O próprio Verbo de Deus, que é mais antigo que todos os séculos, o invisível, o incompreensível, o incorpóreo, o princípio nascido do princípio, a luz nascida da luz, a fonte da vida e da imortalidade, a marca do modelo divino, o selo imutável, a imagem perfeita e a palavra definitiva do Pai avança para a sua própria imagem, reveste-se de carne para salvar a carne, junta-Se a uma alma pensante por causa da minha alma, a fim de purificar o semelhante pelo semelhante, e assume tudo o que é humano, à exceção do pecado. Concebido da Virgem que havia sido purificada pelo Espírito noLeia mais →

Nasceu pelo Espírito Santo de Mãe virgem, e pelo mesmo Espírito fecunda a sua Igreja puríssima, a fim de que, pelo nascimento do batismo, uma multidão inumerável de filhos seja gerada para Deus. Deles se diz que «não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus» (Jo 1,13). É nele que a descendência de Abraão é abençoada pela adoção de todo o mundo, e que o patriarca se torna pai das nações quando os filhos da promessa nascem da fé e não da carne. Sem excetuar nenhum povo, Ele forma, de todas as nações que há debaixoLeia mais →

«Faz-te ao largo» quer dizer: avança para o mar alto dos debates. Haverá profundidade comparável aos «abismos da riqueza, da sabedoria e da ciência do Filho de Deus» (Rom 11,33), à proclamação da sua filiação divina? […] A Igreja é conduzida por Pedro para o mar alto do testemunho, para contemplar o Filho de Deus ressuscitado e o Espírito Santo derramado. O que são estas redes de apóstolo que Cristo nos manda lançar? Não serão o encadeado das palavras, as voltas do discurso, a profundidade dos argumentos, que não deixam escapar aqueles que são agarrados? Estes instrumentos de pesca dos apóstolos não matam a presa,Leia mais →

A natureza humana foi assumida pelo Filho de Deus tão intimamente que não só nele, «o primogênito de toda a criatura» (Cl 1,15), mas em todos os santos, há apenas um e mesmo Cristo. E, tal como a cabeça não se pode separar dos membros, também os membros não podem ser separados da cabeça. […] Sofre com Ele, não apenas a coragem gloriosa dos mártires, mas também a fé de todos os que renascem do banho da regeneração. Com efeito, quando renunciamos ao diabo para crer em Deus, quando passamos da vetustez à renovação, quando depomos a imagem do homem terreno para nos revestirmos daLeia mais →

O primeiro e o maior dos mandamentos, o fundamento da Lei e dos profetas (cf Mt 22,40), é o amor, que, no meu parecer, dá a sua maior prova através do amor aos pobres, da ternura e da compaixão pelo próximo. Nada honra tanto a Deus como a misericórdia, pois nada se Lhe assemelha tanto. «A retidão e a justiça são a base do teu trono» (Sl 89,15) e Ele prefere a misericórdia ao juízo (cf Os 6,6). Nada como a benevolência entre os homens para atrair a benevolência do Amigo dos homens (cf Sb 1,6); a sua recompensa é justa, Ele pesa e medeLeia mais →

Quando foi que o Senhor quis dar-Se a conhecer? «Ao partir o pão». Podemos ter a certeza de que, quando partimos o pão, reconhecemos o Senhor. Ele só quis ser reconhecido naquele momento por nossa causa, porque não já O veríamos em carne e osso, mas comeríamos a sua carne. Sejas quem fores, crente que não usas o nome de cristão em vão e que não vais à igreja por nada, tu, que escutas com temor e esperança a palavra de Deus, o teu conforto está na partilha do pão. A ausência do Senhor não é uma ausência. Crê somente, e Aquele que não vêsLeia mais →

Governar o Universo é certamente um milagre maior do que saciar cinco mil homens com cinco pães. E, contudo, aquilo não espanta ninguém, mas as pessoas espantam-se diante de um milagre de menor importância, porque sai do habitual. Com efeito, quem sustenta todo o Universo, senão Aquele que, com algumas sementes, cria searas inteiras? Cristo fez o mesmo que Deus faz: usando o seu poder de multiplicar as searas a partir de uns quantos grãos, multiplicou cinco pães; porque tinha poder para tal, e porque esses cinco pães eram como sementes, que o Criador da terra multiplicou mesmo sem as lançar à terra. […] EstaLeia mais →

«Cantarei ao Senhor enquanto viver» (Sl 103,33). O que cantará o salmista? Cantará tudo aquilo que Deus é. Cantemos a glória do Senhor durante toda a nossa vida. A nossa vida atual mais não é que uma esperança; a nossa vida futura será a eternidade. A vida desta vida mortal é a esperança da vida imortal: «Cantarei ao Senhor enquanto viver; louvarei o meu Deus enquanto existir». E, porque viverei nele sem fim, enquanto viver cantarei ao meu Deus. Não pensemos que, quando tivermos começado a cantar ao Senhor na cidade do Céu, quereremos fazer outra coisa; nessa altura, toda a nossa vida consistirá emLeia mais →

Recolhe a água de Cristo, a água que louva o Senhor. Recolhe a água que vem de várias fontes, a água que chove das nuvens dos profetas. Quem recolhe em si mesmo a água dos montes, ou tira água das fontes, começa a derramá-la como as nuvens. Enche o teu coração e a tua mente com esta água, para que a tua terra se torne húmida, irrigada pelas suas próprias fontes. Ora, é lendo inteligentemente que enchemos o nosso espírito; e quem está cheio pode irrigar os outros. É neste sentido que a Escritura diz: «Quando as nuvens estão carregadas, derramam chuva sobre a terra»Leia mais →

Ao ver que levavam o bispo Sixto para o martírio, São Lourenço pôs-se a chorar. Não era o sofrimento do seu bispo que lhe arrancava lágrimas, mas o facto de não o acompanhar no martírio. Por isso, interpelou-o nestes termos: «Aonde vais, meu pai, sem o teu filho? Para ondes corres, padre santo, sem este teu diácono? Tinhas por hábito nunca oferecer o sacrifício sem ministro! […] Dá, pois, uma prova de que escolheste um bom diácono, a quem confiaste o ministério do sangue do Senhor, com quem partilhas os sacramentos; recusar-te-ás a comungar com ele no sacrifício do sangue?» […] O Papa Sixto respondeuLeia mais →