha quanto na Índia, e em todo o universo. […] Feliz aquele que traz, no coração, a cruz e a ressurreição, assim como o lugar do nascimento e o lugar da ascensão de Cristo. Feliz aquele que possui Belém dentro de si, no coração onde Cristo nasce todos os dias. […] Feliz aquele em cujo coração Cristo ressuscita diariamente, porque todos os dias faz penitência por seus pecados,Leia mais →

O apóstolo prova que somos filhos de Deus pelo facto de termos o Espírito Santo em nós (cf. Gal 4,4); diz ele que nunca nos atreveríamos a dizer «Pai nosso, que estás nos Céus» se não fosse a consciência de que o Espírito Santo habita em nós e grita com a voz poderosa da inteligência e da fé: «Abbá, Pai». […] É preciso notar que, na Sagrada Escritura, a palavra «clamor» não significa a intensidade da voz, mas a força do pensamento e da verdade que é expressa; assim, por exemplo, no Êxodo, o Senhor responde a Moisés: «Porque clamas a Mim?» (Ex 14,15), emboraLeia mais →

Cristo pede-nos duas coisas: que condenemos os nossos pecados e perdoemos os dos outros, e que façamos a primeira coisa por causa da segunda, que será então mais fácil, pois aquele que pensa nos seus pecados será menos severo para com o seu companheiro de miséria. E perdoar não apenas por palavras mas «do fundo do coração», para que não se vire contra nós o ferro com que cremos trespassar os outros. Que mal te pode fazer o teu inimigo, que se possa comparar com aquele que fazes a ti próprio? […] Se te deixas levar pela indignação e pela cólera, serás ferido, não pelaLeia mais →

«Venha o Teu reino» (Mt 6, 10). Pedimos que o reino de Deus se realize para nós, no mesmo sentido em que imploramos que o Seu nome seja santificado em nós. Com efeito, quando é que Deus não reina? E quando começou o que n’Ele sempre existiu e nunca acabará? Pedimos, pois, que venha o nosso reino, aquele que Deus nos prometeu, aquele que Cristo nos obteve pela Sua Paixão e pelo Seu sangue. Assim, depois de termos sido escravos neste mundo, seremos reis, quando Cristo for soberano, como Ele mesmo nos promete quando diz: «Vinde, benditos de Meu Pai! Recebei em herança o ReinoLeia mais →

Entre recomendações salutares e preceitos divinos através dos quais proveu à salvação do Seu povo, o Senhor deu-nos ainda o modelo de oração; Ele próprio nos ensinou o que devemos pedir nas nossas preces. Ele, que nos dá a vida, também nos ensina a rezar, com aquela mesma bondade que O levou a conceder-nos tantos outros benefícios. Assim, quando falamos ao Pai através da oração que o Senhor nos ensinou, somos mais facilmente escutados. Ele previra que viria a hora em que: «os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade» (Jo 4, 23) e cumpriu o que anunciara. Santificados pelo Espírito eLeia mais →

«Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia». Estas palavras podem entender-se no sentido espiritual e no sentido literal: no desígnio de Deus, as duas interpretações devem contribuir para a nossa salvação. O nosso pão de vida é Cristo, e este pão não está acessível a toda a gente, mas a nós sim. Tal como dizemos «Pai Nosso» porque Ele é o Pai dos que têm fé, também chamamos a Cristo o «nosso pão» porque Ele é o pão dos que constituem o seu corpo. Para obter este pão, rezamos todos os dias; não queremos ser, […] pelo pecado grave, […] privados do pão doLeia mais →