«É preciosa aos olhos do Senhor a morte dos que lhe são fiéis» (Sl 115,15). Quem deseja saber se em si habita o Deus de quem se disse: « Deus é prodigioso desde o seu santuário, pois é Ele o Deus de Israel, que dá força e vigor ao seu povo» (Sl 67,36) perscrute por um exame sincero o fundo do seu coração e busque atentamente com que humildade é capaz de resistir ao orgulho, com que benevolência consegue combater a inveja, até que ponto não se deixa levar por palavras lisonjeiras e se se alegra com o bem dos outros; veja se não desejaLeia mais →

«Se retiver as águas, tudo secará; se as soltar, elas submergirão a terra» (Jb 12,15). Entendamos por água a ciência da pregação, como está escrito: «As palavras da boca de um homem [sábio] são águas profundas, torrente transbordante, fonte de sabedoria» (Pr 18,4); se as águas forem retidas, tudo seca. Sim, tirai aos pregadores a ciência, e os corações que poderiam ter verdejado na esperança da eternidade murcham imediatamente, permanecendo na secura do desespero, apreciando o transitório, ignorando a esperança daquilo que subsiste. E se por água entendemos a graça do Espírito Santo, como diz a palavra da Verdade no Evangelho: «Quem acredita em Mim,Leia mais →

A natureza humana foi assumida pelo Filho de Deus tão intimamente que não só nele, «o primogênito de toda a criatura» (Cl 1,15), mas em todos os santos, há apenas um e mesmo Cristo. E, tal como a cabeça não se pode separar dos membros, também os membros não podem ser separados da cabeça. […] Sofre com Ele, não apenas a coragem gloriosa dos mártires, mas também a fé de todos os que renascem do banho da regeneração. Com efeito, quando renunciamos ao diabo para crer em Deus, quando passamos da vetustez à renovação, quando depomos a imagem do homem terreno para nos revestirmos daLeia mais →

Ao ver que levavam o bispo Sixto para o martírio, São Lourenço pôs-se a chorar. Não era o sofrimento do seu bispo que lhe arrancava lágrimas, mas o facto de não o acompanhar no martírio. Por isso, interpelou-o nestes termos: «Aonde vais, meu pai, sem o teu filho? Para ondes corres, padre santo, sem este teu diácono? Tinhas por hábito nunca oferecer o sacrifício sem ministro! […] Dá, pois, uma prova de que escolheste um bom diácono, a quem confiaste o ministério do sangue do Senhor, com quem partilhas os sacramentos; recusar-te-ás a comungar com ele no sacrifício do sangue?» […] O Papa Sixto respondeuLeia mais →

Nasceu pelo Espírito Santo de Mãe virgem, e pelo mesmo Espírito fecunda a sua Igreja puríssima, a fim de que, pelo nascimento do batismo, uma multidão inumerável de filhos seja gerada para Deus. Deles se diz que «não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1,13). É nele que a descendência de Abraão é abençoada pela adoção de todo o mundo, e que o patriarca se torna pai das nações quando os filhos da promessa nascem da fé e não da carne. Sem excetuar nenhum povo, Ele forma, de todas as nações que há debaixoLeia mais →

O homem não deve limitar-se a prover às suas próprias necessidades, mas também às dos outros. A recompensa não é a mesma para aqueles que só pensam em si próprios e para aqueles que se salvam a si próprios e aos outros com eles. Tal como aquele que prega e não faz o que diz se condena a si mesmo, segundo São Paulo: «Como é que tu ensinas os outros e não te ensinas a ti próprio?» (Rm 2,21), também aquele que faz o bem e não ensina os outros a fazê-lo perde grande parte da sua recompensa. Devemos, portanto, trabalhar por ambas as coisasLeia mais →

O próprio Verbo de Deus, que é mais antigo que todos os séculos, o invisível, o incompreensível, o incorpóreo, o princípio nascido do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a marca do modelo divino, o selo imutável, a imagem perfeita e a palavra definitiva do Pai avança para a sua própria imagem, reveste-se de carne para salvar a carne, junta-Se a uma alma pensante por causa da minha alma, a fim de purificar o semelhante pelo semelhante, e assume tudo o que é humano, à exceção do pecado. Concebido da Virgem que havia sido purificada pelo Espírito noLeia mais →

No decurso de uma refeição, Jesus levantou-Se da mesa e despojou-Se das suas vestes, tomando a aparência de escravo, como demonstram estas palavras: «tomando uma toalha, atou-a à cintura», para não ficar completamente nu e para limpar os pés dos discípulos com as suas vestes. Vede a que ponto se baixa a grandeza e a glória do Verbo feito carne: para lavar os pés dos seus discípulos, «deitou água na bacia» (Jo 13,2-5). «Abraão ergueu os olhos e viu três homens de pé na sua frente. Imediatamente correu da entrada da tenda ao seu encontro, prostrou-se por terra e disse: “Meu Senhor, se mereci oLeia mais →

«Onde levas o teu rebanho a pastar» (Cant 1,7), ó bom pastor que o carregas aos ombros (cf Lc 15,5)? Porque toda a raça humana é uma única ovelha que Tu tomaste aos ombros. Mostra-me o lugar da tua pastagem, faz-me conhecer as águas do repouso, leva-me às ervas suculentas, chama-me pelo nome (cf Jo 10,3), para que eu ouça a tua voz, eu que sou tua ovelha, que a tua voz seja para mim a vida eterna. Sim, diz-mo, «Tu, a quem o meu coração ama» (Cant 1,7). É assim que Te chamo porque o teu nome está acima de todo o nome (cfLeia mais →

  Os doutores da Lei diziam: «Este homem está a blasfemar».; pois quem pode perdoar pecados senão Deus? Qual é a resposta do Salvador? Terá desaprovado o que diziam? Se Ele não fosse igual a Deus, deveria ter-lhes dito: «Por que Me atribuís tal pretensão?» […] Mas não o disse; pelo contrário, confirmou a afirmação dos seus inimigos. Dar testemunho de si próprio levanta suspeitas; é melhor que a verdade seja apoiada por outros, e não apenas os amigos, ainda é melhor se o for pelos inimigos. […] O nosso Mestre tinha demonstrado o seu poder aos seus amigos quando dissera ao leproso: «Quero, ficaLeia mais →