Deus não podia viver com os homens, a não ser que assumisse uma forma humana de pensar e de reagir. Foi por isso que escondeu sob a humildade o esplendor da sua majestade, que a fraqueza humana não teria sido capaz de suportar. Nada disso era digno dEle, mas era necessário ao homem, e por esse motivo tornou-se digno de Deus, porque nada é tão digno de Deus como a salvação do homem. […] Tudo quanto Deus perde, ganha-o o homem; todas as humilhações que o meu Deus sofreu para estar perto de nós são sacramento de salvação para os homens. Deus agiu com osLeia mais →

Enquanto os anjos, assombrados, nada ousavam perguntar, ecoou a ordem divina: «Faça-se a Luz!» (Gn 1,3), e a luz rompeu as trevas. […] Era domingo, o primeiro dos dias, o primogênito entre os seus irmãos, o dia portador de mistérios e símbolos. Deus criara dois gémeos que em nada se pareciam: a noite escura, e o dia claro. A noite era a irmã mais velha, mas o dia apanhou-a e ocupou o seu lugar. Este primeiro dia, este fundamento da criação, não se esvaiu hora a hora; a luz não nasceu a Oriente para se pôr a Ocidente. Ela não sofreu qualquer alteração; apenas existiu,Leia mais →

Muitos dos que, para seguirem Cristo, tinham desprezado fortunas consideráveis, enormes somas de ouro e de prata, propriedades magníficas, deixaram-se depois tocar por uma lima de unhas, por um alfinete, por uma agulha, por uma caneta… Depois de terem distribuído todas as suas riquezas por amor de Cristo, conservam a sua antiga paixão e entregam-se a futilidades, capazes de se enfurecerem só para as defender. Não tendo a caridade de que fala S. Paulo, a sua vida é marcada pela esterilidade. O bem-aventurado Apóstolo previa essa desgraça: “Mesmo que eu distribua todos os meus bens para alimento dos pobres e entregue o meu corpo àsLeia mais →

Segundo a tradição dos Padres e a autoridade das Sagradas Escrituras, as renúncias são em número de três. […] A primeira diz respeito às coisas materiais; devemos desprezar as riquezas e todos os bens deste mundo. Pela segunda, repudiamos a nossa antiga maneira de viver, os vícios e as paixões da alma e da carne. Pela terceira, distanciamos o nosso espírito de todas as realidades presentes e visíveis, para contemplarmos apenas as realidades futuras e desejarmos apenas as realidades invisíveis. Estas renúncias devem ser observadas em conjunto, como o Senhor ordenou a Abraão quando lhe disse: “Deixa a tua terra, a tua família e aLeia mais →

Deus não criou o homem para ele se perder, mas para viver eternamente; e este desígnio permanece imutável. […] Ele “deseja que todos os homens se salvem e conheçam a verdade” (1Tim 2, 4). É vontade do vosso Pai que está nos céus, diz Jesus, “que não se perca um só destes pequeninos” (Mt 18, 14). E também está escrito: “Deus não quer que pereça uma só alma” (2 Sam 4, 14); Ele difere a execução dos Seus decretos, a fim de que aquele que foi rejeitado não se perca para sempre. Deus é verdadeiro e não mente, quando garante por meio de juramento: “PorLeia mais →

Foi sem dúvida graças ao poder e ao auxílio do céu que a doutrina da salvação, tal como um raio de sol, iluminou repentinamente toda a terra. De acordo com as divinas Escrituras, com efeito, sobre toda a terra ressoou a voz dos divinos Evangelistas e dos Apóstolos; a sua palavra atingiu os limites do universo. E, em cada cidade, em cada aldeia, tal como numa eira transbordante, constituíram-se em massa Igrejas fortes com milhares de homens, cheias de fiéis… Mas, no reinado do imperador Cláudio, o rei Herodes decidiu maltratar alguns membros da Igreja; foi assim que mandou matar pela espada a Tiago, irmãoLeia mais →

O Batismo, banho de santidade, lava as manchas do pecado, mas não altera a dualidade da nossa vontade e não impede que os espíritos do mal nos combatam ou nos enredem nas suas ilusões. […] Mas a graça de Deus tem a sua morada na profundidade da alma, ou seja, no entendimento. Com efeito, diz-se que a filha do rei e as donzelas suas amigas «avançam com alegria e júbilo e entram com alegria no palácio real» (Sl 44, 16): entram para o interior, não se mostram aos demónios. Por isso, quando nos recordamos de Deus com fervor, sentimos brotar o desejo do divino doLeia mais →

Ilustre precursor da graça e mensageiro da verdade, João Baptista, tocha de Cristo, torna-se evangelista da Luz eterna. O testemunho profético que não cessou de dar com a sua mensagem, com toda a sua vida e a sua actividade, assinala-o hoje com o seu sangue e o seu martírio. Sempre tinha precedido o Mestre: ao nascer, anunciara a Sua vinda a este mundo. Ao baptizar os penitentes do Jordão, tinha prefigurado Aquele que vinha instituir o Seu baptismo. E a morte de Cristo redentor, seu Salvador, que deu a vida ao mundo, também João Baptista a viveu antecipadamente, derramando o seu sangue por Ele, porLeia mais →

Jesus renovou aos santos apóstolos o chamamento que tinha feito a Abraão. E a sua fé assemelhava-se à de Abraão; porque, tal como Abraão obedeceu logo que foi chamado (Gn 12), também os apóstolos seguiram Jesus logo que Ele os chamou e eles O ouviram. […] Não foi um longo ensinamento o que os tornou discípulos, mas o simples facto de terem ouvido a palavra da fé. Como era viva, a fé deles obedeceu à vida logo que ouviu a voz viva. Imediatamente correram atrás dela, sem mais demoras; assim se vê que já eram discípulos no coração, mesmo antes de terem sido chamados. EisLeia mais →

O Pai é aquilo que é e assim temos de acreditar. Quanto ao Filho, o nosso espírito desencoraja-se para O atingir, e toda a palavra hesita em se fazer ouvir. Ele é na verdade a geração do não gerado, o único nascido do único, o verdadeiro saído do verdadeiro, o vivo nascido do vivo, o perfeito vindo do perfeito, o poder do poder, a sabedoria da sabedoria, a glória da glória, «a imagem do Deus invisível» ( Col 1,15)… Como vamos nós compreender a geração do Filho único não gerado?… Essa geração não é uma fratura ou uma divisão…: « O Pai está em mim,Leia mais →