O remédio mais eficaz para o coração humano é a paciência, conforme as palavras de Salomão: «O homem manso é o médico do coração» (Prov 14,30). Ela extirpa a ira, a tristeza, a preguiça, a vanglória e a soberba, bem como a volúpia e todos os vícios: «A longanimidade faz a prosperidade dos reis», diz também Salomão (Prov 25,15). Quem é sempre manso e tranquilo não se deixa inflamar pela ira nem consumir pela angústia do tédio e da tristeza, não se dispersa nas fúteis buscas da vanglória nem consente em se elevar pela soberba: «Há superabundância de paz para aqueles que amam o nomeLeia mais →

Quando, após ter abandonado as trevas do erro para aderir ao amor de Deus, Paulo se junta ao número dos discípulos, Lucas acompanha-o para todo o lado e torna-se seu companheiro de viagem (cf At 16,10s). […] Dá-se tão bem com ele, torna-se-lhe tão familiar e partilha de tal modo todas as suas graças que Paulo, quando escreve aos crentes, se refere a Lucas como o seu bem-amado (cf Col 4,14). Desde Jerusalém e por toda aquela região até à Dalmácia (cf Rom 15,19), pregou com ele o Evangelho; da Judeia a Roma, partilhou com ele as correntes, os trabalhos, as provações, os naufrágios. QueriaLeia mais →

Prenderam alguns jovens catecúmenos: Revocato e Felicidade, ambos escravos, Saturnino e Secundino, e com eles encontrava-se Víbia Perpétua. Esta era nobre de nascimento, tivera uma educação esmerada e fizera um bom casamento. Perpétua tinha ainda pai e mãe, dois irmãos – um dos quais também era catecúmeno – e um filho de peito. Tinha cerca de vinte e dois anos. Ela própria relatou a história completa do seu martírio. Ei-la, escrita por seu punho, com base nas suas impressões: «Estávamos ainda com os guardas, mas o meu pai já estava a tentar convencer-me. Na sua ternura, tudo fazia para me enfraquecer a fé.– Pai, disse-lheLeia mais →

Meus pais, meus irmãos, meus filhos, o inimigo ataca-nos sem cessar com todo o seu furor, mas, também sem cessar, é afastado pelas potências divinas […]. Quando alguém, depois de ter rejeitado o Espírito Santo, abre a porta e dá entrada ao desconhecido que lhe ensina a fazer e a dizer tudo aquilo de que gosta, o inimigo encontra nele uma presa. Pois bem, examinemos as propriedades das duas forças em ação, dando alguma atenção ao que se segue. […] Quem tem o Espírito Santo, tem alegria, paz, longanimidade, caridade. Profere palavras mais doces que o mel das abelhas, porque lhe saem da abundância doLeia mais →

Ninguém duvida de que há boas razões para se aplicar aos anjos os vocábulos que assinalam a sua categoria, e para eles terem nomes que exprimem o seu cargo, os seus méritos e a sua dignidade. É manifesto, em primeiro lugar, que o nome de anjos ou mensageiros provém do ofício de anunciar a vontade divina, e o nome de arcanjos, do facto de estes terem poder sobre os anjos, como indica a palavra. Há outros que são chamados dominações, porque têm domínio sobre vários; e principados, porque têm quem lhes obedeça como os súbditos aos príncipes; e outros ainda, tronos, em razão da íntimaLeia mais →

Não pode haver mais nem menos evangelhos. Com efeito, uma vez que são quatro as regiões do mundo e quatro os ventos principais; e, por outro lado, uma vez que a Igreja está espalhada por toda a Terra e tem por «coluna e sustentáculo» (1Tim 3,15) o evangelho e o Espírito da vida, é natural que ela tenha quatro colunas, soprando a imortalidade de todos os lados e dando vida aos homens. Quando o Verbo, o Artesão do Universo, que tem o seu trono sobre os querubins e sustenta todas as coisas (cf Sl 79,2; Heb 1,3), Se manifestou aos homens, deu-nos um evangelho comLeia mais →

Creio que é a Maria que o profeta Joel se dirige ao dizer: «Não temas, ó terra; canta e rejubila, porque o Senhor faz grandes coisas» (2,21). De fato, Maria é a terra: a terra onde Moisés, homem de Deus, recebeu ordem para tirar as sandálias dos pés (cf Ex 3,5), imagem da Lei que a graça virá substituir; a terra onde, pelo Espírito Santo, Se fixou Aquele de quem proclamamos que fundou «a Terra sobre bases sólidas» (Sl 103,5). Uma terra que, sem ter sido semeada, faz eclodir o fruto que dá alimento a todo o ser vivo (cf Sl 135,25). Uma terra ondeLeia mais →

A força divina que o homem não pode tocar desceu e envolveu-Se num corpo palpável, para que os pobres a toquem e para que, ao tocarem a humanidade de Cristo, captem a sua divindade. Através de dedos de carne, o surdo-mudo sentiu que lhe tocavam nos ouvidos e na língua: através de dedos palpáveis, captou a divindade intocável naquele momento em que o nó da sua língua foi rompido, naquele momento em que as portas fechadas dos seus ouvidos foram abertas. Porque o arquiteto e o artesão do corpo veio até ele e, com palavras suaves, criou, sem dor, aberturas nos seus ouvidos surdos; então,Leia mais →